24.12.05

Posta de Natal

A Tori Amos tem uma teoria engraçada em relação à criancinha que nasceu nas palhas deitada, nas palhas estendida, lá para os lados de Belém:

"Muhammad my friend
It's time to tell the world
We both know it was a girl back in Bethlehem
And on that fateful day
When she was crucified
She wore Shiseido Red and we drank tea
By her side"

Diz que era gaja... É capaz de ter razão!

20.12.05

E se, de repente, um desconhecido lhe perguntar das flores...

Imagine que quer comprar um ramos de flores. Vai, por hipótese, a uma florista que há ali quase em frente aos Armazéns Marques Soares e ao lado da entrada para o Parque de Estacionamento da Praça de Lisboa, passo a publicidade.
Suponhamos que enquanto a florista prepara o seu ramo, um desconhecido entra no estabelecimento comercial. Vamos também supor que o desconhecido, com toda a lata que deus nosso senhor distribuiu de forma tão pouco uniforme pelos seus filhos, vos diz "Meti a pata na poça, 'tá a ver... o pé na argola, com a minha esposa e preciso de lhe pedir desculpa. O que sugere que lhe leve?". Vamos ainda fazer de conta que o gajo é forreta e se recusa a gastar muito dinheiro no perdão, uma vez que "isto não está para brincadeiras, a vida está cara e tal".

Chegamos então ao dilema moral que vos queria apresentar. Você:

a) Compreende perfeitamente, essas coisas acontecem e acaba mesmo por sugerir qualquer coisinha?

b) Deixa-se levar pelo impulse de lhe lançar um "para a próxima pensa duas vezes antes de meter a pata na poça/pé na argola ó C*****"

Dê a sua opinião! O que faria nesta situação hipotética?

17.12.05

A divulgação cultural compensa!

Esta semana, a nossa querida amiga Rita Rabiga queixou-se de que muitos dos visitantes do seu blog entravam lá após terem feito uma pesquisa com a palavra "rabinho" no Google.
Estamos solidárias com a Rita. Como se devem recordar as gajas já sofreram na pele este tipo de injúria. Uma pessoa escreve “gajas” ou mesmo “rabinho” de forma completamente pura e inocente e depois a sociedade (que é assim espécie de senhora idosa com bigode) cataloga-nos como indecentes, obscenas ou até pornográficas. Não se faz a meninas como nós, educadas com o maior brio e rigor...
Quisemos também saber se grande parte das visitas ao nosso blog resultariam de pesquisas com a palavra "gajas" ou de pessoas que vinham directamente da categoria "erotismo" da lista de blogs portugueses. Por pura curiosidade científica, claro.
A tarefa de clarificar este assunto ficou a cargo do Departamento de Estatística e Outras Coisas com Números (DEOCN), entidade já nacionalmente conhecida pela qualidade científica e imparcialidade dos estudos que publica.
Foi com algum espanto que lemos o relatório que nos foi enviado pelo DEOCN. Segundo este conjunto de especialistas, nos últimos três dias, uma pessoa chegou ao nosso blog através da lista de blogs eróticos; 12 pessoas chegaram cá através de pesquisas em motores de busca. Duas dessas pessoas procuraram especificamente "gajas no corte", por isso não vieram, com certeza, ao engano. Quatro pessoas procuraram simplesmente "gajas". E, surpresa das surpresas, seis visitantes vieram cá parar porque procuravam assuntos relacionados com a família von Trapp! Aliás, com este seu singelo post as gajas passaram a constituir uma das principais fontes de informação sobre essa família, na língua de Camões, a circular na Internet!
Sendo que para todos os efeitos este blog foi classificado como erótico, até apetece citar uma gaja pindérica: é irónico, não acham?

15.12.05

O crime perfeito

Olá minhas amigas! Tenho de confessar: eu também, como a amiga gaja, estou a viver uma profunda crise de inspiração. Nestas alturas, no entanto, tenho uma ferramenta poderosa que sempre me auxilia: os meus sonhos. Eu acho que a monotonia dos sonhos é inversamente proporcional à das nossas vidas. Se calhar é por isso que de há uns tempos para cá tenho tido sonhos interessantíssimos e cheios de adrenalina. Pois é, que a vida não está fácil, e às vezes (mas só às vezes) uma gaja tem mesmo de trabalhar e não lhe sobra tempo para a diversão que todas merecemos.
Pois bem, já vos falei aqui de alguns sonhos estranhos que tive, nomeadamente dos que envolvem crimes, cometidos por ou contra a minha pessoa. Esta semana reincidi. Sonhei que cometia o crime perfeito. Nesse sonho, tive cuidados extremos para não ser descoberta; sentia-me em pleno episódio do CSI, mas do lado dos maus. Não deixei impressões digitais, tirei o meu peludo cachecol cor-de-laranja para não haver fibras incriminadoras na cena do crime, nada de pegadas nem resíduos. Quem foi a vítima? Um ex. Não um qualquer ex, não o último ex, mas sim o ex “onde-é-que-eu-estava-com-a-cabeça?”, o único ex até agora que conquistou o direito a ser detestado mesmo passados anos sobre o assunto. Boa escolha, pensarão vocês, amigas gajas, sempre dadas a essas coisas das vinganças.
O único problema disto tudo foi o crime que escolhi cometer. Reparem, gajas: nos sonhos nós somos livres! Podia ter escolhido, sei lá, um atropelamento, um envenenamento, ou o tradicional balázio no meio da testa, ou seja, mandá-lo desta para melhor. Mas não! Escolhi, pura e simplesmente, dissolver à socapa uma quantidade industrial de laxantes na garrafa de água do dito cujo... E ainda por cima acordei antes de poder constatar os resultados!

14.12.05

PicaDealer ou de como nem tudo é o que parece

Já na semana passada falei aqui nos comboios da CP e no género de personagens que por lá podem aparecer. Não vos falei ainda foi da mais insólita das figuras com quem um dia me cruzei num desses comboios. Resolvi chamar-lhe simplesmente PicaDealer, pelas razões que mais à frente irei expôr.

Os acontecimentos remontam ao tempo em que esta gaja que vos fala era ainda uma pobre estudante deslocada da UP, consequentemente, utente assídua dos tardios comboios que ligavam a cidade do Porto a Viana do Castelo. Numa dessas noites de viagem para Viana, particularmente pouco movimentada, entrei numa carruagem vazia, a prever a bela da soneca com a cabeça encostada à janela. Logo nos primeiros km do trajecto, reparo que o Pica do comboio vem em amena cavaqueira com um jovem. Param junto da porta da carruagem e assisto a uma pequena transacção comercial: jovem dá dinheiro ao Pica, Pica dá ao jovem, não um bilhete de comboio como seria de esperar, mas um pequeno saquito. Se dúvidas houvesse quanto ao conteúdo do saquito o jovem iria dissipá-las mais tarde, quando entrou no quarto de banho e saiu pouco depois acompanhado pelo cheiro óbvio de uma substância fumável ilícita.
Ora eu continuava aninhada no meu cantinho e fora do ângulo de visão do Pica. Só ao passar pelo corredor para a carruagem seguinte é que senhor me viu, tendo-se apercebido que eu tinha ficado a conhecer a actividade com a qual ele suplementava o orçamento familiar.
O Pica então pediu-me o bilhete, sorriu-me, sentou-se no banco ao lado do meu e disse:
- Sabe menina, nem tudo é o que parece!
- Hã não?- respondo eu - Não sei do que está a falar...
- Sabe, já muita gente foi fazer queixa de mim à CP, por eu ser uma pessoa assim... extrovertida!
- Sei, o senhor é extrovertido. Não se preocupe que não tenciono ir fazer queixa de si à CP.
- Ainda bem, é que eu tenho filhos para criar - disse o Pica, sacando da carteira, para comprovar a afirmação com a fotografia de duas criancinhas em idade escolar.

E assim começou a minha conversa com o PicaDealer, que tendo decidido que eu era uma gaja porreira, foi até Viana do Castelo a chatear-me com as suas teorias, sem me deixar prosseguir com a planeada soneca. É com pesar que vos digo que já não me recordo da maioria das teorias do PicaDealer. Uma das que mais gostei foi aquela em que o tipo dizia que, logo depois dos professores (?), os picas são a classe profissional que sofre mais com o adultério e em que a taxa de divórcios é mais elevada. "Anda a gente a percorrer o país de lés a lés e está a nossa mulher em casa com outro, é triste". Ossos do ofício, teria dito eu, mas achei melhor não desenvolver muito o assunto...
Na estação de Viana o Pica disse-me que era por causa das pessoas interessantes que se conheciam no comboio que valia a pena ser Pica e desejou-me uma boa vida. Tá bem, tá, Senhor Pica! Uma boa vida também para si...

Nota: para distinguir o PicaDealer dos restantes Picas, olhem para o pescoço do funcionário. Se tiver um colarzinho de missangas padrão cobra-coral, a imitar o Jim Morrison, saibam com certeza: é ele!

crise de inspiração

As gajas andam um bocado ausentes, esquecidas deste blog. Não as condenemos, elas são miúdas ocupadas, existem coisas que, por uma razão ou outra, normalmente alheia à própria gaja, foram procrastinando (dedico expressamente esta última palavra à Mana Tesoura) e agora tem de ser acabadas. É a vida!
Eu, no entanto, não tenho nada de importante de fazer. Neste momento até estou em greve, em luta pelo pagamento dos meus salários em atraso. Não tenho desculpa. Não posso procrastinar. Sinto-me na obrigação moral de escrever aqui qualquer coisinha. Mas estou em plena crise de inspiração bloguística. Espero que consigam perdoar-me! Escrever, sim! Mas o quê? Por favor amigas gajas e demais amigos, deixem-me ir até ali pensar um bocadinho e já volto.
Beijinhos mil

9.12.05

Ai que saudades que eu tinha...

(ler com colocação de voz tipo anúncio do "restaurador olex" e timbre ligeiramente anasalado)
"Vai dar entrada na linha número um o comboio precendente de Valença com destino a Porto-Campanhã. Efectua paragens em todas as estações e apeadeiros até Nine e ainda nas estações de Famalicão, Lousado, Trofa, São Romão e Ermesinde."
17 paragens
1 hora e 41 minutos (mais meia hora de atraso)
A viagem seria bem mais fácil de suportar não fosse uma discussão idiota, elevada muitos decibéis acima do tolerável ao ouvido humano, mantida por uns gajos tirados a papel químico do Cristiano Ronaldo - a madeixa pirosa espetada com gel rafeiro, os brinquinhos com brilhante e as focinheiras recheadas de acne...

6.12.05

Da literatura infantil e seus nefastos efeitos


Está nas salas de cinema o filme “Oliver Twist” baseado na obra homónima de Charles Dickens. Não irei ver o filme, que tresanda a blockbuster natalício, mas esta estreia fez-me recordar o livro que li há já muitos anos.

Acho que esse foi um dos meus problemas. Ter lido demasiados livros de Dickens em tenra idade, tão susceptível ainda: ele era o “David Copperfield”, ele era “A pequena Dorrit”, os “Tempos Difíceis”, as “Grandes Esperanças”, sucessões de orfanatos, maus-tratos, fome e demais fatalidades... Li também os livros da Louisa May Alcott, as “Mulherzinhas”, “Boas Esposas”, “Oito Primos” e os “Homenzinhos”, todos eles igualmente de faca e alguidar, uma desgraceira pegada!
Não fossem os livros já suficientemente dramáticos, na televisão a história era a mesma. Os desenhos animados eram de fazer chorar as pedras da calçada: a Heidi e a Ana dos cabelos ruivos, ambas orfãs coitadinhas; tanto o Marco como o Sebastião, perdidos nesse mundo à procura das respectivas mamãs…

Resultado: tornei-me isto que sou hoje, uma jovem adulta profundamente lamechas, que chora baba e ranho no cinema e fica doente com criancinhas a pedir entre as mesas dos cafés.

Mãe, Pai! Porque não me deram antes os livros d' "Os cinco" ou a colecção “Uma Aventura”??

5.12.05

Parabéns FriFri

É verdade, minhas amigas! A nossa querida e sempre impiedosamente cortante FriFri comemora hoje o seu aniversário. Nem vou dizer a idade que faz, que é um escândalo de tão novinha que é (mas nada inocente, digo-lhes já!). Como gaja mais velha que sou, resta-me aconselhar-lhe muito juízo. Tudo o que é excesso agora será uma ruga no futuro! E se a menina acha que até está muito bem para a idade que tem, desengane-se, pois não perde pela demora!
Beijinhos mil!

1.12.05

Isabel de Castro


Gajas,

Eu sei todas nós nos habituamos a abrir este blog à espera de uma nova tesourada hilariante, da melhor cusquice, e do insight provocador. Mas nem só de isto vive uma gaja. É com muita pena que interrompo este ciclo de tesouradas fenomenais que temos tido, mas não posso deixar de partilhar com vocês o que sinto neste momento.

Morreu Isabel de Castro.

OK muita gente morre e nem por isso falamos delas. Mas Isabel de Castro era especial.
Confesso não ser grande fã de cinema português. Mas uma coisa é certa se Isabel de Castro estava num filme, então valia a pena ver. O filme poderia ser mau, mas a beleza de Isabel de Castro superava tudo. E principalmente porque ela tinha a beleza a que eu aspiro. Era uma mulher que não ficou presa ao ícone de beleza que havia sido nos anos 50 e 60 (ao nível de qualquer Marylin Monroe, Brigite Bardot, ou Sophia Loren). Era uma mulher que reinventou a sua beleza sempre. Era uma mulher em que a beleza vinha de todas as parte, dos olhos fundos e tristes, das rugas inúmeras, da voz de cana rachada, mas sobretudo de uma experiência de vida que explodia em cada movimento, e de uma doçura quase brutal. De facto apenas consigo pensar numa outra star com as mesmas qualidades, Katherine Hepburn. (Por pura ignorância cibernautica não consigo introduzir uma foto da Katherine Hepburn.)

A mana tesoura

30.11.05

no meu tempo é que era...

Regra: Qualquer blog de gaja tem que ter posts sobre moda. Claro que, como equipa dedicada e pluralista que somos, já temos o senhor KL para nos falar disso. Mesmo assim, decidi eu própria fazer uma petite postette sobre o tema.

Pois bem, uma coisa que me começou a intrigar há já algum tempo foi a questão das modas propriamente ditas. E o tempo que é necessário para uma coisa inverter a sua posição: passar de último grito a démodé (e vice-versa).

Situação 1 - Eu sabia que ser krida e fofa havia de compensar!
Como não podia deixar de ser, estou a referir-me a essa personagem de culto (ou que se tornou de culto), a Kitty. A Kitty era, até há bem pouco tempo (se tivermos em conta a idade da gaja que escreve), uma coisa pindérica. Ter estojos, borrachas, mochilas e outros acessórios da gatinha com o laçarote vermelho era sinónimo de uma mentalidade muito infantil. E agora? Agora é vêr as miúdas crescidas a desfilar por essas noites fora com o kit completo (que inclui meias às riscas rosa e preto) a dizer que são freaks ou electroclashers.

Situação 2 - Tudo a sair do armário.
Quando eu era piquena ninguém falava deles. Agora, e apesar de ainda não ser este um mundo arco-íris, parece que estão na moda (e sim, a última medida do Papa apoia a minha teoria). É vê-los a desfilar por aí, a fazer concursos e programas de entretenimento, a entrar em nossas casas diariamente. E quantas de nós minhas amigas gajas, não adoramos ter um amiguinho Gay, hein? É sensível quando fala de sentimentos, percebe de moda e sabe apreciar rapazes.

Situação 3 - Com a verdade me enganas.
No prato oposto da balança está o senhor Herman José. Quem não se lembra de estar em pulgas com os olhos pregados no televisor à espera de ver O Tal Canal, os programas de fim de ano ou até mesmo o Herman Enciclopédia. A partir daí, tudo começou a desmoronar-se. Primeiro tentou imitar o Jay Leno com o Herman SIC, depois começou a descolorar o cabelo (processo gradual, que pelo meio passou por um loiro asqueroso). Há pouco tempo soubemos que o seu Rolex foi roubado nos balneário do Holmes Place, já pra não falar no seu envolvimento no processo Casa Pia. Enfim... senhor Herman, o senhor já não está na moda!

Situação 4 - Jeans de Cidade.
Gajas (e alguns gajos)! Vão ao vosso baú. Procurem bem, e de certeza que encontrarão um par de calças elásticas. Sim, nos meus tempos de liceu, gaja que não aparecesse com umas calças elásticas de ganga ou verdes era logo posta de parte. Além de serem extremamente quentinhas e confortáveis, com umas calças assim de certeza que uma gaja arranjava um namorado surfista.

Tudo isto me leva a crer que a moda é cíclica (mais o facto de agora estar tudo a voltar às All Star, casacos de couro e músicas dos anos 80). E agora que se aproxima o natal, só gostava que voltassem os meus queridos barriguitas!

frifri

29.11.05

SPM

Nota prévia: esta é uma posta de gaja. Pode causar desconforto, embaraço ou até uma certa náusea no leitor do sexo masculino.

Fui eu que no domingo escrevi a posta em que chamava caga-na-saquinha ao Guterres. Ontem, quando a li, resolvi apaga-la. Foi o primeiro sinal da grande neura que me iria acompanhar o resto do dia. Essa neura tem um nome – chama-se SPM, ou Síndrome Pré-Menstrual.
Para os que não estão familiarizados com os sintomas desta requintada tortura mensal, eles são:

Alterações do humor tipo depressão, fadiga, cansaço fácil, desinteresse pessoal, irritabilidade, instabilidade emocional, falta de concentração, alterações do apetite, alterações no ritmo do sono, sensação de estar fora do controlo, choro frequente e mesmo alterações da personalidade ou do comportamento.
Podem também ocorrer dores abdominais, com dores musculares generalizadas, tensão mamária, graus variáveis de edema, cefaleias, náuseas, ou mesmo vómitos. Estes sintomas podem ser tão graves que levam à limitação da actividade física diária.

Bom, cada gaja é uma gaja e todas reagimos de forma diferente. Eu, pessoalmente, não fico deprimida. Ansiosa sim. Mas mais irritadiça (e irritante). E furibunda. Confesso que às vezes é uma vantagem puder atirar tudo para as largas costas das hormonas, mas que o preço a pagar é alto, lá isso é!
Ontem foi, pelas questões fisiológicas que acima referi, um dia para esquecer. Tudo parecia enfurecer-me, nomeadamente:
  • a minha própria posta:
  • senhoras que acham que todas temos o direito e o dever de confraternizar nos balneários da piscina;
  • empregadas de balcão que nos querem vender roupa que obviamente não queremos;
  • pónhónhós estacionados em segunda fila;
  • empregados de balcão que deixam arrefecer o café por estarem a ver o FCP;
  • pessoas com bigode em geral.


Eu não sou uma gaja mal-educada. Por maior que tivesse sido a minha vontade de insultar essa gente toda, não o fiz (ok, talvez tenha insultado ligeiramente o dito automobilista). Em contrapartida domino bastante bem a técnica da fulminação visual! Ainda hoje há criancinhas que me temem à custa disso. É praticamente infalível e pode ser usada como qualquer arma de arremesso.
Talvez num outro dia sorrisse condescendentemente a cada uma destas pessoas (menos ao pónhónhó). Ontem, todos pareciam ter sido postos no meu caminho para testar os limites da minha paciência! E esses limites estavam especialmente estreitos...

24.11.05

As montanhas estavam mesmo vivas

Um belo serão, estava eu sentadinha no sofá a fazer zapping com uma gata ao colo quando algo me despertou a atenção. O nome de Maria von Trapp! Tratava-se de uma biografia da mesma. Pestanejei, incrédula. Maria von Trapp? A mesma da "Música no Coração"? A governanta que cantava "the hills are alive..."? A ex-freira que se casou com um irascível viúvo pai de um autêntico batalhão? Ela existiu mesmo? Fiquei maravilhada. Para mim, foi um choque tão grande como o que sentiria se me dissessem que o Dartacão era real e que a obra de Alexandre Dumas mais não era que uma adaptação humanizada da vida desse grande canino! E como eu sou incapaz de ficar maravilhada sozinha, decidi partilhar com vocês a história da verdadeira Maria von Trapp. Até certa altura, aliás, não é muito diferente da do filme, se exceptuarmos o facto de que ela tinha um péssimo feitio e era uma autêntica ditadora na família. Conseguem imaginar? "Crianças, abram-me mas é essas goelas, senão levam tantas que até andam de lado!"
O que o filme não conta, é que às tantas a família (cada vez maior agora graças à contribuição de Maria) ficou na bancarrota. Para sobreviver, decidem encetar uma carreira como cantores e partem em digressão por toda a Europa. No entanto, esta felicidade acabou quando Hitler invadiu Salzburgo e a família decidiu partir rumo a uma vida melhor. Mas qual fuga a pé pelas montanhas qual carapuça, isso são historinhas de Hollywood! De comboio é que se vai bem, que é mais confortável e o frio faz mal à voz, pois então. E assim seguiram até Itália. Daqui aos Estados Unidos foi um saltinho e a família instalou-se no sítio mais parecido com a Áustria que conseguiu encontrar - Vermont. Em solo americano continuaram com sucesso a carreira nas cantorias (tendo agora como título "the Trapp family singers"). Até que, horror dos horrores, o capitão von Trapp morreu, deixando Maria a braços com uma família que detestava os seus modos ditadores, um grupo coral onde já ninguém queria cantar, e uma crise financeira. Foi então que Maria decidiu vender os direitos da sua autobiografia (por uma ninharia, diga-se de passagem). O resto já se sabe...
A verdadeira Maria caiu no esquecimento, mas nasceu um mito!
Só mais uma pequena curiosidade: a Maria von Trapp foi concedida uma pequena participação no filme "Música no Coração". Fazia de uma das obesas freiras que cirandavam pelo convento!
Esperamos assim, queridas amigas, ter tocado o vosso coração! Lembrem-se de tudo isto quando virem este maravilhoso filme pela enésima vez este Natal!

21.11.05

70 x 7

Enquanto procurava a chave do euro milhões nesse mundo de informação que se chama teletexto, descobri algo que me aterrorizou. Ao passar os olhos pela programação da RTP reparei que o 70 x 7 ainda existe, e continua a atormentar gerações e gerações de criancinhas das que acordam às 7 da matina!
Comentando este assunto com o Senhor V., esse grande filósofo de quem as gajas têm o privilégio de ser amigas, ele apresentou-me a sua teoria. Segundo ele, o desinteresse dos jovens da nossa geração pelos assuntos religiosos está intimamente relacionado com o facto de termos suportado esta estopada demasiadas manhãs das nossas vidas, enquanto esperavamos pacientemente pelos desenhos animados.

18.11.05

Karl Lagerfeld confesses himself to Madonna (1-888-2-CONFESS)

Forgive me Madonna for I have sinned. I have been a very naughty boy lately. Nobody knows I lead a double life. I just can't stand it anymore but I don't know how to end with it. Whenever I'm not shinning in a passerelle in Rome or Paris I am a decadent drag queen whose name is Gigi Velásquez. That's when I spend nights posing and dancing and flirting in some cheap disco clubs and trying to steel others girl's boyfriends. I also want to be treated like garbage. I'm tired of being worshiped as the drama queen of the haute couture. I long for releasing my pony-tail and being trashed as the drag queen of the dance floors.
You think that's it? Well it isn't. I'm in love with this guy working in a pizza place and he's very selfish and he just got out of jail. I bailed him out, but he doesn't love me. I spend my nights crying waiting for his call, yet he's careless for me. He says I'm not bitchy enough for him.
I just don't know if I'm able to repent yet. I guess I'll just follow your example and keep on with this ludicrous life of mine. I Hope you'll forgive me someday. I love your record by the way.

See you later.

KL

Diário de uma gaja asmática I

Ontem resolvi tirar partido do meu horário altamente flexível (correm até boatos de que eu não faço nenhum) e aproveitar o solito da tarde.
Levei os Arcade Fire a passear.
Estacionei o veículo, enfiei as bolotas nos ouvidos, carreguei no play e lá fomos nós.
Tudo estava bem, os meninos iam cavando os seus túneis pelo caminho, quando comecei a sentir uma ligeira falta de ar. Pelo sim, pelo não, achei melhor não esganiçar a-mãe-devia-era-ter-te-chamado-Laika, para poupar o fôlego, não fosse o diabo tecê-las.
Ora o diabo é um gajo que existe para nos arreliar e resolveu tecê-las na mesma. Quando dei por mim - já estavam os Arcade Fire num oportuno power out - tinha chegado o meu velho arqui-inimigo, o ATAQUE DE ASMA!
Vasculhei a minha carteira de gaja até encontrar a minha bomba salvadora. Qual não é o meu espanto quando reparo que o pequeno aerossol está VAZIO... A tragédia, o drama, o horror!
Comecei então a fazer contas à vida. Pelas minhas contas tinha 3 hipóteses:
1 - Voltar para casa, onde há bombas em diversas gavetas
2 - Sentar-me no passeio e esperar que passe
3 - Procurar a farmácia mais próxima
Entretanto já estava a ouvir o crown of love. Eu até acho que a música é catita e tal, mas não me parece a banda sonora mais apropriada para a tomada de decisões difícies (ok ok, não são assim tão difíceis mas como sabem esta posta é minha e eu exagero o que me apetecer!). Ó amigos, Arcade, filhos, violinos? violinos não, carago! Não me lixem, isto ainda não é um funeral! E eles em uníssono "É, é!" (repare, caro leitor, na qualidade deste trocadilho)!
FW > > Next! A seguir, mesmo a calhar, vinha o wake up. É isso mesmo, ala para a farmácia, que a minha vida não é isto e eu não tenho a tarde toda.
Felizmente nesta cidade dá-se um pontapé numa pedra e aparece logo uma farmácia!
Pensava eu que a minha agonia havia terminado uma vez que estava descoberta a porcaria da farmácia e afinal, caros leitores, ainda não era desta! Afinal havia uma fila! Uma GIGANTESCA fila! E eu, em notável e notada dificuldade respiratória fiquei ali à espera, sem conseguir sensibilizar ninguém para a urgência da minha situação! Respirei fundo (o mais fundo que conseguia...), concentrei-me na palmeirinha e na serpente da farmácia... Now here's the sun, it's alright!(Lies, lies!); Every time you close your eyes Lies, lies!
De qualquer das maneiras ficou ali mesmo prometido que jamais voltaria a ceder um lugar em qualquer fila, nem que tenha uma tonelada de compras e a pessoa atrás de mim vá comprar uma carteira de fósforos. Nem ceder um lugar no autocarro, mesmo a um velho de 95 anos, coxo, cego e hemofílico. Porra!!
Finalmente chegou a minha vez. Venderam-me a bomba. Bendito broncodilatador! Quem é que descobriu o salbutamol em spray?? Enviem-me já o Nobel a esses gajo!!
O ar volta.
Sentei nos degraus do chafariz da Praça e a Régine começou a cantar in the backseat.

17.11.05

Vamos lá fazer alguma coisa com real utilidadade pública



Minhas amigas e meus amigos:

Este canito foi abandonado junto das instalações onde as gajas trabalham. Procuramos desesperadamente (como a Madonna, no filme) um novo lar para o bicho. Se não conseguirmos o nosso propósito em breve, já há quem lhe tenha providenciado um bilhete só de ida até ao canil, e depois daí até ao paraíso dos canídeos são dois passos!

Ajudem-nos a ajuda-lo!
Se souberem de alguém que possa acolher o cão por favor enviem-nos um mail para

gajasnocorte@hotmail.com

Obrigadas!!

15.11.05

No comments (bem alguns comments!)


Apetecia-me escrever, No comments...
Mas sendo eu uma gaja, e sabendo todas nós que as gajas têm sempre que dizer alguma coisa, aqui vai.

Esta imagem é retirada do web site do senhor Vincent Gallo. Está na secção de Merchandising... o que ele está a tentar vender... bem, custa um milhão de dólares e se a compradora for negra (preta, mulata, escura, o que quiserem) ele recusa-se a vender o item em questão.
Apenas isto daria uma bela de uma posta, meu eu muito sinceramente não me sinto capaz de tanto.
Mas a imagem só em si, é digna de comentário.
Obviamente esta é uma peça de arte profética em que o artista revela que será o próximo presidente republicano dos EUA. Assim esperamos, uma vez que isto mais não significa que a realizar-se a profecia: NÃO HAVERÁ MAIS NENHUM PRESIDENTE REPUBLICANO DOS EUA!

A mana tesoura
(ai acalme-se lá mana, deixe-se de coisas sérias e torne a ser a maluca que é!)

Estou velha

Eu sei que tem sido o nosso espírito rir de tudo e de todos, mesmo do mais desagradável. Gaja que é gaja encara tudo de sorriso nos lábios. Choramingar, para além de fazer rugas, esborrata a maquilhagem, e digo-vos desde já que não há nada mais possidónio que rímel a escorrer por uma face abaixo.
Mas permitam-me, por favor, esta lagrimita de desgosto. Afinal, há dias em que uma gaja, por mais que tente, não se consegue rir… E no meu caso isso acontece no dia de hoje, porque foi há precisamente três meses que esta vossa amiga que vos escreve torceu o pé numa aparatosa queda. Três meses, pensarão todos vós, deveria ser mais do que suficiente para recuperar de uma simples entorse. Mas não, esta gaja continua manca e a fazer fisioterapia.
Mudando para um assunto sem qualquer ligação aparente (mas minhas amigas, tenham paciência e já verão onde eu quero chegar), sexta-feira fui ao Batô. Devo confessar que nunca fui grande fã do estabelecimento (a previsibilidade da música enjoa-me profundamente), mas é um dos poucos sítios onde ainda se pode dançar e cantar ao mesmo tempo… Mas foi no Batô, na sexta-feira, que tive uma espécie de revelação:
Estou velha.
Quando, às cinco e tal da manhã, se ouviram os primeiros acordes da “Just”, dos Radiohead, quatro ou cinco gatos pingados (incluindo eu), abriram os braços extasiados e, no centro da pista, cantaram a letra de cor. Tudo isto perante a indiferença do resto da multidão que nem sequer sabia que raio de música era aquela. Foi aí que eu compreendi. Olhei bem para as caras de toda a gente que ali estava e percebi que aquelas quatro ou cinco pessoas eram as únicas que pertenciam à minha geração. Eu nunca senti antes que fizesse parte de uma geração. De repente apercebi-me que aquela música que estávamos a cantar faz parte de um maravilhoso disco que eu ofereci a mim própria no Natal de há 10 anos atrás… 10 anos! É muito tempo. Aposto que há dez anos os meus tendões e ligamentos recuperariam mais depressa...

14.11.05

O Oposto de Patriarquia é...?

(Passa-se na Escola António Sérgio de Gaia.)
Duas alunas, uma de 17 e outra de 19 anos, foram admoestadas pelo facto de , no momento em que viam as notas da Páscoa, se terem beijado.
A primeira questão que se coloca é esta: será legítimo que os alunos e alunas tenham expressões de afecto e mesmo de desejo no espaço da escola? Não estou a dizer que façam amor numa aula de Matemática, o que consituiria manifesto desrespeito pelas palavras do professor, tal como ler o jornal, ouvir música ou jogar xadrez. Ora parece que o presidente do Conselho Executivo da Escola, professor António Teixeira, declarou que "não permitimos beijos, abraços ou apalpões, de heterossexuais ou de homossexuais". Pessoalmente preferia "carícias" em vez de "apalpões".
Mas a aluna mais velha queixa-se que a vice-presidente do Conselho Executivo, depois de lhe ter chamado "lésbica" aos berros, levou a que a directora de turma denunciasse aos pais aquela relação "anormal". Porque, como é fácil adivinhar, se o beijo incriminado tivesse sido trocado entre um rapaz e uma rapariga as reacções teriam sido nulas
Modificado de Eduardo Prado Coelho o fio do horizonte


Gajas, confesso que me sinto chocada… se fossem dois rapazes eu compreendia perfeitamente… afinal de contas, nesta sociedade patriarcal em que vivemos é mais que comum que a visão de duas mulheres a beijarem-se (principalmente se forem bonitas) seja considerada sexy e erótica (lá vamos nós outra vez), mas dois gajos não, korror, essas bichas…!!! Mas lendo melhor a notícia, apercebo-me que estou errada, porque aqui a autoridade é feminina (a vice-presidente, e a directora de turma), assim sendo, não posso deixar de me questionar (I can´t help but wonder, como diria a nossa amiga Carrie), será que quando as gajas estão no poder, substituímos uma sociedade patriarcal por uma matriarcal. O contrário de patriarcal é matriarcal ou é fraternal? Citando essa gaja fabulosa que se chama Sinéad O’Connor:

“I do think that women could make politics irrelevant.
By a kind of spontaneous cooperative action,
the like of which we have never seen.
Which is so far from people's ideas of state structure
and vital social structure that seems to them like total anarchy.
And what it really is is very subtle forms of interrellation
which do not follow sort of hierachical pattern which is fundamentally patriarchal.
The opposite to patriarchy is not matriarchy but fraternity.
And I think it's women who are going to have to break this spiral of power
and find the trick of cooperation.”
Um Beijo grande,
A Mana tesoura