17.12.04

a mala das gajas...

Aceitando o desafio do nosso amigo fridge/toquio, irei dissertar sobre o estranho universo da mala feminina.
Em primeiro lugar, caro fridge e demais leitores, não esperem da nossa parte nenhuma explicação simplista. Esta é uma temática complexa, e qualquer tipo de generalização não beneficia em nada a compreensão do fenómeno.
Para que os leitores melhor percebam a que me estou a referir, vou recorrer a uma imagem que me parece deveras esclarecedora: digamos apenas que as malas femininas são como os automóveis, ou seja, existem diversas marcas, modelos e feitios, para as mais diversas finalidades!
Senão vejamos:
  • as utilitárias - são as malas mais comuns (também chamadas bolsas), às quais qualquer gaja recorre no seu dia-a-dia. Lá dentro apenas o básico: carteira, chaves de casa, livro de cheques, telemóvel, óculos, óculos de sol, pensos higiénicos e/ou tampões, estojo de maquilhagem, lenços de papel, agenda, esferográfica, comprimidos para as dores de cabeça, baton de cieiro e ainda elástico e/ou ganchos para o cabelo, bloco de notas, escova e pasta dos dentes, pastilhas elásticas e, no caso das gajas fumadoras, o tabaco e o isqueiro.
  • as familiares - há gajas às quais não chega o volume de uma utilitária, precisam de qualquer coisa com mais espaço de arrumação. Isto porque, para além dos básicos, precisam de transportar sempre consigo 2 carteiras (uma para os documentos e outra com os cartões de crédito e notas) e um porta-moedas, bilhetes de cinema dos últimos 5 anos, horários de comboio e camioneta, toda a espécie de talões, contas para pagar, medicamentos (para além dos comprimidos para as dores de cabeça, há também comprimidos para as dores mentruais, enxaquecas, anti-ácidos, anti-inflamatórios e pomada para os herpes), pensos rápidos, cremes hidratantes (pelo menos um para as mãos e outro para o rosto), corta unhas, lima, etc etc etc . Nestes casos justifica-se plenamente uma mala tipo familiar...
  • as pochettes - a chamada pochette é o smart das malas. É minúscula e não cabe nada lá dentro. Não faço a mínima ideia para é que as pessoas as compram, tal como me acontece com os smarts.
  • a carteira cócó - é o equivalente aos desportivos topo de gama. Não primam nem pelo espaço, nem pela arrumação. São caríssimas e tem marcas chiquérrimas (uma Louis Vuitton será, por exemplo, o Rolls-Royce das malas). Usam-se por uma questão de estilo, moda ou afirmação pessoal. Tal como os homens compram um desportivo para impressionar as gajas, também as gajas compram malas cócós para impressionar as outras gajas.

Estive a pensar onde é que os homens que não usam mala transportam os seus pertences. E lembrei-me... o telemóvel no bolso no casaco e a carteira no bolso das calças. Não precisam de mais nada, segundo dizem. E depois, quando querem fazer as palavras cruzadas pedem uma caneta a uma gaja. Se precisarem de anotar alguma coisa pedem também um papelinho. E quando tem um pingo no nariz? Sabem que a gaja mais próxima terá um lenço de papel... Quando tem uma dor de cabeça, é à gaja que recorrem em busca do comprimidinho! Meus amigos gajos, vocês precisam tanto das nossas malas como nós!!

10 comentários:

ASPHALTO disse...

I beg to differ...

A carteira de um gajo ainda que numa proporçao diferente tambem pode acumular os utilitários não-essenciais, para não chamar fúteis.
Se há coisa que irrita um gajo é ter dependencias de si, apêndices que se podem deixar em qualquer lado. Com muita pena afirmo que a nossa mente unifactorial tem essa desvantagem. No entanto o pragmatismo não conhece limites.

Eu que gosto de andar de calças largas e sem cinto (nunca gostei de espartilhos, pronto...) tenho o problema de, usando carteira, me começarem as calças a descair além do sagrado aceitavel. Vai daí, para sair à rua em Bruxelas precido tão somente de: carta de condução (como documento identificativo, o passaporte fica em casa, just in case...); cartão/PM MB; passe social (a.k.a. Abonnement). O resto não se pede às gajas porque não precisamos, gostamos de fazer tudo o resto no sossego do lar/trabalho. Requer assim ao homem ter uma agenda planeada e estruturada e não precisar de "multi-tasking".

No entanto lembro que para "multi-tasking" uma boa mala é essencial, é como transportar o toucador e o escritório atras de si gaja. Lembra-se de algum homem assim? a mim ocorrem-me: A pochette do nelo, as 50 malas luis vuiton do Chateau Blanche e o cinto de utilidades do batman. Ora isto é tudo rabetagem da grossa... (o robin nunca me enganou...)!

gaja disse...

Venho aqui acrescentar uma ou duas coisas acerca da posta que escrevi ontem, dado não quero ser acusada de tratar este assunto com leviandade. Ontem à noite tive a oportunidade de, no terreno, fazer alguma pesquisa sobre esta matéria. Pedi a várias gajas que me revelassem o segredo de suas malas. Os resultados foram espantosos. Encontrei, no meio de muitos talões de compras(apenas a título de exemplo) um programa de um festival de teatro que decorreu em Dezembro de 2003, uma colher, uma gama de medicamentos muito mais vasta do que aquela que referi, um mini-estojo de costura e até, imagine-se, uma bola de golf!!

Em resposta ao caro D. Cócó, prezo saber que dispensa o uso da mala sem prejuízo para a sua qualidade de vida, mas o menino é a excepção, não a regra! Segundo depoimentos colhidos ontem à noite, a maioria das gajas queixa-se bastante da dependência dos homens em relação às suas malas. Eles pedem para elas lhes guardarem o telemóvel, vão lá roubar os medicamentos, etc etc etc, os queixumes são os mais diversos.

Para ir ainda mais longe na minha missão, caros leitores, eu própria me submeti ao teste. Ontem sai de casa para ir a uma festa, SEM MALA. Peço a vossa atenção, eu disse, SEM MALA!! Deixei o telemóvel em casa, amachuquei uma nota num bolso, as chaves de casa no outro e lá fui eu. Tive de pedir um telemóvel emprestado para ligar a um amigo, pedi à gaja que foi comigo que me guardasse as chaves, como não havia papel no WC das gajas tive de pedir lenços de papel empretados... Uma experiência a não repetir!!
E eu que pensei que não era como as outras gajas, que a minha relação com as minhas malas não era de dependência, que era mais por caus do trasporte da bomba da asma...e afinal, afinal, tudo balelas, sou como as outras, uma agarrada!! Foi uma duro golpe, devo dizer-vos!

gaja disse...

Ai do que me lembrei... Já manifestei neste blog a minha profunda admiração pelo Sport Billy. E não havia mala como a dele. Cócó, será também ele gay??? Parte-se me o coração só de pensar...

gaja disse...

Olá a todas.
O que é uma mala? Muita gente começaria a resposta a esta questão dizendo "Ora bem, é um acessório de moda que..."
Minhas amigas, esta tentativa de definição começa logo mal. Senão vejamos:

"Acessório"
do Lat. accessoriu
adj.,
que anda anexo e acompanha o principal;
secundário;
adicional;
(in dicionário on-line da língua portuguesa)

Julgo, após a brilhante exposição da mana gaja sobre o assunto, não levantar polémica ao dizer que a definição da mala como um acessório é, no mínimo, insultuosa. Para mim, bem como para a esmagadora maioria das gajas, uma bolsa não é "secundária", uma vez que andar sem bolsa é como andar nua.
Direi mesmo mais: transportar uma mala é algo que não pode ser dissociado da simples condição de ser mulher. Enfiar e transportar coisas numa bolsa é um gesto ancestral, um impulso incontrolável, provavelmente regido pelas mais recônditas e animalescas zonas do nosso cérebro. Para o ilustrar, recorrerei a um exemplo retirado da minha experiência pessoal. Muitas foram as ocasiões em que deparei com objectos na minha bolsa que não tinha intenção de lá colocar, como por exemplo o comando da TV ou saquitos de comida para gato. No entanto, uma força superior ditou que os pusesse lá... Uma consequência directa desta constatação é que todas as gajas apanhadas a roubar em lojas deviam ser amnistiadas porque provavelmente nem repararam no que estavam a fazer e apenas obedeciam aos seus impulsos.
Sendo esta a minha opinião, não adianta negar o que é óbvio, ou seja, qual foi a minha intenção ao escrever este comentário. Acho que todas nós, gajas organizadas, devíamos tentar fazer uma crítica revisionista da problemática da mala, quer ao nível da sua classificação bem como da legislação que lhe diz respeito. Fico, assim, a aguardar contactos de gajas que estejam interessadas em criar um grupo de trabalho que se ocupe deste assunto.

gaja disse...

Tem toda a razão cara amiga, isto é ainda a infuência do papel da gaja nas sociedades caçadoras-recolectoras ancestrais. Já nessa altura enchiamos sacos!!

gaja disse...

E agora, em relação ao Sport Billy...
Alguém já ouviu falar de um super herói gay? Eu fiz um esforço para me tentar lembrar e não consegui, mas também depende da definição de super herói. Por exemplo, um teletubby estaria fora de questão, verdade?

gaja disse...

Não ouviu o Cócó? O batman e o robin atracam de poupa...

gaja disse...

E o Sport Billy?? Eu estou é preocupada com o Sport Billy??

ASPHALTO disse...

Existem de facto super heróis assumidamente gays. Não se trata de nenhum cliché, tipo capitão cor-de-rosa ou o babyliss prateado.
No mundo de comics americano, por exemplo, e da mesma editora de x-men e homem-aranha existe o Estrela Polar. Ele fazia parte da Tropa Alfa (Alpha Flight em inglês) e assumiu-se como picolho aos seus colegas de equipa. Claro que veio a ser morto duas ou três revistas depois, para mais tarde voltar a ser ressuscitado sem nunca mais se falar no assunto.
Também nas revistas do Hulk, morre uma pessoa de SIDA mas que nunca se assume como sendo gay apesar de todas as pistas apontarem nesse sentido.

Mas mais alternativo que tudo isto só mesmo o Calimero, que se transforma num cisne no último episódio. Uma efabulação da real problemática urbana da transsexualidade!

Nenhum destes se destaca particularmente por usar mala ou qualquer pacote.

gaja disse...

Toda a gente sabe que o Sport Billy tem uma namorada obediente - a Lily - que o segue para todo o lado. Por isso acho que, fora o facto de carregar uma mala, nada aponta para que ele seja gay. E, além disso, a associação mala-homossexualidade, sugerida pelo estimado colaborador Cocó, carece de validação científica. Julgo que a cara amiga gaja poderá ficar descansada a esse respeito. Mas já agora, responda-me a esta questão: por quê tanto interesse no assunto?