15.8.06

Um ano depois...

Sim, foi exactamente há um ano que aconteceu a desgraça que me forneceu o pseudónimo. A foto da esquerda foi tirada cerca de uma hora depois da queda e não revela nem por sombras aquilo em que o pé de uma gaja se consegue transformar depois de sofrer uma ruptura de ligamentos. A foto da direita foi tirada hoje e serve para demonstrar que o pé está bom e recomenda-se.
Lembrei-me que esta seria uma boa ocasião para vos pedir um favor. Amigas, parem de me chamar manca! Se, por uma questão de coerência com o nome dado à gaja mouca, ainda quiserem adjectivar-me com base nas minhas deformidades físicas, lembro-lhes de que têm muito por onde escolher: gaja míope, gaja estrábica, gaja com escoliose... isso ficará ao vosso critério. Mas manca, nunca mais!

7.8.06

Ai meu lindo Agosto

Agosto é aquele mês horrível em que toda a gente está de férias. Milhares, senão milhões de portugueses encaminham-se para as mais variadas estâncias balneares aquém e além fronteiras e até para o Algarve. Neste remar contra a maré que é nosso apanágio, as gajas continuarão, no entanto, a trabalhar. E a contorcer-se de dores naquela região do corpo que liga o braço ao antebraço. A algumas das gajas resta a mísera consolação dos seus gabinetes com ar condicionado. Eu tive de me mudar para o Interior Esquecido e Ostracizado (IEO). De uma forma geral, sobrevive-se razoavelmente bem no IEO, embora às vezes me pergunte se alguma força suprema não terá mudado esta parte do país lá para os lados do equador, tal é o calor que se faz sentir. Também há muito calor humano, graças a deus! Se o Interior fica Esquecido durante todo o ano, é em Agosto que todos se lembram dele. É a altura em que todas as aldeias e vilas Ostracizadas recebem seus pródigos filhos de braços abertos e ao som da Ana Malhoa, do Tony Carreira e de muitíssimos outros obscuros agrupamentos musicais que a maioria da população portuguesa tem a felicidade de desconhecer.

Mas, perguntam vocês (e cheios de razão), onde queria eu chegar com isto tudo? É que esta minha nova condição irá ditar o meu afastamento temporário da blogosfera. Nas minhas anteriores expedições, costumava recorrer a um destes estabelecimentos denominados “espaço Internet”, criados com o muy nobre desígnio de levar as novas tecnologias à desfavorecida população do IEO. No entanto, no belíssimo mês de Agosto este sítio encontra-se completamente atulhado de turistas, desses que acham piada a viajar para sítios exóticos como Trás-os-Montes para praticar Parapente ou Canyonning e outras coisas verdadeiramente radicais. Eu acho que o facto de cá terem chegado é, por si só, já bastante radical, mas isso agora não interessa nada. O que interessa é que nunca há lugares disponíveis para biólogas desterradas em trabalho de campo.
Mas prometo que se tiver oportunidade passo por aqui para contar as novidades das terras do Padre Fontes. Fica então combinado!

25.7.06

Ana Mamalhoa (ou a fonte inesgotavel do corte)

O título diz tudo. Esta pérola veio parar-me às mãos (ou ao ecrã do meu portátel) e desde então sou uma gaja diferente. Porquê? Porque nunca mais precisei de me esforçar para fazer o que mais gosto: cortar. Quando não há outro assunto, corta-se na Ana. Então vamos por partes:

1. Site. Por si só, é genial. O rosa, as estrelas, a foto, a publicidade à FHM. Desculpem lá gajos... mas vocês compram mesmo uma revista que está "buéréré"?

2. Biografia. Tirando os erros gramaticais, até gostei de ler. Ao longo do texto vamo-nos apercebendo de que Ana é uma pessoa fantástica, talentosa, simpática, famosíssima e latina. Que mais pode um gajo querer?

3. Discografia. É de louvar o esforço que Ana sempre dedicou à sua imagem. A quantidade de roupa que mostra vai variando na razão inversa da quantidade de silicone nas suas mamocas. O meu favorito: Hot Reggaeton by Lil' Queen. Sim, estávamos a precisar de mais uma branca com a mania que é preta. E não esqueçam: foi Ana quem introduziu o Reggaeton em Portugal!

4. Fotos. Hmmm.... é mesmo preciso dizer alguma coisa? É. É preciso dizer que esta GAIJA BOUA era o ídolo de milhares de crianças do nosso Portugal. Que agora são adolescentes: enquanto os rapazes esgalham o pessegueiro com as fotos, as raparigas querem ser iguais a ela.

5. VIP. Não percebi que parte disto é VIP. Será o senhor Hussein que toca baixo e usa bigode e permanente, aposto. Ah não, é porque Ana grava num "record studio" (fica sempre bem dizer em inglês, mesmo quando não é preciso).

6. Links e Contacto. Acho que estão ali só pra encher. Gostava era que a secção Vídeo estivesse disponível. É desta que Ana começa a fazer filmes porno?

Por TODAS estas razões (e muitas mais haveria mas não quero fazer este post ainda mais longo) acho que Ana devia ter direito a uma estátua no centro de uma praça de Portugal, o seu nome numa rua, um feriado nacional em sua homenagem e ser sepultada ao lado da Amália. Já fiz a minha parte. A partir de amanhã posso sair à rua com uma t-shirt a dizer "I f***ed Ana Malhoa"


"Eu quero ouvir essas palmas!!" (by Ana)

Sempre vossa
FriFri

14.7.06

Let's do it for the kids

Não é fácil ser-se Presidente da República em Portugal. É preciso ter uma boa dose de imaginação para manter-se sob as luzes da ribalta e parecer ocupado durante 5 longos anos. Existem alguns governos que resolvem colaborar metendo água, dando assim a oportunidade ao PR de fazer alguma coisa com real importância. Mas em condições ditas normais é preciso inventar qualquer coisa que os faça sair de Belém, calcorrear o país, beijar criancinhas e aparecer nas televisões, não dando aos portugueses oportunidade para se esquecerem da sua existência. Se Sampaio teve as suas presidências abertas, Cavaco Silva apresenta o seu "Roteiro para a Inclusão". Foi esta a maneira que o actual PR arranjou para manifestar a sua preocupação com os excluídos, os toxicodependentes, os pobrezinhos, as mulheres e as criancinhas mal tratadas. Só lhe fica bem a caridadezinha, a ele e à Santa Casa da Misericórdia. O que já não lhe fica tão bem é apelar ao "espírito cristão de dávida e serviço" ou sugerir que os pais que se divorciam pensam primeiro na sua felicidade e só depois na dos filhos. E para que não seja acusado de conservadorismo ou tradicionalismo bacoco, lá refere um estudo que diz que o risco de pobreza sobe para o dobro em famílias monoparentais. Pois claro, com uma segurança social em falência, com os custos da educação e da saúde, mesmo no sistema público, acredito que seja realmente complicado criar um filho sozinha(o). Mas Cavaco Silva tem a solução: não se divorciem (ou se forem solteiros, casem-se) e acabem com essa modernice das famílias monoparentais. Vá lá, façam-no pelos miúdos!

11.7.06

O aveirense mais famoso

No passado domingo, vi na televisão uma reportagem sobre o concelho de Cinfães, em que, a certa altura, mencionaram o cinfanense mais conhecido de todos os tempos, Serpa Pinto.
Tomada pelo ímpeto regionalista de que sofro ocasionalmente, decidi dedicar-me ao exercício de escolher o aveirense mais famoso. Foi difícil chegar a uma conclusão. Muitos dos nomes que me ocorreram apenas são famosos na própria cidade. Por exemplo, qualquer filho da terra reconhecerá o nome do republicano José Estêvão, do anti-fascista e escritor Mário Sacramento ou mesmo do Atita, a popular figura que ensinou metade da população de Aveiro a nadar, ali mesmo num braço da ria. Mas a verdade é que, por mais famosas que sejam entre os habitantes da cidade dos moliceiros, estas personalidades são ilustres desconhecidos para o resto do país.
Lembrei-me também de aveirenses emprestados, pessoas que, já em idade adulta, desenvolveram uma ligação especial à terra. Para além da princesa Santa Joana, a padroeira da cidade, o mais famoso desta categoria é, sem dúvida, Paulo Portas, que decidiu inventar uma ligação a Aveiro (chegou ao cúmulo de se tornar sócio do Beira-Mar, vejam lá) para conservar o distrito como o último reduto do CDS/PP. Obviamente, estes também não contam.
Já me estava a ver a desafiar-vos, amigas gajas, a apresentarem um conterrâneo de que se pudessem orgulhar tanto como eu do Zeca Afonso ou do Fernando Pessa. No entanto, a minha consciência obrigou-me a excluí-los. A verdade é que ambos saíram de lá em tenra idade, basicamente para não mais voltar, sem criarem grandes laços à terra. Certamente nem se lembravam de lá ter vivido. E enfim, se o critério fosse apenas a naturalidade, então eu própria, que tive a maldita sorte de ir nascer a Coimbra, não era aveirense, o que é um insulto! Em minha opinião, para se ser de Aveiro é preciso ter crescido na cidade, ter sido educado por ela.
Reduzidas as possibilidades, detive-me um pouco a pensar em Paulo Pedroso, mas achei que este político já gozou de toda a dose de fama que algum dia conhecerá e que dificilmente voltará à ribalta…
Já estava em desespero de causa (onde é que já se viu, Cinfães ter gerado uma pessoa famosa e Aveiro não?), quando se fez luz… e que terrível luz! Senhoras e senhores, apresento-vos o aveirense mais famoso, pelo menos o mais famoso de que me consegui lembrar…


Por favor, cibernautas aveirenses (e não só!) que venham cá parar, alguém se lembra de outra personalidade que destrone este senhor, que nem uma tinta para o cabelo em condições sabe escolher?

7.7.06

Última posta sobre futebol

"Se o Portugal perder os jogos que lhe faltam a culpa será desta posta!!!" - Isto exclamava o Senhor Tudo no Seu Devido Lugar, qual vidente, a propósito da nossa última publicação. Isso de facto aconteceu, mas não queremos essa responsabilidade para nós. Não somos culpadas. A culpa vai inteirinha para a personalidade esquizofrénica da Nossa Senhora. Isto de desmultiplicar-se em milhares de variações regionais, ele é a Nossa Senhora de Fátima, a Nossa Senhora do Caravaggio - só para citar aquelas que ultimamente estão mais em voga - tinha de trazer problemas, mais tarde ou mais cedo. Esquizofrenia pura, é o que vos digo.
Se pensarmos nos possíveis traumas de Nossa Senhora, vemos que não é para menos - se eu fosse assim excluída da Santíssima Trindade também arranjava uma doença mental séria. Isso não se faz a uma gaja, agora que a aturem o Pai mais o Filho e o Espírito Santo. Mas ao menos que não a deixassem imiscuir-se em assuntos da bola.
A influência da Mãe de Cristo é tal que qualquer país com tradição futeboleira adora a Virgem em alguma das suas múltiplas vertentes. Quanto maior é fervor futebolístico, maior o número de Nossas Senhoras, salvo raras excepções. O Uruguai, por exemplo, primeiro campeão do Mundo, deve tudo à Nossa Senhora do Trinta e Três; aos brasileiros nem a Nossa Senhora da Aparecida mais as 356 versões nacionais da Virgem lhes valeu este ano!
Para hoje está marcado o duelo entre as versões Nossa Senhora do Loreto e Nossa Senhora de Lourdes. Enquanto os italianos se congratulam por deter em seu território a casa onde Nossa Senhora viveu, que voou misteriosamente de Nazaré até Loreto, os franceses trazem consigo a vantagem de ter a sua aparição da Virgem certificada pelo Vaticano! Mas este selo de garantia papal não significa uma vitória fácil dos gauleses. Veja-se como ontem Nossa Senhora de Fátima, também ela devidamente certificada e muitíssimo respeitada nas mais altas instâncias da igreja católica, perdeu com a sua quase desconhecida congénere alemã, a "Mãe, Rainha e Vitoriosa Três Vezes Admirável de Schoenstatt". Reparem bem: três vezes admirável. Repito: três. Não há coincidências, meus amigos, não há coincidências!

2.7.06

“Obrigada Nossa Senhora de Fátima” ou “O Anjo” ou “A Quarta Posta Seguida Sobre Futebol”

A Nossa Senhora de Fátima é uma gaja influente. Só alguém em muito boa conta lá em cima poderia ter sido responsável pelo desvio da trajectória do sol algures na Cova da Iria, ou por fazer três pastorinhos até então desconhecedores da existência da Rússia anunciar a sua conversão.
Na actualidade, a mais portuguesa das divindades continua a dar cartas, senão vejamos: após o feito heróico de impedir que a mancha do Prestige chegasse à nossa costa, Nossa Senhora atingiu ontem um novo ponto alto na sua carreira, ao conduzir Portugal à vitória sobre Inglaterra. Segundo declarações de Gilberto Madaíl, é ela a grande responsável pelas defesas de Ricardo. Há inclusivamente quem defenda que quando Ricardo fala é Nossa Senhora quem se ouve, o que certamente explica a sua voz angelical.
Rezemos pois todas juntas a Nossa Senhora de Fátima para que, por intermédio do seu anjo, continue a manter as bolas longe da nossa baliza!

16.6.06

Terceira posta seguida sobre futebol

É verdade, meninas, a reincidência na temática futebolística está a dar cabo da nossa credibilidade. Mas - co' a breca! - temos a desculpa do Mundial, e não pude resistir a fazer este post e a copiar a notícia que se segue.
Reparem como a comunicação social é tendenciosa! Apesar de tentar dar uma no cravo e outra na ferradura, parece-me inequívoco que o autor deste artigo toma instintivamente o partido do gajo... Nunca é fácil ser-se gaja, mas em altura de Mundial a coisa ainda se complica mais!

"Chinês tranca a mulher no quarto para poder ver o Mundial em paz

Em Inglaterra, na Holanda ou na China, as mulheres são um pouco iguais. Ditadoras com rasgos autoritários. Esta estória, chega do Oriente, por acaso. Um chinês estava na sala a ver o Argentina-Costa do Marfim, quando a mulher se levantou da cama, foi à sala e lhe desligou a televisão. Queixava-se que eram três horas da manhã - a diferença horária tem destas coisas - e que não conseguia dormir perante os gritos do marido a cada jogada de maior perigo.
E então desligou o aparelho. Sem sequer procurar perceber as razões do homem a quem prometera no altar respeitar nos bons e nos maus momentos. O adepto, de apelido Li, que vive na cidade de Putian, no sudeste chinês, respondeu na mesma moeda. Sem questionar as razões da mulher, pegou nela e trancou-a no quarto para poder ver o jogo em paz. No final fica a certeza de que no mínimo falta algum espaço para o diálogo nesta relação conjugal. " in Mais Futebol

15.6.06

Os deuses devem estar loucos

Pegando na deixa da gaja que tem sonhos eróticos com o Scolari (polamordedeus, com tanto gajo bom por aí podia ter arranjado uma coisita melhor, não?) queria aqui deixar a minha opinião sobre esta colecção do Público.
Pronto, não vou falar do lettering escolhido, que é o mesmo que eu usava nos meus trabalhos de História do 9º ano. Nem vou dizer mal do título que me faz lembrar uma comédia chinesa que passa na TVI aos domingos à tarde.
Eu sei que sou gaja. E não percebo nada de futebol. Mas não tinham outro futebolista português que não o Rui Costa para incluir nesta série? Sei lá, se era pra escolher só um, eu ia mais pro Futre ou pro Fernando Gomes, que até foi bota de ouro e tudo.
Ok. Se querem o Ruizinho tudo bem, mas pelo menos escolhiam uma foto mais catita (parece saído do Planet of the Apes). E não podiam escrever algo menos ambíguo que "As provas duraram 10 minutos e Rui acabou com duas bolas..."?

FriFri

14.6.06

Maldito Mundial!

Hoje tive outro sonho estúpido. Foi assim: estava eu a tentar descortinar um erro num ficheiro de computador para usar num programa (só isto já é um tradicional pesadelo de quem trabalha na área das gajas), quando aparece o meu orientador. Só que o meu orientador não era ele próprio, era nada mais nada menos do que o Scolari, que, atrás de mim, só dizia: "não pode falhar", "não pode falhar", "não pode falhar", "não pode falhar". A bem dizer, nos tempos que correm quer o Scolari quer o meu orientador fazem o mesmo pela minha tese (nada), pelo que a confusão poderá ser natural.
Mas o que eu queria salientar aqui é como se já não bastasse ter de aturar diariamente conversas sobre futebol, postas sobre futebol, reportagens sobre futebol, análises sobre futebol e, de vez em quando, jogos de futebol, hoje tive um sonho relacionado com futebol. Como o sonho foi mais do género pesadelo, dormi pouquíssimo e como resultado hoje estou ensonada, pouco produtiva e mal humorada. A culpa é do mundial. Estou mesmo farta!

9.6.06

Teenagers, paizinhos, camisas às bolinhas e muita música ró!

Na quarta-feira, as gajas baldaram-se ao trabalho, apanharam um comboio e foram até à capital. Às cinco e meia da tarde já estavam sentadinhas no chão à sombra do palco principal do Super Bock Super Rock, ansiosas por ver a estreia dos meninos Editors em terras portuguesas.
Assim que olhámos em volta, quase morremos de susto: "Ai qu'isto é só miudage!" Havia na primeira fila gente mais nova do que a minha mochila! Mas o que era um esgar de horror cedo se transformou num sorriso maravilhado. É que as meninas da primeira fila, como teenagers que eram, ainda estavam em fase de crescimento e eram em geral bastante baixotas. Estar num concerto e ser mais alta do que a média é uma agradável novidade para a gaja manca (sim, que a gaja mouca não tem problemas desses!), que ainda recorda com tristeza aquela noite de Julho em que ficou atrás de uns gigantescos ingleses que não a deixaram ver Thom Yorke e companheiros em todo o seu esplendor.
Por isso, obrigada Keane por serem quem são e encherem as plateias de gente de baixa estatura!
Sem cabeças pela frente, o concerto de Editors excedeu as expectativas. Foi sentido, intenso, íntimo apesar do local a isso não ser propício, musicalmente perfeito. Voltem, meninos, por favor! E venham conhecer o Porto, para a próxima! Acabado o concerto de Editors, ouviram-se uns sons familiares vindos do palco nacional... Sim, eram eles, os nossos já conhecidos Weatherman! E lá estava o nosso também conhecido paizinho a tirar fotos da plateia, a trautear as músicas e a aplaudir entusiasticamente! A seguir, os fabulosos dEUS! Eu, que já não via um concerto deles há oito anos oito e estava à espera que estivessem mais calmos, espantei-me perante o concerto electrizante que nos proporcionaram! É bom saber que há coisas que não mudam!
Após o concerto de dEUS, iniciou-se a longa espera por Franz Ferdinand. Houve demasiado tempo para cerveja e bifanas, por isso as gajas, em jeito de passatempo e sempre atentas às coisas da moda, começaram a contar as camisas sem costas às bolinhas que iam aparecendo. Acreditem, minhas amigas, a Zara deve andar a fazer promoções daquelas coisas. Vimos dezenas de exemplares do mesmo modelito, em variadas cores! Estavam por todo o lado. Se por acaso eu tivesse dormido alguma coisa nessa noite, teria certamente sonhado com blusas às bolinhas! Já que pegámos neste assunto, segundo os mandamentos da nossa rainha da moda FriFri, é foleiro levar para os concertos t-shirts da banda que vamos ver; mais foleiro ainda, digo eu, é pertencer a uma banda e levar uma peça de roupa com o nome da dita cuja. E tenho dito tudo o que tinha a dizer sobre os Cult, porque o resto fica imperceptível no meio de um grande bocejo.
Para os Keane nem sequer olhei; bastou-me a dor de cabeça que se ia instalando à medida que desfiavam o seu rol de sucessos.
E eis que começa o concerto de Legendary Tiger Man, um one-man-show que fiquei com vontade de rever! Pena foi que tivesse durado tão pouco!
E finalmente, os Franz Ferdinand. Não foram o melhor da noite porque os Editors açambarcaram desde logo essa posição, mas foi um grande concerto! Uma enorme presença e uma empatia reservada aos que realmente se divertem em palco... Os verdadeiros artistas!

30.5.06

Fly Pam Ann

Como gaja viajada que sou, passo muito tempo em aeroportos e dentro de aviões (às vezes até nas casas de banho, mas isso é outra história). E não entendo algumas regras que se impõem quando uma gaja está apressadíssima para conseguir embarcar a tempo. Ter que tirar TUDO que é de metal, para poder passar naquela maquinazinha... Ó senhores, isso não é nada prático. Uma gaja leva relógio, brincos, colar, fivela no sapato, cinto, anel, óculo de sol com aplique metálico e tal e tal. Claro que quem está atrás só se pode queixar com o tempo que demoramos a tirar tudo para depois descobrir que a máquina é hiper-sensível e apita mesmo sem razão.
Outra coisa que me irrita é o facto de não poder levar certos objectos comigo no avião. Tá mal, tá mal. Imaginem que uma gaja quer ir aos saldos a Paris, um fim-de-semana. Leva um saquinho pequeno, com tudo lá dentro. Incluindo tesourinha, lima, corta-unhas e pinça. Depois aparece-nos o senhor segurança a dizer que temos de depositar tudo no recipiente de acrílico (das primeiras vezes até pensei que depois fizessem um sorteio com aquela tralha toda). Pronto, ok, uma tesoura eu até compreendo... poderá ser utilizada para fins menos diplomáticos. Mas uma pinça??? Que pode alguém fazer com uma pinça? Depilar uma pessoa até à morte? Já imagino o senhor taliban a dizer "Ou mudam a rota do vôo ou faço a sobrancelha ao piloto!!"
Enfim, nada como ser rico e ter o seu jacto particular.

FriFri
*in barcelona

22.5.06

AS GAJAS VÃO!!

eurofestival


O Sócrates é que é um gajo com visão. Com tanto país desenvolvido para copiar, foi logo escolher a Finlândia. Ele deve ter um dedinho que adivinha. Porque este fim de semana ficou definitivamente provado que os finlandeses são os maiores! Já não restam dúvidas em relação a isso. Afinal a Finlândia levou ao Festival da Eurovisão uma "banda de hard-rock" e - que espanto - GANHOU! Para os felizardos que tinham coisas mais giras para fazer no sábado à noite e não viram, eu desenvolvo: a banda em questão chama-se Lordi, grunhiram uma "canção" chamada Hard Rock Hallelujah, usavam máscaras e lentes de contacto e roupa esquisita, um misto entre Rammstein e Slipknot. Tinham, tal como os clássicos Kiss, uma verdadeira obsessão por mostrar e abanar freneticamente a língua fora da boca.
Quem quase tinha uma série de ataques cardíacos em directo era o Eládio Clímaco. O senhor explodia de indignação de cada vez que uma apresentadora sorridente gritava excitadíssima "Finland, 12 points!". No final, soltando um suspiro, disse "A nova Europa já não gosta de baladas românticas". Foi o amargo desabafo de um comunicador da velha guarda que tem medo de ser substituído para um gajo vinte anos mais novo e fã dos Moonspell, que cá para mim, ainda vão ser indigitados directamente por José Sócrates para representar Portugal no Eurivison 2007.
Pessoalmente, não desgostei deste resultado. É que estavam em Atenas dezenas de palhaços vindos de toda a Europa, mas apenas os finlandeses tiveram a coragem de admitir frontalmente que o eram. E foram recompensados por isso!

19.5.06

Campo Pequeno em Grande

O Campo Pequeno reabriu. Reabriu com toda a pompa e circustância e em directo para a RTP. A apresentar a gala estava o Júlio Isidro (que surpreendentemente ainda não se reformou), o Jorge Gabriel, a Merche Romero e todas as outras talentosas meninas que costumam acompanha-la. Lá estavam todos os grandes profissionais da RTP, repetindo entusiasticamente, sempre que o vocabulário lhes faltava, esse slogan absolutamente inspirado e completamente imprevisível "Campo Pequeno em Grande!". O entretenimento das massas ficou a cargo do Filipe La Féria e seus muchachos, do Pedrito de Portugal e outros marialvas, fadistas, toureiros, cavaleiros e forcados, para gáudio dos aficionados. Entre os ilustres convidados estavam a falecida Lili Caneças e o abominável Alberto João (que veio à terra dos cubanos informar que o Campo Pequeno se ergue do chão graças a empresários madeirenses, essa é que é essa).

Lembrei-me de alguns dos nossos colegas blogueiros (já não sei se este, este ou este) e de uma expressão que costumavam utilizar: "Era metê-los a todos no Campo Pequeno".

Pronto amigos, afinal para o Campo Pequeno foram todos por seu próprio pé. E depois? Qual era o plano seguinte? Era metê-los no Campo Pequeno e...? Explodir com o edifício? Gasea-los a todos? Fazê-los comer canapés recessos ou cocktail de camarão estragado? Satisfaçam lá a minha mórbida curiosidade!

16.5.06

Pero que los hay, los hay!

A sociedade portuguesa está a precisar de um abanão.
Apesar da fama de sermos um país de brandos costumes, o que é certo é que os portugueses são, em geral, muito pouco tolerantes. Basicamente isso acontece porque gostam de passar despercebidos, e reprovam ou (na versão mais politicamente correcta) fazem piadas sobre quem se "armar" em diferente. E assim é em relação à comunidade gay.
Conheço muito boa gente que se diz de esquerda, tolerante e respeitosa em relação às opções dos outros, que quase que se benze à simples ideia de ver dois homens ou duas mulheres de mãos dadas ou, pior ainda, abrenúncio, a beijarem-se num espaço público! As gajas já falaram várias vezes sobre a excessiva necessidade que os homens portugueses têm de constantemente se afirmarem muito machos, e a recusa da homossexualidade (masculina, entenda-se, que a feminina até é muito bem vista pelos homens do nosso país) faz sem dúvida parte desse pacote.
E não adianta os exemplos das (poucas) figuras públicas que tiveram a coragem de se assumir para que os portugueses comecem a encarar a homossexualidade como algo perfeitamente normal e imerecível de uma conversa em tom cusco entre vizinhas ou em tom de de gozo entre amigos muito machos. Normalmente quem se assume são os artistas e toda a gente sabe que os artistas são gente, enfim, extravagante, em quem os portugueses não se revêem.
Por isso lembrei-me: Portugal precisa de ver um futebolista a sair do armário. Que melhor exemplo para o macho latino do que ver o protótipo do machão, um ídolo, a afirmar-se gay?
E não me tentem convencer de que não há futebolistas homossexuais, que eu não acredito. Mesmo que as gajas não o soubessem de fonte segura, a mera aplicação da lei das probabilidades torna este facto indiscutível. Segundo a Opus Gay, um em cada dez portugueses, ou seja, perto de um milhão, são homo ou bissexuais. Sendo assim, poderão existir pelo menos 2 homossexuais na equipa que Scolari convocou para o Mundial.
Meus amigos (e agora dirijo-me aos jogadores; eu sei que eles não devem ler o nosso blog, mas alguém por favor que lhes dê o recado), as gajas apelam: saiam do armário! Fariam ao país um favor bem maior do que a marcar golos na Alemanha!

8.5.06

A Lei do Cúmulo Suportável

Já disse aqui que odeio a Constança Cunha e Sá? Se disse não há problema nenhum porque dizer que não se gosta da Constança Cunha e Sá nunca é demais. E porque estou eu a falar desta megera? - perguntarão vocês. Porque ontem estava a almoçar num restaurante onde a televisão estava ligada na TVI e ouvi-a comentar o congresso do CDS/PP*. Só uma coisa pode ser pior que um congresso do CDS/PP, que é um congresso do CDS/PP comentado pela Constança Cunha e Sá.
Não devia ser permitido juntar assim duas coisas muito más. É como um filme do Steven Segal com banda sonora do Justin Timberlake. Ou um livro do Dan Brown com prefácio da Margarida Rebelo Pinto. Ou um tamagochi com design Fátima Lopes...
Eu proponho a legislação destes fenómenos. A criação de uma lei que proíba estas situações, de uma vez por todas. Podia chamar-se a Lei do Cúmulo Suportável. Para proteger a sanidade de uma gaja!

*Joãozinho, filho, eu sei que o papá lhe disse que não há limites para a ambição, mas controle-se jovem, controle-se!

3.5.06

as viúvas do mundial

"Queridas senhoras. Porque não escapar-se do Mundial deste Verão e viajar para um país onde os homens ocupam menos tempo com o futebol e mais tempo convosco?" Este é o lema principal de uma campanha publicitária que a Suíça irá lançar na televisão para seduzir as mulheres dos muitos homens que, durante o mês de Junho, vão estar colados ao televisor ou nos estádios a assistir ao Mundial da Alemanha. Intitulada "Viúvas do Mundial de Futebol", a campanha irá encorajar as visitas femininas àquele país europeu – que faz fronteira com a Alemanha – durante o "eterno" mês da principal prova desportiva de 2006. No "spot" televisivo, vários homens surgem em tronco nu, exercendo as suas profissões. E aqui incluem-se um lenhador, um alpinista, um "sexy" motorista de comboio ou um agricultor a mungir uma vaca. Aliás, o spot termina com o Mister Suíça a retirar o leite da vaca.

in "O Jogo Online"

Estes Suiços têm umas ideias muitas giras. Têm têm! Promover gajos! Essa ainda não nos tinha passado pela cabeça.

É claro que, quando vimos esta campanha, logo nos pusemos a imaginar a sua transposição para a realidade portuguesa. Ao contrário de suiços limpinhos e sem sal, apareceria o "sexy" taxista, o trolha exclamando "anda cá que num t'aleijo", ou ainda talhantes, merceeiros, padeiros, um desfile de palitos no canto da boca, bigodes farfalhudos, barrigas, garras higiénicas, tatuagens "amor de mãe" e fios de ouro com medalhinhas da Nossa Senhora de Fátima. Não se ofendam gajos, que sabemos que os homens portugueses não são todos assim. Mas imaginamos a publicidade como uma espécie de convite ao engate folclórico, uma homenagem sentida a um produto que, pelo menos lá para os lados do Algarve, vende mais que o tremoço - o macho latino!

Mas depois lembramo-nos de um pequeno problema, uma fundamental diferença entre portugueses e helvéticos. Seria impossível fazer uma versão portuguesa da campanha "Viúvas do Mundial". Os suiços, pelos vistos, não ligam à bola (ou estão a contar com uma curta participação da sua selecção nacional), o que os deixa disponíveis para consolar as pobres esposas ofendidas. Em Portugal, pelo contrário, vai ser complicado encontrar um gajo, um único que seja, disposto a trocar a televisão e as mines por uma alemã carente.

Aqui, coitadinhas, duvido que se safassem!

2.5.06

Por uma juventude sem mácula!

Para estas gajas será talvez um pouco tarde, mas aqui fica este apelo. Talvez sensibilize alguma alma virgem que passe por aqui...
Obrigada amiga vpfcd por partilhar esta jóia!
(as coisas que se encontram na internet, co'a breca!)

24.4.06

Pequeno pensamento sobre a (im)previsibilidade

Aqui há uns tempos, ao meditar sobre a vida de casais que conheço, cheguei a uma conclusão interessante e apeteceu-me hoje partilhá-la com vocês.
Qual é a característica feminina que é que irrita mais o elemento masculino de um casal? Enfim, pode haver inúmeras respostas, mas julgo que a mais consensual será a imprevisibilidade da gaja. O meu pai, por exemplo, queixa-se frequentemente "Não sei o que deu hoje à tua mãe!".
E o que é que irrita mais uma gaja? Precisamente a previsibilidade do parceiro... Coisas do género "Irra! O teu pai deixa sempre as meias sujas no meio do quarto!".
E de repente apercebi-me. Conheço muito poucos gajos imprevisíveis. Será de mim ou será deles?

17.4.06

Les ponhonheaux

Antigamente o regresso do emigrante era um fenómeno sazonal, que acontecia num período de tempo muito definido - o mês de Agosto. Logo no início do mês enchiam as praias, as romarias e as estradas, mas em Setembro já estavam de volta ao trabalho.
Nos dias que correm tudo mudou! Aparentemente indiferentes à crise e ao aumento do preço dos combustíveis, este ano fizeram-se à autorute bastante mais cedo e rumaram até ao seu querido Portugal, os mais velhos porque já estão na retrete, outros para uns dias de vacances da Páscoa.
É agreable saber que a vida corre bem aos nossos emigras, que podem viajar mais vezes, profitar a vida e tudo e tudo e tudo. O único senão é que eles continuam a ser os maiores ponhonheaux da estrada alguma vez vistos! Não sei como se conduz lá para os lados de Champigny, mas aqui comportam-se como se tivessem tirado a carta de condução em Marrocos (país onde circular nas rotundas no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio é facultativo).
Por isso deixo aqui um apelo, tal como já fez o Graciano Saga! Emigrante, faz cuidado! Não deites a tua vida (nem a minha, que ia tão sossegadinha na minha faixa) na pubela! E se em Agosto viesses de avião? A Ryanair já voa para Paris!
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Pequeno dicionário françoguês-português
autorute - autoestrada
retrete - reforma
vacances - férias
agreable - agradável
profitar - aproveitar
ponhonheaux - adaptação livre da autora da palavra ponhónhó (everything in its right place™)
Champigny - o m.q. arredores, arrebaldes de Paris
faz cuidado - tem cuidado
pubela - caixote do lixo

14.4.06

de como escrever um auto pode demorar uma tarde

Foi a escrita da posta anterior que me fez recordar o episódio do senhor agente da PSP que demorou uma tarde para escrever um auto. Tudo porque tinha todos os dedos de ambas as mãos paralizados de medo do bicho informático, excepto o indicador da mão direita, que utilizava com a rapidez alucinante com que uma preguiça sobe a uma árvore.
Fui à esquadra acompanhar uma amiga, por causa de uma mala extraviada. Foi preciso dizer o nome da visada, o local do extravio e ainda fazer uma descrição exaustiva do conteúdo da mala. Se para qualquer mortal elaborar um rol das coisas que uma gaja guarda na mala pode ser demorado, imagine-se para um agente da PSP que escreve só com um dedo. Mordisquei as unhas, contei as moscas na sala, andei dezenas de vezes de um lado para o outro do balcão, num derradeiro teste à minha humana paciência!
Quando o senhor agente da PSP se preparava para imprimir o auto, algo acontece! O computador, caprichoso, bloqueia. O agente, aflito, pergunta:
- Alguma das senhoras percebe de computadores?
- Porquê, Senhor Agente? Algum problema?
- Bloqueou...
- Experimente fazer crtl + alt + del...
- Mas assim não perco tudo?
- Perde tudo? Não salvou o auto?
- Salvar...??
Foi aí que da minha mente em fúria começou a nascer um filme. Imaginei a cena em câmara lenta... Eu, com um salto acrobático tipo Matrix, a voar para o outro lado do balcão, a retirar de um golpe o revólver do coldre do polícia, a apontar-lhe a arma com as duas mãos estendidas. Eu a berrar-lhe, malvada "Vá, quero as duas mãos no teclado! Já!! Está a usar os dedos todos! E livra-te de escrever menos de cinco palavras por minuto, senão rebento-te os miolos!!".
...Quando acordei para a triste realidade, estava a minha amiga, resignada, a repetir o seu nome, a morada, o número do bilhete de identidade, tudo outra vez. Acabado o meu filme, fui obrigada a ir para o pátio apanhar ar, não fosse incorrer no crime de desrespeito à autoridade!

13.4.06

Diário de uma gaja asmática II

Odeio a Primavera. Porcaria de estação. Uma gaja quer trabalhar e está a Serra cheia de tojos e urzes floridos. Eu sei que é de gaja ser romântica, gostar de flores e destes cenários música-no-coração. Eu até acharia piada - que o meu coração não é de pedra - não fosse o maldito do pólen. Já espirrei mais hoje do que nos restantes dias do ano todos juntos. É que eu sou uma gaja ocupada. Tenho coisas para fazer. Não me dá jeito nenhum ter agora as histaminas feitas histéricas, todas aos pulos!

E depois, se fossem só os olhos inchados e os espirros, uma pessoa ainda tolerava tudo isso da Primavera, florzinhas e tal. O pior é a asma. Depois disto costuma chegar um ataque. Começo já a pressenti-lo, a chegar nos biquinhos dos pés. Mas ele que venha. Estou a escrever esta posta só com o dedo indicador da mão direita, qual agente da PSP, porque na esquerda seguro estoicamente a bomba, armada para o contra-ataque! Ele que venha!

E já que da outra vez achei piada ao conceito do ataque de asma com banda sonora integrada, também já tenho preparada a música para o próximo episódio de dispneia - vai ser o "Birds Make Good Neighbours". Até vos digo mais, Mr. e Mrs. Rosebuds - os passarinhos até tá muito bem; agora flores...

10.4.06

Ministro da Economia estagia na Finlândia

A obsessão de José Sócrates pelo modelo finlandês levou-o a sugerir um estágio de seis meses em Helsínquia a Manuel Pinho, Ministro da Economia.
Segundo a agência Lusa, a decisão terá sido tomada durante um conselho de ministros onde alguns membros do executivo (acometidos por súbitas crises de lucidez) tentaram explicar a Sócrates as diferenças entre aquele país nórdico e Portugal. Admitindo que os diversos planos do governo não estariam a produzir os efeitos desejados e que seria necessário tomar algumas medidas adicionais, o Primeiro Ministro decidiu enviar um dos seus ministros estagiar na Finlândia. O critério que levou à selecção de Manuel Pinho foi o simples facto de ser o ministro com mais tempo livre, uma vez que Portugal já praticamente não dispõe de Economia.
A ida do Ministro pode, no entanto, estar comprometida por motivos orçamentais. O responsável pela pasta da Economia argumentou que o seu salário não dá para pagar nem umas águas furtadas sem aquecimento em Helsínquia. José Sócrates deu-lhe razão e ambos estão já a tratar de uma candidatura a uma bolsa do PRODEP, que juntamente com algum dinheiro que as tias de Manuel Pinho lhe costumam oferecer pela Páscoa, deverão custear a viagem.

5.4.06

Querida Manca

Parabéns a você! Esperamos que conte muitos anos mas que pareça para sempre contar poucos, como convém a uma verdadeira gaja!

E não se esqueça! Todos aguardamos ansiosamente o desfecho da novela "a gaja e o benfiquista". Conte-nos tudo!

beijos

4.4.06

ai se ele cai

Partiu hoje rumo a Angola um avião da TAP transportando José Sócrates e uma comitiva de cerca de 70 empresários que representam um terço do PIB português. Não sendo eu uma fã dos Xutos e Pontapés creio que, subconscientemente, foi esta a razão que me fez passar o dia inteiro a trautear alegremente "Ai se ele cai, vai-se partir..."!

Parvoíce em torno de sinónimos

"Por toda a cidade (de Barcelona) já se vê a côr vermelha - encarnada, neste caso - do Benfica..."

Proferido por um inteligentíssimo jornalista da SIC no noticiário de hoje

3.4.06

Por falar em Adriana Calcanhot(t)o


Que acontecimentos na vida de uma artista...

(1994)

...levarão a que se lhe cresca um T no meio do nome?

(2002)

1.4.06

A última ceia

Ao fim de quase ano e meio de blog, mais de 130 postas e quase 8000 visitas, é com o coração desfeito em lágrimas (ou não) que anunciamos o fecho das portas e que vos deixamos, amigos, conhecidos, visitantes, comentadores anónimos, um último adeus.
Foi uma decisão difícil mas necessária. As gajas M&M (Manca e Mouca) sentem-se demasiado solitárias nesta cruzada, com o desaparecimento súbito do Mana Tesoura e com as fugazes aparições da FriFri (quase sempre para dizer disparates). Do menino Kalé não temos notícias há semanas... Perdeu-se assim o entusiasmo inicial e este blog tornou-se um fardo demasiado pesado para as nossas costas (principalmente para as da manca, que tem escoliose).
Agora que tudo acabou, não faz sentido carregarmos mais os terríveis segredos que esta casa esconde. Por exemplo, para além do menino Kalé ser gajo, facto que nunca escondemos, a Mana Tesoura e a FriFri também o são. Sim, esta é TODA A VERDADE. Nós somos as únicas representantes da classe gaja neste blog. Também por isso este espaço está em perigo. Sem o invisível mas sempre presente toque de masculinidade que traziam nossos desaparecidos companheiros, estão abertas as portas para os poemas, para as canções da Adriana Calcanhotto, para as fotografias dos gatos (que são muitos). Antes o fim que isso. Somos só duas gajas, não aguentamos esta pressão.
Pedimos perdão. A vós nossos amigos e camaradas, por termos revelado a vossa identidade, qual batman a quem se tira a máscara (ou os collants) e a vós leitores, por vos termos mentido e desapontado.

A gaja mouca e a gaja manca abraçam-se em lágrimas e afastam-se lentamente. Foi bom enquanto durou.

31.3.06

maneiras imaginativas de controlar o défice


Abre já no próximo mês, no Parque das Nações (naquele que antigamente era o Pavilhão do Futuro), o novo casino de Lisboa. E o Senhor Mega Ferreira veio já avisar que está a pensar numa grande área comercial e um hotel ali para o Centro Cultural de Belém. Óptimas ideias, o que é preciso para vencer esta crise é espírito empreendedor.
Aliás, julgo que se deveria retomar a santanesca ideia de transformar também o Parque Mayer num casino. Sejamos sinceros: todos os portugueses de bom gosto preferirão com certeza uma centena de slot-machines, umas mesas de black jack e duas ou três roletas a uma revista do La Féria!
Eu iria mais longe. Proponho mesmo que se transforme Lisboa na Las Vegas da Europa. Mais uns casinos, uns hoteis temáticos aqui e ali, umas capelinhas de casamentos instanstâneos na zona das Docas. Depois era só espalhar uns néons Welcome to Lisbon nas entradas da cidade e à porta do aeroporto. Poderiam ser cor-de-rosa, ficaria bonito.
Para além da cedência de espaços públicos ao desbarato, estou ainda a imaginar uma outra enorme vantagem desta nova Lisboa. Ajudaria até a controlar o défice. O estado poderia fazer um protocolo com os proprietários e todos os supranumerários da função pública seriam convertidos em funcionários de casino. Punha-se essa gente toda a trabalhar, a trocar dinheiro por fichas, a vender tabaco ou chocolates em tabuleirinhos, todos com fatiotas de lantejoulas e pequenos chapéus ridículos. Toda a moça com uma boa perna poderia até chegar a corista, se assim o desejasse. Os homens bem apessoados e capazes de dizer Faites vous jeux e Rien ne va plus seriam automaticamente promovidos a croupier! Isto sim, seria a verdadeira reforma da administração pública!

30.3.06

Ou eu ou o benfica

Ele era um benfiquista ferrenho. Ela era uma gaja normal, cujo único crime era fazer anos no dia 5 de Abril. Quis o destino (ou a UEFA) que essa data coincidisse com a deslocação de um certo clube de equipamento encarnado ao campo de uma certa equipa catalã. Ela diz "Vamos jantar fora no meu aniversário?". Ele engole em seco, olha para ela com ar de pânico, e gagueja "Mas então e o Benfica?". Ela responde, com um olhar trágico "Então e eu?". O que irá acontecer? Não perca a continuação desta saga, aqui, neste blog.

28.3.06

(e recordar é viver)

27.3.06

Berlusconi, il grande pagliaccio

«Acusam-me muitas vezes de dizer que os comunistas comem os seus bebés. Mas leiam o livro negro do comunismo e lerão lá que na China de Mao eles não comiam bebés mas ferviam-nos para fertilizar os seus campos», disse Berlusconi numa acção de campanha em Nápoles.
Até me vieram as lágrimas aos olhos! Farto-me de rir com este gajo, tem mesmo piadinha! Até me faz lembrar o nosso AJJ! Tenho pena é que todo o seu talento, toda esta invulgar veia humorística estejam tão mal aproveitadas no mundo da política. Mas o circo já não é o que era - já não se reconhece um bom palhaço!

21.3.06

aos gatunos conscienciosos

Em nome de toda a minha família venho aqui agradecer publicamente aos senhores que tão habilidosamente furtaram o veículo do meu irmão da porta de nossa residência. Não só tiveram a decência de abandonar a dita viatura depois de pouco mais de uma semana de utilização, como tiveram a amabilidade de a deixar a escassos 70 kms de casa. Assim sim! Dá gosto ver que ainda há gente profissional. E eu que achava que já não se fazia gatunagem como antigamente!!
Larápio amigo, se me está a ouvir, deixo-lhe apenas mais um repto: importar-se-ia de devolver também o capot, a porta traseira, o pára-choques, os faróis, os piscas, o auto-rádio, as colunas e o escape? O macaco, o pnéu supelente e o triângulo nós arranjaros por cá, não se apoquente com esses pormenores! Se não for pedir muito, é claro! Sabe onde moramos, certo?

15.3.06

Ele é que era o presidente da junta

Esta semana uma notícia despertou a atenção das gajas. Mais um escândalo autárquico, a bem dizer, mas com contornos bastante particulares. Aqui está um excerto:

"Chamadas eróticas pagas com terrenos

A Portugal Telecom (PT) leva, hoje, à praça, no Tribunal da Guarda, três terrenos penhorados à Junta de Freguesia do Rochoso para cobrar parte de uma dívida superior a 50 mil euros, mais juros de mora contabilizados desde 1998. Uma conta de telefone avultada que resultou das chamadas eróticas efectuadas por um anterior presidente da Junta, que se demitiu pouco depois de rebentar o escândalo. (...) Nesse ano, José Pires Sanches, eleito nas autárquicas de 1997, numa lista independente, foi obrigado a demitir-se de funções ao ser confrontado com uma volumosa conta de telefone, telefonemas realizados em apenas dois meses e meio. O caso foi parar a tribunal, mas o Ministério Público arquivou a queixa-crime contra o autarca.(...)"

in JN, 14.03.2006

As gajas ficaram pasmadas com o volume da dívida e decidiram explorar o assunto. Quisemos tentar perceber afinal quanto tempo por dia é que o senhor José Sanches passaria ao telefone em vez de trabalhar. Sendo assim, assumimos que dois meses e meio correspondem a 55 dias úteis (e que o senhor não ia "trabalhar" ao fim de semana) e que o preço por minuto das chamadas para linhas eróticas é de dois euros. Para falar a verdade, não passámos muito tempo a investigar o preço; poderá ser mais, perguntamos nós? Parecer-nos-ia uma exorbitância, mas neste mundo tudo é possível (e a prova está à vista)!
Chegámos então à surpreendente conclusão de que o senhor José Sanches poderá ter passado em média 7 horas e meia por dia a ligar para linhas eróticas... Repetimos, 7 horas e meia!
Se o seu horário fosse de oito horas, como é normal (e não temos razões para acreditar que este autarca fosse um apaixonado pelo trabalho), isto deixava-lhe meia hora por dia para tratar dos problemas da freguesia que o elegeu.
Ficamos ainda intrigadas com o facto da queixa-crime ter sido arquivada. Os senhores do Ministério Público devem ter considerado que a falta do que fazer por terras do Rochoso, onde só há dois cafés e uma mercearia, são fortes atenuantes - um homem tem de se entreter com qualquer coisa...

14.3.06

circular interna

Caras associadas

É com muito pesar que a provedoria deste blog tem notado que andais a produzir muito pouco e que, quando o fazeis, é invariavelmente sem qualquer vislumbre da arte que antes dominaveis na perfeição – o corte. Apenas a título de exemplo, a Mana Tesoura, que actualmente se dedica quase única e exclusivamente à crítica cinematográfica, utiliza expressões como “Reese Witherspoon (…) revela-se uma actriz fenomenal” ou “menina loira da voz sedutora (Scarlet Johanson) está fabulosa”. Mas o que é isto? Não é este tipo de adjectivos que costumava, nos tempos áureos, ser lido por aqui, ora não? Se as coisas continuarem desta maneira, o melhor é mudardes de blog. Usai aquele template azul celeste para combinar com essas postinhas quase angelicais que escreveis. E já agora mudai também o nome para “raparigas de boas famílias na amena cavaqueira e sem maldade”. Achais bem?

Estais constantemente a perder boas oportunidades de escrever belas postas. Que tenhais deixado passar a visita do Senhor Bill Gates a Portugal absolutamente em branco perdoa-se, embora não se compreenda. Mas que não tenha havido um mísero comentário à sumptuosa presença da Dolly Parton na cerimónia dos Óscares isso é, de todo, inaceitável. E que tendes a dizer em relação à afirmação de Ribeiro e Castro, dizendo não ser nenhum chefe de banda? Não digais que não estava a mesmo a pedi-las! Piada tinha era cortar no Paulinho, com certeza. Mas não subestimeis o potencial dos restantes membros do PP! Aliás, não subestimeis todo um país onde todos os dias acontecem coisas que são para vós, amantes do corte, diamantes em bruto. Lapidai gajas. Lapidai!

Agora ide. Ide para vossas casas e voltai só quando tiverdes recuperado o brio e o veneno!

Ass.
A provedoria do gajas no corte

8.3.06

O enxoval

Só a palavra naperon, só por si, é um galicismo do mais piroso. Mas o pior problema do naperon é que ele nunca vem só. Traz consigo paninhos de tabuleiro, lençóis, toalhas e panos, tudo com muita renda, bordados, folhos e flores de cetim. Sim, estou a falar do ENXOVAL!

Eu diria que o enxoval é o terror de qualquer gaja. Durante anos ele representou a mais vil descriminação contra as mulheres – todos os Natais e aniversários, enquanto os meninos recebiam brinquedos, milhares e milhares de meninas do nosso Portugal foram presenteadas, por familiares de gosto duvidoso, com artigos para o enxoval. Não se faz!

Depois de cada Natal lá acabava tudo numa arca bafienta ou no fundo de uma armário da casa materna, junto com uma dúzia de bolas de naftalina. E depois por lá ficava abandonado e todas desejávamos fervorosamente não ter de desenterra-lo nunca. Um dia uma gaja decide mudar-se e finge esquecer-se de todos artigos têxteis-lar que acumulou durante uma vida. Umas vezes passa. Outras vezes não.

Acontece que o abandono do enxoval pode acarretar sérios problemas. Em primeiro lugar a família costuma ficar deveras sentida com a não utilização do material fornecido. Em segundo lugar há aquela altura da vida da gaja em que ela se apercebe da real utilidade da treta do enxoval e a necessidade é tal que qualquer uma pondera a utilização de umas toalhitas bordadas ou de uns panos de cozinha com o Galo de Barcelos.
No meu caso pessoal, o que me livrou de conflitos familiares de maior foi ter arranjado uma casa minimal. A escassez de mobiliário é tal que a torna muito pouco naperonável.

Deixo-vos, no entanto, algumas sugestões. Em primeiro lugar não custa nada tentar, desde cedo, sensibilizar a família para que, de facto, a existência de rendas e folhos é totalmente desnecessária. Pode também tentar a troca directa de artigos barrocos pelo modelo básico – algumas mães e tias estão disponíveis a negociações desse género. Em último caso, uma gaja com sentido prático pode sempre reciclar, descoser rendas e bordados, cortar lençóis, etc… Olhe, use a imaginação!

6.3.06

Crash

Como gajas que adoram o corte que somos deveriamos aproveitar esta altura do ano única para comentar os vestidos que desfilaram pela carpete vermelha. Mas não, a Mana Tesoura sente-se compelida a comentar antes as estatuetas. (Claro que o momento em que a mãe do filho do Ben Afleck quase caía foi lindo, mas esse dava uma posta só por si...)
Notas Positivas: Reese Witherspoon, Philip Seymour Hoffman e Ang Lee!
Notas Muito Negativas: A grande surpresa da noite para mim foi sem dúvida a vitória de "Crash" (Colisão). Como é que um filme destes é distinguido com o Oscar de melhor filme, quando havia na concorrência filmes como Brokeback Mountain e Capote? Primeiro, o filme é engraçado, OK admito isso. Mas por outro lado não é nada mais do que engraçado. Não é de todo original (O título é roubado do soberbo Crash do David Cronenberg e a ideia é em muito plagiada do fantástico Short Cuts do Robert Altman). O filme está rodeado de um suposto peso de comentário político, mas que raio de comentário? Quantos filmes já foram feitos sobre o assunto? Enfim, não me conformo com o facto de a mediocridade ser galardoada e apreciada. É triste dizer isto, mas lembra-me Portugal...
A mana tesoura

2.3.06

Relatório Trimestral do DEOCN

Este resumo não está disponível. Clique aqui para ver a mensagem.

1.3.06

O Carnaval à portuguesa

Ontem, pela primeira vez em muitos anos, decidi festejar o carnaval. Não, amigas gajas, não se assustem! Não desfilei num carro alegórico nem sambei de maminhas ao léu com a pele arrepiada com o frio do Fevereiro português! Não gosto de Carnavais importados! Quem chama aos carnavais que tentam imitar o do Rio "os mais portugueses de Portugal" está, em minha opinião, muito enganado!
Ontem fui a Podence, aldeia do concelho de Macedo de Cavaleiros, e delirei com os caretos. Para quem não sabe, os caretos são uma espécie de diabretes que têm as suas origens em rituais pagãos de fertilidade e que se festejam um pouco por todo o lado em Trás-os-Montes, embora estejam em perigo de extinção. É como um ritual de passagem dos rapazes à idade adulta. Fazem tropelias, entram em todas as casas da aldeia, dizem as verdades que lhes vêm à cabeça e perseguem as raparigas, a quem tentam acertar com os chocalhos que têm à cintura. Ainda tenho as nódoas negras nas costas dos quatro chocalheiros que me elegeram como alvo. Só me senti um pouco desconfortável com o careto franzino e com cerca de metro e meio que me abordou - poderia ser um rapazito de 13 anos? Não achei bem e neste caso em particular dei por mim a pensar que se calhar o carnaval com "tudo à mostra" às vezes tem as suas vantagens...

27.2.06

A ceguinha

Nota: Esta é uma posta politicamente incorrecta. Não aconselhamos a sua leitura a pessoas sensíveis. Não temos livro de reclamações e disso podem queixar-se à DECO.

Uma das personagens do Porto por quem nutro especial antipatia é a ceguinha do túnel de S. Bento. O problema não é tanto a sua mão sempre estendida, a cantilena "dê uma esmola à ceguinha". O que me irrita nela é que, quando passa alguém que não resiste ao lamento e lhe larga uma moeda, a senhora invisual diz "deus lhe conserve os olhinhos". Deus lhe conserve os olhinhos? Mas o que ela quererá dizer com aquilo? Que aos restantes transeuntes sem moedas ou sem pachorra nada lhes dá o direito de conservar os olhinhos? É alguma praga que lhes roga? Este é um assunto particularmente sensível para mim, uma vez que um ouvidinho já lá foi à sua vida, deixando-me mouca como um tamanco. Desde então prezo muito os meus olhinhos isentos de dioptrias.

Há ainda outra coisa que me intriga na ceguinha: se numa semana se passa por ela e se lhe vêem as brancas própria da idade, já na semana a seguir as não tem, no seu cabelo apanhado, sempre perfeitamente pintado e penteado. Uma gaja repara nestas coisas, está-nos no sangue .
Eu suspeito que a ceguinha do túnel vai ao cabeleireiro mais vezes do que eu. É verdade que também não é difícil, que eu só vou cortar umas pontas lá à minha prima Teresa duas vezes por ano, alturas em que me ponho a par da vida da realeza europeia nos últimos meses, no meio de uma imensidão de Hollas atrasadas. É certo que a ceguinha tem direito a andar penteadinha. Eu até acho bem. Eu também tenho o direito de não contribuir com as minhas moedinhas. Nem sequer a troco de um "deus lhe conserve os olhinhos".

Agora que já me sinto a mais vil das gajas por denegrir a imagem de uma pedinte, não bato mais na ceguinha.

26.2.06

Americanices de lágrima ao canto do olho...

Olá olá gajas,

A mana tesoura finalmente chegou aos EUA. Passaram já 18 horas desde que saí aí do burgo e a viagem ainda não terminou. Estou ainda em Denver, CO, à espera do meu avião final. Estou a beber a minha primeira “diet soda”, a escrever esta posta e a olhar para a neve nos picos das montanhas.
Durante a viagem Frankfurt/Denver, vi dois filmes. Duas verdadeiras americanadas. O primeiro foi “in her shoes” com a Shirley Maclane e a Cameron Diaz. O segundo foi o “Elizabethtown” com o giraço do Orlando Bloom e a hiper gira Kristin Dunst. Como disse são duas americanadas de primeira, dois melodramas a puxar ao cómico, ou duas comédias a puxar à lágrima. A mana tesoura no entanto como é uma desgraçada duma sentimental chorou o coração fora (do inglês “cry one’s heart out”). Não sei o que se passa comigo. Se calhar era só o cansaço, se calhar sou mesmo é uma piegas, mas não percebo como é que com um filme que amei como o “Brokeback mountain” não verti uma simples lágrima e com estas merdices foi o que foi. Não que a história dos cowboys não tenha mexido comigo. Mexeu, ainda estou a pensar nele, mas se calhar só mesmo com filmes maus é que isto em acontece.
Mas isto não interessa nada. Queria apenas dizer-vos que voltei, que estou praticamente em casa e que assim que tenha acesso à Internet irei ver o que se passa nas gajas no corte e nos blogs dos nossos amigos.
Uma beijoca grande, entre a neve do colorado e os magníficos saguaros do deserto que me espera!

A mana tesoura

P.s.: No meio da excitação e das lágrimas esqueci-me de fazer um comentário. É que realmente este país tem do melhor e do pior. Este aeroporto, que é enorme, tem apenas uma sala de fumo. Sala de fumo essa que mais não é que um bar. O problema é que só te deixam lá fumar se comprares uma bebida. Agora mesmo um homem veio tentar fumar um cigarrinho e por acaso nem queria beber. Pois a empregada disse que ele tinha de apagar o cigarro e sair. Ele ia tirar mais umas passas e a p*t* da gaja nem isso o deixou fazer. Realmente assim não é nada difícil ser uma super potência e ter uma economia que continua a crescer mesmo no meio de uma grande crise internacional. Enfim, americanices…
(Posta escrita no ido dia 23 Fevereiro de 2006)

24.2.06

Posta escrita num momento de fúria!

Uma gaja concorre para um trabalho X na Entidade Y.
A Entidade Y manda um mail a dizer que a lista dos candidatos admitidos para o trabalho X está na sua página da internet.
A gaja vai lá ver.
A gaja procura o seu nome na ordem alfabética.
A gaja encontra o nome.
"Admitida" grita a gaja! E pula de contente!
A gaja repara que à frente do seu nome está escrito "Admitido B".
A gaja suspeita.
A gaja procura o singnificado de se ser "Admitido B".
A gaja encontra o significado, em itálico, as letras pequenas: As listas de Candidatos Admitidos encontram-se agrupadas em “Admitido A” e “Admitido B”. Os candidatos admitidos do Grupo A e apenas estes (uma vez que são mais do que o número de vagas) serão submetidos a avaliação curricular a que se seguirá uma entrevista...

Porra, entidade Y, que merda de eufemismo é este? Porque não me puseram directamente na lista dos excluídos? Deixam primeiro uma pessoa pular toda contente e depois vem com um "ah e tal e o camandro, afinal não"? É que eu assim vou fazer a minha vida para outro lado!

21.2.06

Viver no limite

Há pessoas ousadas. Pessoas que gostam de um desafio e que nunca negam à partida ciências que desconhecem. Pessoas rebeldes. Pessoas que vivem no limite. Pessoas que vão de S. Bento a Campanhã de comboio sem pagar ou que saem do autocarro pela porta da frente. Hoje eu também fui assim. Sabendo que me iam cortar a água às 9 da manhã, fui tomar banho às 8:58. Radical, hein?

Looking for Alexander

Era uma vez um gato preto, chamado Miau. Na verdade, o seu nome completo era Dom Miau, o que fazia dele para amigos e conhecidos Dom apenas. Dom era uma gato muito manhoso e pouco vaidoso, assaz assenhorado do seu nariz. Era ainda um felino muito caseiro, mas não era rara a vez em que era avistado a arquear o dorso ao Sol no alto de um muro, ou aprimorado nos seus afazeres de gato dengoso rua acima, rua abaixo. Dom gostava de namorar as ondas do mar, mas como era muito desleixado nas suas idas à praia, tempos havia em que as ondas ficavam agitadas e encrespadas de ciúme quando o seu namoro se fazia de Lua Nova.

Ora, foi num desses dias incertos de Inverno que Dom achou por bem ir ao Fantasporto. Calçou as pantufas (que os gatos, ao contrário da gente, só calçam pantufas para sair à rua), vestiu o impermeável escuro e lá foi até ao Teatro Rivoli para ver o seu filme. Dom, a quem não faltavam caprichos de menino mimado, tomou lugar num dos parapeitos das aberturas laterais do teatro e estava languidamente a lamber a pata esquerda quando as luzes da sala se apagaram. As suas pupilas cresceram até ofuscar o azul celeste dos seus olhos: a sessão ia começar.

Dom ficou maravilhado com as lindas imagens em sucessão no ecrã e com as sonoridades que vibravam dos altifalantes, mas como gato que era, pouco entendia da linguagem de gente. Tudo lhe pareceu mais estranho ainda quando reparou no burburinho que tomou conta da sala e viu as pessoas lá em baixo a começarem a sair, muito zangadas. Intrigado, Dom acercou-se do seu amigo gato Dorminsky, que encontrou atrás da tela, bojudo como sempre e de charuto na boca.

− Por que estão as pessoas todas a sair tão zangadas? – inquiriu Dom ao seu felino compadre.

− Porque isto é um filme canadiano falado em francês e ninguém se lembrou de o legendar! – ronronou o gato Dorminsky, incontido de gozo.

Desarmado perante tamanha tolice, Dom virou costas ao Fantasporto e foi passar o resto do serão na companhia das ondas do mar.

− KL

A santa vida da Mana Tesoura


Imagino eu que quem tem seguido este site com alguma atenção (sim, não é preciso assim tanta) já se apercebeu que a mana tesoura é… como descrever?!?! uma maluca. Pois, nem mais nem menos, ou talvez não… penso que é chegada a altura de revelar um pouco mais de mim.
Sou rapariga para ter sido criada num meio bastante católico, sempre fui também rapariga para gostar muito de livros e de arte, assim desde pequenina… Dentro do género, o que mais havia lá por casa eram imagens de santos e uma pequena biografia da Joana d’Arc. 2+2 coisa e tal, a rapariga torna-se numa adolescente fascinada pela Joana d’Arc que via como exemplo daquilo que uma gaja a sério deveria ser. A esta juntaram-se a imagem de outros santos transviados como a Santa Teresa de Ávila e o São Sebastião (e bem mais recentemente como já perceberam a Santa Wilgefortis). Não esquecer ainda o menino Jesus da Cartolinha ao qual, dizem as beatas lá da terra dos meus pais, lhe mudam a roupa todos os dias (eu vaidosa como tudo queria também ter um séquito de beatas que me mudasse a roupa todos os dias). Resultado: Que é que recebo ontem de prenda de aniversário das gajas? Sim, A vida extraordinária dos santos! Estiveram muito bem… mesmo muito bem. Fui para casa devorar o livro… mas os meus piores receios concretizaram-se. É que a minha imagem dos santos tem bem mais a ver com a Joana d’Arc do Dreyer ou com o Sebastienne do Derek Jarman, que com pias ladainhas proto-católicas.
Isto tudo para revelar um sonho: quero fazer O livro da vida dos santos… sempre adorei biografias, sempre adorei cuscar a vida alheia… agora que se banalizaram as pop e movie stars haverá terreno mais fértil para uma gaja como eu? A mim parece-me que seria um projecto fabuloso… ou então, dêem lá um desconto… pode ser só a mana que está com saudades do seu Tom e precisa é de sexo… Quem sabe, quem sabe?

Beijocas,

A mana tesoura

Parabéns à Mana

A nossa estouvada, depravada, sofisticada Mana Tesoura completa hoje mais uma sumptuosa Primavera.
Mesmo quando se arma em nojentinha, mesmo quando resolve dar uma pitada hard-core aqui ao blog, mesmo quando nos arrasta até locais onde a música é horrível, nós gostamos muito de si e sentiremos a sua falta agora que vai voltar para o seu exílio no deserto! Parabéns e bon voyage Mana!
PS. Aqui fica uma prenda para si que demonstra todo o nosso amor!

19.2.06

Hit me baby one more time

Desculpem o título da posta caras amigas, mas estou a ouvir esta música em versão acústica interpretada pelos Travis (por falar nisso, que é feito deles?). E sabem que mais? É uma boa música. Pena a versão original ser cantada por aquela-cujo-nome-não-dizemos.

E agora que a minha coluna (não falo da vertebral mas sim da que escrevo em N.Y.) se encontra em fase de repouso, decidi por uns tempos regressar a Barcelona e escrever um pouco sobre as pessoas e a cidade (quem estiver interessado na primeira parte desta série pode clicar aqui). O tema do sexo virá mais tarde, para já ficam alguns aspectos quotidianos.

Pois bem, este fim de semana estive a estudar os trajes das várias pessoas que encontrei na noite. E cheguei à conclusão que aqui tudo pode estar na moda. Claro que o mais "in" será o look Poppy. Muito 80's, muito Pop, muito The Strokes, muitas calças justas com All Star e muitos vestidos pretos com pintinhas rosa. Os cabelos, esses são franja à frente dos olhos para os rapazes e bandelete fininha para as raparigas. Mais uma vez se prova que a moda é cíclica. Nem é preciso falar na música.

Resta saber qual a relação entre o traje e a facilidade em encontrar parceiros, mas sobre isso ainda tenho de estudar um pouco mais (como principal interveniente, claro).

Carrie Bradshaw
[em Barcelona]

As dúvidas do Gaspar


Como o Natal é quando uma gaja quiser, hoje recebi um cd do Sérgio Godinho a cantar com os Amigos de Gaspar, que tem lá dentro esta preciosidade:

Quem sou eu? - disse eu
só que ninguém respondeu, ninguém
mas que foi que me deu para estar hoje assim?

Estou aqui, se estou
mas para onde é que eu vou, quem sou?
Toda a gente sabe mais ou menos quem é


Passam carros, passa gente
vão para algum lugar é certo
vão para trás e vão para a frente
vão para longe e vão para perto
vão para algum lugar é certo, vão

Delicioso... Obrigada!

17.2.06

weather man


As gajas ( a mana tesoura e a manca) foram ao Alaska de Mercedes. Passamos a explicar. A mana tesoura e a gaja manca decidiram armar-se em gajas de espírito aberto e alternativas e ver o concerto de apresentação do álbum "Cruising Alaska" de uma banda nova aqui da Invicta chamada "The Weather Man" no bar O Meu Mercedes é Maior Que o Teu.
Não estamos aqui para fazer uma crónica musical, mas mais uma crónica social que é nisso que somos boas.
A nossa mensagem é simples e sucinta: Gajos, se aspiram a ser rock stars não levem os papás aos concertos. Isto não é Sequim de Ouro ( o programa do Topo Gigio, enah, lembram-se do Topo Gigio, eu tinha um Topo Gigio que dormia sempre comigo!!!, acho que foi o meu primeiro homem!!!). Vamos lá ser adultos. É natural que os papás tenham orgulho dos seus meninos, mas estar na primeira fila, a bater palmas ao longo de todas as músicas, com duas máquinas fotográficas é triste... sim, não fica bem.
A mana tesoura gostaria de salientar que o baixista era muito muito muito giro...
A gaja manca gostaria de salientar que, fora amadorismos próprios de gajos que ainda levam os papás ao concertos, a música era bem catita...
beijocas da mana tesoura e da manca

16.2.06

Walk the line


Pois já vi, já vi...
Isto de se morar em terras do tio sam tinha de ter algumas vantagens... A verdadeira motivação para escrever esta posta tem a ver com a frustração das gajas quando por alturas do balanço 2005 queriam escolher o filme do ano e chegaram à conclusão de que não conseguiam porque já não sabiam muito bem o que tinham visto esse ano. Assim, a mana tesoura decidiu fazer destaques periódicos aos filmes recentemente vistos.
O filme... nem sei o que vos diga... é bom sim senhor. O melhor do filme (são na realidade dois): Reese Witherspoon e as cenas do Folsom Prison Concert. Reese Witherspoon, sim essa gaja que era apenas uma gaja loura em filmes como Legally Blonde I e II (sim filmes maus têm sempre sequelas para além daquelas que possam eventualmente deixar em nós, neste caso a banalização da Loura Burra... sim sim, oh m*r^a, eu sou loura mas não sou burra!!!), revela-se uma actriz fenomenal... As cenas da prisão são de uma energia absolutamente primitiva e tribal. Menos bem no filme... não deixa de ser uma biografia de massas, de puxar à lágrima e de glorificação da máxima da pobre alma perdida a caminhar no vale das sombras que vê a luz (o amor e Deus) e encontra o verdadeiro caminho...
Em balanço, um filme muito decente. Mais uma história de amor maior que a vida, mas em ano de histórias de amor como Brokeback Mountain, esta não será seguramente aquela que vos vai marcar. Mesmo assim é um filme: A ver. Principalmente se gostam da música do Johnny Cash (as covers feitas pela dupla Reese Witherspoon e Joaquin Phoenix são de facto muito boas) e se são do tipo que dá tudo para chorar baba e ranho num filme. Eu sou...
A mana tesoura

14.2.06

5 x 5

A pedido de muitas famílias.... bem, de algumas famílias... ok, de duas pessoas (obrigada rps e woman once a bird por serem quem são e se lembrarem de nós), decidimos aceitar o desafio de expôr publicamente os nossos cinco vícios mais peculiares. Declara-se então aberta a caça ao vício!


Mana Tesoura

  1. parar no drive in do krispy kreme doughnuts depois de uma boa festa NAUSEA para comprar doze krispy kreme custard filled doughnuts
  2. actualizar diariamente o meu gráfico de variação da taxa cambial euro/dolar
  3. actualizar diariamente o meu gráfico de variação do peso em kg e libras
  4. acabar as frases com teejaayy
  5. tirar cotão do umbigo do meu namorado

FriFri

  1. cantar ópera sempre que conduzo
  2. falar sozinha enquanto estou no wc
  3. cheirar sempre as cuecas antes de as vestir
  4. cheirar sempre as cuecas depois de as tirar
  5. pedir bebidas num bar com pronúncia de Viseu

Gaja Manca

  1. chuchar na almofada
  2. adormecer que nem uma pedra no sofá
  3. tratar as pessoas e os gatos por "mizi"
  4. não conseguir andar devagar; mesmo manca, eu nunca ando: corro.
  5. não conseguir parar de cantarolar ou assobiar, mesmo quando sei que estou a incomodar as pessoas.

Gaja Mouca

  1. passar sempre para o lado esquerdo dos meus acompanhantes enquanto caminhamos, para os ouvir com o ouvido que não é surdo.
  2. chamar "pequena" a todas as gajas de quem gosto, independentemente do seu tamanho
  3. trincar os filtros dos cigarros ao fumar (é um nojo, eu sei)
  4. cantar o ritmo do "jingle bells" com a seguinte letra "rónhónhó rónhónhó, rónhónhó nhónhó" enquanto aperto um qualquer gato
  5. não conseguir sair de casa sem uma gigi

E por fim - Je t'aime, moi non plus - les cinq vices capitales de Karl Lagerfeld (segundo o butler do menino Kalé):

  1. Rever a prestação de 'Waterloo' dos ABBA no festival da Eurovisão em 1974 com uma flûte de Dom Pérignon enquanto lhe fazem a pedicure
  2. Ler a Vogue na casa de banho
  3. Morangos com Açúcar
  4. Ser visto no Estádio da Luz de braço dado com Betty Grafstein
  5. Être toujours absolument râvissant

E agora, porque o regulamento desta coisa assim o dita e porque somos gajas supersticiosas (ouvimos dizer que se a cadeia fôr interrompida teremos 7 anos de azar) e muito interessadas em conhecer os vícios alheios, continuamos a lançar o desafio! Por isso...

Cócó Na Ventoinha!
Surya!
Pouca Roupa!
Andalsness!
Extravaganza!

...venham jogar! Vocês são concorrentes!

10.2.06


in loving memory...

8.2.06

acto de contrição

Hoje o meu saldo (já tão) negativo para com deus aumentou um pouco mais. Porque falhei. Pequei. Retorci-me. O meu pecado de hoje foi:


A INVEJA!!

6.2.06

Um domingo no parque

Sabem como é, minhas amigas: uma gaja fica manca de repente, passa a mexer-se muito menos e subitamente apanha um susto ao olhar para a balança. Sim, é que basta olhar para mim para se perceber que nestes últimos meses atingi uma volumetria corporal nunca antes alcançada! Para além disso, a bem da recuperação do meu pé, há que o exercitar, tal como manda o fisioterapeuta. Pensei eu então: por que não juntar o útil ao útil (sim, o agradável nunca é para aqui chamado) e retomar um hobby há muito esquecido? Sendo assim, para perder calorias e mexer o pezinho doente, esta gaja decidiu ontem ir dar uma volta de bicicleta.
Como sou oriunda da cidade das bugas, às vezes esqueço-me de que o Porto está longe de ser um paraíso para os ciclistas. Para além disso, em Aveiro basta pedalar uns meros dez minutos para estarmos longe do centro da cidade e a respirar ar puro tendo um esteiro da ria como cenário (ai das meninas que se atrevam a falar mal da qualidade atmosférica de Aveiro, digo-vos já que são previsíveis e que não têm razão nenhuma!)
Para onde é que se vai andar de bicicleta no Porto, pensei eu, se não quero respirar fumo de escape? Para o parque da cidade, claro está. E assim começou a minha aventura.
Comecei por deslizar pela Rua de Nossa Senhora de Fátima abaixo e por descobrir que, afinal, os travões não estavam a funcionar tão bem como eu pensava e que, se queria acabar a jornada sem lesionar mais nenhuma parte do corpo, tinha que moderar a velocidade. A meio da avenida da Boavista, depois de aguentar estoicamente os buracos no chão e o trânsito que me fazia circular a uma velocidade superior à média dos restantes veículos, vi-me rodeada, ao parar num semáforo, por um enxame de scooters dirigidas por aquilo a que eu chamo gunobetos. Um gunobeto é aquele tipo de gajo que anda de cavas, calças curtas e boné, utiliza palavras como "desadesiva" com sotaque do Porto quando quer mandar alguém embora e que gosta de se reunir ruidosamente com os seus semelhantes nas esquinas de pacatos bairros residenciais ou estações de serviço. Estes gunobetos pararam mesmo ao lado da gaja, todos a acelerar, a produzir monóxido de carbono em excesso, a apitar e a fazer comentários jocosos e desagradáveis à gaja em cima da bicicleta. Mau, pensei eu, vou mas é pelo passeio! O pior é que andar de bicicleta no passeio é proibido, e com alguma razão... Depois de andar a fazer gincanas pelo meio das paragens de autocarro, postes de iluminação e transeuntes e de ter feito mais do que uma tangente aos carros estacionados, cheguei finalmente ao meu destino, pensando que a aventura estava terminada e que agora iria circular pacificamente no meio da natureza...
Pois, só que me esqueci de que os portuenses só conhecem dois sítios para onde ir passear: o shopping e o parque da cidade. Como estava um solinho agradável e os saldos já acabaram, adivinhem onde é que foi toda a gente... Em vez de um passeio a velocidade de cruzeiro, sem grandes interrupções, tive de passar o tempo todo a tentar não atropelar a avó enquanto me desviava da prima que por sua vez tentava desviar o cão do senhor que vinha a correr em sentido contrário que por sua vez saltava por cima da bola que a criancinha em cima do triciclo tinha lançado para o irmão que estava dentro do carrinho de bebé. Acreditem, minhas amigas, nem no recanto mais escuro do parque uma gaja podia andar à vontade. O passeio no parque da cidade acabou por ser mais um teste à paciência e aos travões da bicicleta do que à resistência dos músculos pouco exercitados... Após duas voltas, estava pronta para regressar a casa. O pior é que no regresso a Avenida da Boavista é a subir. Dado que o meu espírito de sacrifício já era nulo por esta altura, desmontei e levei a bicicleta a pé durante grande parte do percurso.
Estafada e com os músculos doridos, cheguei a casa e comi uma maçã. "Ai que saudável que eu sou", pensei enquanto acendia um merecido cigarro.

futilidades


Eu sei que com estas postas todas a mana tesoura se arrisca a ganhar o prémio da gaja mais fútil do ano. Mas como a mana tesoura acha que mais vale fútil que sonsa, aqui vai...

Isto para dizer à amiga gaja que comentou a posta anterior que há gajos que mesmo por baixo da pele têm piada... o por baixo da roupa está a ficar extremamente demodé... afinal de contas uma gaja vai a conduzir pelas ruas e não vê mais que gajos semi-despidos. Têm reparado que a mulher objecto foi completamente destronada pelo homem objecto? A que se deve tal coisa? As gajas hoje são mais independentes e têm basicamente o mesmo poder de compra que os gajos... São apesar de tudo ainda as gajas que vão às compras e por isso, mesmo em anúncios de papel higiénico, vende mais ter um gajo giro que uma gaja gira... Os gajos começam a preocupar-se mais com a sua imagem e a ideia de que um gajo é bom de qualquer maneira está mais do que morta... Entre os gajos, os com maior poder de compra são em geral gay e por isso um gajo nú ajuda a vender... Será que a coelhinha da playboy é uma espécie em extinção? Está condenada aos arquivos da arte pop do século XX?

A mana tesoura

2.2.06

e se de repente....


E se de repente o Batman tirasse a sua máscara?
Seria isto que iríamos encontrar?
Ambas as imagens são do actor Christian Bale, intérprete dos filmes: O Maquinista e Batman Begins.
Será que ainda podemos confiar nas aparências?, ou,
Será chegada a altura de começar a ver por baixo da pele (roupa)?

A mana tesoura