1.6.07

A infância absurda


História #1

Ao contrário do que acontece com a maioria dos miúdos, o primeiro dia de infantário não foi nenhum drama para mim. O dia passou-se alegremente sem birras, sem lágrimas e sem saudades. No dia seguinte, quando a minha mãe me acordou e me disse "toca a ir para a escolinha!" é que eu fiquei indignada... Uma vez ainda vá que não vá, mas ninguém me tinha explicado que aquilo se iria repetir indefinidamente. "Outra vez?", perguntei. E aí sim, fiz uma birra dos diabos.


História #2

Quando andava no infantário, tinha um namorado chamado Ricardo. Éramos um verdadeiro par. Um dia, o Ricardo ficou doente e faltou. Nesse dia casei-me com o Zé Pedro.


História #3

Quando era pequena, passava muito tempo na farmácia da minha avó. Uma vez, desapareci. Toda a minha família - e, em breve, toda a rua - desesperou à minha procura. Não havia maneira de eu aparecer e ninguém me via há já algum tempo. Até que me encontraram. Estava na loja em frente da farmácia, sentada na montra, a imitar um manequim. Estivera lá durante toda a agitação, à vista de toda a gente, mas ninguém se lembrara de olhar.


História #4

Devia ter uns 5 anos quando cheguei à conclusão que lá em casa devíamos ser mesmo pobrezinhos. A única explicação plausível para a minha mãe não me deixar beber leite condensado todas as manhãs era o facto de ele ser mais caro que o normal.


História #5

Quando era pequena tinha dois amigos imaginários. Chamavam-se "Choné" e "Pêla" - e não me perguntem o que é que Pêla quer dizer porque eu também não sei. Iam comigo para todo o lado, dava-lhes as mãos na rua para atravessarem em segurança e falava com eles. O mais interessante é que, mesmo na minha imaginação, não eram de carne e osso. Tinham forma de - como hei-de descrevê-los? - bolas de cotão.


A gente sabe que esta posta não faz muito sentido nem tem muita piada, mas queríamos abrir aqui um fórum. Esperamos que os nossos leitores também partilhem as "coisas absurdas que pensavam e faziam quando eram pequeninos". Em jeito de homenagem ao dia da criança...

31.5.07

Greve Geral


As gajas estão em greve geral. Como já devem ter reparado, nenhuma gaja, à excepção da Mana Tesoura (essa reaccionária) escreve neste blog há mais de 3 semanas, o que constitui uma taxa de adesão na ordem dos 80%. O Departamento de Estatística e Outras Coisas com Números, esse organismo perfeitamente independente foi chamado a avaliar o impacto desta greve bloguística. Fala em 12, 8%. Lá arranjamos a costumeira “guerra dos números” só para nós…
É sempre a parte mais gira das greves, as famílias reúnem-se em frente aos televisores para saber de que tamanho será desta vez a diferença entre o que dizem os governos e os sindicatos. É quase tão emocionante como a final da Taça, só que neste caso ninguém percebe bem quem ganha. O resultado depende sempre da capacidade de persuasão dos dois auto-proclamados vencedores.
Eu dou sempre por mim a tentar perceber como é que contar a MESMA coisa pode resultar em cifras tão diferentes. Nunca fui boa nas contas, é verdade, e minhas memórias das aulas de Matemática estão um tanto ou quanto enubladas por força dos anos. Mas será a isto que os Matemáticos se referem quando falam em “números imaginários”?

17.5.07

"Jesus died on the cross to save you"


Esta e uma nota que uma aluna de uma amiga minha, professora da quarta classe aqui no Arizona, entregou a uma outra aluna. Eu nao tenho comentarios, talvez voces tenham.

A facadas

9.5.07

as gajas e os carros

"Ui!" - devem estar agora os gajos que leram o título desta posta a exclamar.
Para os gajos, "gajas e carros" não é uma combinação agradável, a menos que as mesmas se encontrem desnudadas ou em trajes menores em cima dos veículos - parados, pois então! - como as fotos que se encontram vulgarmente em calendários afixados em oficinas ou estabelecimentos afins. Quando falamos de gajas ao volante, os gajos pensam instantaneamente em "perigo". Irei começar esta posta, portanto, por esclarecer que 1) isso das gajas serem perigosas ao volante é um mito; 2) estatisticamente está provado que são os gajos que causam a maior parte dos acidentes de viação em Portugal. A única coisa que eu até poderei concordar é que os gajos têm, vá, uma ligeiramente maior aptidão para as manobras complicadas.
Porém, apesar de este ser sem dúvida um assunto pertinente e merecedor de uma posta futura, este pequeno desabafo que lêem não fala sobre gajas e carros em geral, mas sim sobre nós (As gajas) e os nossos carritos em particular.

É que parece que se abateu sobre nós um terrível azar automobilístico. A Gaja Mouca, por exemplo, viu em pouco tempo o seu querido Doutor Totó definhar e ficar sucessivamente sem travões, sem embraiagem, sem bateria e, mais recentemente, sem caixa de velocidades.
Até há bem pouco tempo, eu, a Gaja Manca, não tinha razão de queixa do meu pequeno Luís Filipe. Mas, há três semanas, tudo mudou. Uma gaja - essa sim, obviamente desajeitada - decidiu esquecer-se de travar e embateu com toda a força na traseira do meu lindo Peugeot 106, que, em consequência, se esborrachou todo contra o veículo da frente. Foi a morte do Luís Filipe.
Felizmente, a minha mãe pôde dispensar o seu Xico Late para que eu me pudesse deslocar diariamente ao meu distante local de trabalho. Durante três semanas, não houve percalços dignos de registo. Porém, ontem o azar voltou a bater-me à porta. Ao ir buscar o meu gajo (que estava apeado precisamente porque o seu CRido tinha decidido avariar no dia anterior - mais um azar automobilístico!), o Xico Late tossiu e parou-se-me em cima de uma passadeira. E não voltou a arrancar por nada deste mundo. Eu fiquei azul de fúria! Como é possível tanto azar?
Mal eu sabia que a situação iria piorar. No minuto seguinte, duas outras condutoras tiveram um acidente ali, à minha frente, e tentaram vender à polícia (que felizmente não lhes deu ouvidos) a história de que a culpa era minha (e eu, que estava ali paradinha com o carro bem sinalizado!). Eu, que já tive complicações que cheguem com seguradoras nos últimos tempos, nem quis ouvir nada do que as parvas estavam para ali a dizer.
Chegado o reboque, o condutor torceu logo o nariz ao ouvir o barulho que o Xico Late fazia. "Isto é mas é falta de gasolina". "O quê?" disse eu toda ofendida. "Mas o ponteiro ainda estava longe do zero e a luz da reserva nem sequer acendeu!". O que é certo é que eu, com um carro novo nas mãos, tinha decidido averiguar quantos quilómetros conseguia fazer com um depósito. E fiquei a sabê-lo da pior maneira. O maldito Xico Late tinha mesmo o indicador da gasolina descalibrado e esqueceu-se de me avisar que estava faminto. E assim fui humilhada perante o mundo como "a gaja-chamou-o-reboque-por-ter-ficado-sem-gasolina". Cada vez detesto mais conduzir!

O que eu acho é que os papelinhos com a "oração do condutor" e a figura do Menino Jesus de Praga que a minha avó me obrigou a pôr na carteira para me protegerem em viagem devem ter passado do prazo de validade!

4.5.07

FMI ou "o respeitinho é muito lindo..."

Esta é a posta que queria ter escrito esta terça feira. Não foi possível. Mas ela continua a fazer sentido nos outros dias de Maio, assim como nos outros dias do ano. Fica cá hoje.
É o José Mário Branco e essa grande tesourada na casaca dos portugueses. Chama-se FMI, foi escrito em 1979 mas podia ter sido escrito ontem!

2.5.07

Posta (a meu ver) absolutamente necessária

A menina facadas que me desculpe, mas vir aqui ao blog e ver sempre aquela cara assustadora andava a dar-me pesadelos...













Decidi pôr este espaço extra todo para garantir que não se veja nem a testa de cada vez que se abra a página!
Ufa!

28.4.07


The making of a star!

27.4.07

A Gaja que não acabou os estudos


Desde pequena que gosto muito de animaizinhos e plantas e ciências e essas coisas todas. Cheguei mesmo a pensar (que ingénua era) que podia ser investigadora em Portugal. Mas depois lá em casa não me deram a oportunidade de continuar os meus estudos - que as proprinas, já nessa altura, estavam pela hora da morte - e acabei por desistir. A minha prima que é dona do cabeleireiro lá do bairro deixou-me ir para lá lavar cabeças. Depressa aprendi a fazer mises e madeixas. Daí ao corte, foi um pulinho. Abri o meu próprio negócio, com a minha amiga gaja que é esteticista e cumprimos o nosso sonho: ter um salão de beleza! Sabemos da vida de toda a gente e ainda por cima ganhamos imenso dinheiro. A que mais na vida poderiamos aspirar?
Quando penso que por pouco não convencia os meus pápás a deixar-me ir para a Faculdade... A esta hora teria gasto preciosos anos da minha juventude em mestrados e doutoramentos e seria uma mal paga bolseira de investigação, sem direito a férias, nem a feriados, nem a baixa médica. Até chega a ser perigoso, não explicar aos jovens logo a partir dos 15 anos o que é o "Estatuto de Bolseiro de Investigação". É preciso tentar demovê-los desde cedo e fazê-los abandonar o gosto pela Ciência a todo custo, antes que seja tarde demais e caiam em desgraça. Eu sei destas coisas que lá no salão aparece de tudo, e chega-me lá muita mãe a chorar por ter o filho nas listas da FCT.
Outra das coisas horríveis que me podiam ter acontecido se tivesse estudado era seguir a carreira docente. Tenho vários amigos que se meteram nessa vida e digo-vos, aquilo é coisa mesmo triste! É vê-los todos os anos amarrados às listas de colocação, como quem consulta o obituário. Quando não estão desempregados, andam a correr o país como ciganos, a perder o juízo todinho numa escola qualquer.

Do que eu me livrei, Nosso Senhor Jesus Cristo!
Aprender NÃO compensa!

23.4.07

Diario de uma "camone"



Caras gajas:

A mente de uma gaja isolada do seu pais e cultura e uma tremenda caixa de surpresas. Como sabem a mana facadas esta a viver algures no deserto na fronteira dos EUA e Mexico. As diferencas culturais como sabem, ou pensam que sabem, ou imaginam, sao inumeras. Poderiamos ir por este caminho e escrever uma posta enorme que nao levaria a lado nenhum, mas nao vamos fazer isso. O objectivo desta posta e mostrar o quao estranho o coracao humano e, e o quanto este nos pode surpreender.
Sabado de manha estava a conduzir a minha Nissan pick-up verde fluorescente (que coisa tao americana) em direccao a reserva india que fica mais ou menos a uns 10 km da cidade onde vivo. Todos os meses faco esta viagem para ir comprar o meu abastecimento mensal de cigarros. Isto porque, neste pais, um maco de tabaco custa pelo menos uns 5 USD (aprox. 4 Euros), e na reserva india custa cerca de 3 USD. As razoes para esta discrepancia sao, mais uma vez, mais que muitas, mas isso fica para outro dia. O interessante e que ja em plena reserva india vi um sinal escrito a mao numa cartolina a dizer:

Our Lady of Fatima
Mexican Fiesta
April 21 & 22


Todas nos sabemos que sou uma gaja "catolica apostolica romana", mas seguramente todas as vezes que fui a Fatima fui "arrasatada" pela minha mae. No entanto, estando aqui, nao sei porque, veio-me uma nostalgia e alegria enorme a ver este singelo cartaz escrito a mao a anunciar a Mexican Fiesta da Nossa Senhora de Fatima. E mais com a nostalgia veio uma vontade enorme de ir a dita fiesta. Mas de boas intencoes esta o inferno cheio e... bem, como e obvio o episodio termina aqui.

A facadas

P.s.: Ja agora parece-me que a festa tera sido mudada do dia 13 de Maio para 21 de Abril, porque a 13 de Maio nao e possivel ter Mexican fiestas ao ar livre em pleno dia porque o calor e mais do que muito...

12.4.07

12 moradas de silêncio

Resolvi interromper a interrupção que involuntariamente fizemos no nosso percurso cortante para deixar um link.

Aqui.

É um blog, e é amigo, mas não é por isso que está aqui. É porque é bonito e vale a pena lá ir.

9.3.07

RIP


OK, desde o Natal tenho um ipod e estou viciada... Mas esta posta nao e sobre ipods... Hoje de manha caminhava desde o meu carro ate ao trabalho, ipod em shuffle mode, cigarro nos dedos... e de repente:


" I hear you skating on the ice

And wonder why you left me twice

The eerie sound of blade on lake

Cracks my skin and I fill with ache

But I don't want this heart

I don't need this blood "


E incrivel como as vezes a musica pop nos transporta para outro mundo, muda a luz, a cara das pessoas e nos muda a nos, nem que dure apenas os 2.30 minutos de uma bela melodia. Para mim este e um poder exclusivo da melhor musica pop, e poucos o fizeram com tanta simplicidade e beleza cristalina como os The Go-Betweens.

Assim que cheguei ao trabalho decidi investigar se tinha saido algum novo disco dos The Go-Betweens desde o ultimo e belissimo "Oceans apart". O que encontrei foi isto:





Nos ficamos mais pobres, tu... descanca em paz!

2.3.07

um salto mais alto

Queridas gajas, queridos(as) amigos(as)

Hoje vou falar-vos de sapatos de tacão. Tacones lejanos, como diria o outro. Pois parece que começa a estar na moda ver rapazes com este tipo de calçado. E não falo daqueles que se vestem de Mérilin Monroi para cantar os parabéns aos amigos, saindo de uma gigante Torta de Noz. Refiro-me a gente que no seu dia-a-dia até pode passar meio despercebida, com o seu outfit simples, roupinha barata, talvez até comprada na Humana (ai que isto hoje é só publicidade). E de repente, puff! Venha daí o tacão e cá vamos nós.

Sempre achei, mesmo sendo gaja, um grande incoveniente usar salto alto. Claro, pode ter as suas vantagens se queremos livrar-nos do namorado da nossa melhor amiga (todas nós vimos Jovem Procura Companheira). Mas não sou nenhuma bailarina para ter de andar em bicos dos pés. Também me assusta descer a Av. dos Aliados (assustava, porque agora aquilo é tudo betão armado) e tropeçar numa pedra da calçada. O equilíbrio necessário para fazer boa figura é enorme, e já todas sabemos como gosto de beber um ou dois copos de vez em quando. Ou seja, tacões para mim, jamé salomé, como diria a outra.

Mas e agora? Vai uma gaja tranquila a uma petite soirée com o seu téne Gola e vê um GAJO de salto agulha Prada??? Minhas amigas... não pode ser. Não podemos deixar que o nosso mundo continue a ser tomado por gajos. Eles já usam cremes anti-rugas, eles já usam cachecóis de tecido fino e côr lilás (vulgo, Gigis), eles já fazem depilação a laser e liftings, eles até já vão aos concertos dos D'zrt e sabem as letras da Floribella. Não podemos deixar que nos tirem a única coisa que julgávamos ser realmente nossa: os preciosos tacões.

Por isso um apelo: vão já a correr à Bata ou à H&M comprar uns sapatinhos de salto alto, nem que sejam baratinhos. Só para mostrar que, apesar de tudo, podemos ser mais altas!

Com amor
FriFri

1.3.07

23.2.07

coisas que li no jornal...

"A Madeira era uma das regiões mais pobres de Portugal, é hoje uma das regiões mais ricas. (...) Era uma ilha ignorada do Atlântico, é hoje um centro de turismo de luxo. (...) Calculo que os madeirenses se interessem pouco ou nada pelos métodos de Jardim, que os tiraram do isolamento e da miséria. (...) Os madeirenses votavam em quem lhes dava emprego, electricidade, estradas, saneamento básico, habitação... "

No jornal "Público" de 23 de Fevereiro de 2007


Afinal Alberto João Jardim é o maior e eu sem fazer ideia. Ainda bem que tenho esse incontornável vulto nacional da cultura/política/entretenimento, o Vasco Pulido Valente, para me chamar à razão quanto a esse assunto!

12.2.07

Assim sim!

Pela primeira vez na minha vida, votei em algo que ganhou!!!

11.2.07

A gripe e a abstenção

Tal como no referendo passado, é certo e sabido que também neste a abstenção favorecerá o "não". Por isso, suponho que os adeptos do "não" dêem graças a deus pela gripe que este enviou em altura tão propícia, que faz abarrotar de abstenção os hospitais e centros de saúde.
Nos 10 anos que levo de maioridade, nunca me abstive. E não o irei fazer amanhã, apesar de me ver confrontada com um grave problema: como me deslocar até à minha cidade natal e ao meu local de voto com 39ºC de febre resistente a benurões?
Deixo aqui um apelo: adeptos do "sim" engripados como eu, não pensem, baseados nas sondagens, que as contas já estão feitas! Façam um pequeno sacrifício e vão votar. Aqui ficam alguns conselhos:

1. Munam-se de lenços de papel (nada de pingar ranho para cima do boletim do voto; para além de ser possidónio pode esborratar e anular o vosso voto).
2. Assegurem-se de que conseguem abrir os olhos o suficiente para distinguir o "sim" do "não".
3. Tentem controlar os tremores e calafrios para que a mão não vos fuja e resvale para o quadradinho errado.

Será um pequeno sacrifício da vossa saúde e dignidade em prol da saúde e dignidade das mulheres do nosso país (peço desculpa por esta espécie de trocadilho foleiro, mas a minha imaginação, ultimamente já diminuída, encontra-se toldada q.b. pela febre).

8.2.07

Diário de uma gaja Mouca

Esta semana fui ao otorrinolaringologista. Reparem que poderia ter escrito simplesmente otorrino mas preferi escrever otorrinolaringologista para depois puder gabar-me de deter o record para a palavra mais comprida alguma vez escrita neste blog. E as outras gajas escusam de vir para aqui escrever Inconstitucionalissimamente, palavra que aproveito para deixar também aqui, só para garantir…


Mas deixando as divagações gramaticais e voltando ao assunto inicial - o otorrino. Por fora o meu ouvido pareça igual a qualquer outro, mas lá por dentro está (pelo visto) mais arruinado que os cofres do estado, mais destruído que Lisboa no final do terramoto de 1755. Prosseguindo com comparações estúpidas e perfeitamente escusadas, a senhora Otorrinolaringologista (casos de natureza tão séria devem ser resolvidos por gajas), quer armar-se em Marquês de Pombal e fazer uma reconstituição das minhas ruínas internas, de bisturi em punho!

Isto de transformar o meu ouvido na Baixa Pombalina, embora tenha o muy nobre objectivo de me transformar numa gaja mais saudável, isenta de doenças estranhas com nomes acabados em “oma”, tem os seus quês. Para começar, é já sabido que ficaria mais Mouca. Eu sei que ser Mouca é já uma espécie de imagem de marca, mas ficar ainda mais surda causa-me certa espécie…

Assim sendo, aquilo que à partida seria uma simples obra de beneficiação transformou-se num grande dilema para mim. Estou habituada a enfrentar grandes dilemas logo pela manhã, como sejam vestir saia ou calças, a côr da gigi, comer cereais ou antes umas torradinhas. Tudo dilemas da máxima importância, que resolvo sempre com elegância e eficácia. Mas como este ainda não me havia surgido nenhum, e isto está a ocupar-me uma parte significativa dos meus pensamentos diários.
Pelo acima exposto queiram desculpar-me o facto de não escrever postas sobre o aborto, nem sobre os grandes portugueses, nem sobre outros assuntos a pedido. Estou a pensar no meu umbigo, perdão – ouvido!



Nota: depois de uma breve pesquisa descobri que a maior palavra portuguesa é afinal, Pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico, que designa uma pessoa que sofre de Pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiose, uma doença pulmunar. Agora sim, o record é meu!

1.2.07

bacalhau

Caras gajas:

Uma gaja emigra. Como todos os emigrantes sente-se sempre essa coisa tao portuguesa a que chamamos saudade. Eu emigrei ja la vao mais de tres anos e este tempo todo a coisa de que senti mais falta foi do nosso belo bacalhau. Embora se encontre bacalhau um pouco por todo o mundo, nao imaginam o quao dificil e encontrar o nosso bacalhau salgado. Este e intimamente portugues e muito muito dificil de encontrar. Se nunca provaram bacalhau fresco, nao provem, e uma desilusao, faz o coracao de uma portuga encolher... Mas ontem, ontem finalmente encontrei uma pequena caixinha de madeira no supermercado. Na caixinha dizia 1lb of salted cod. Meninas, o coracao cresceu, as mamas queriam-me saltar do peito. Nao era um daqueles lindos peixes enormes abertos ao meio e empilhados ate ao tecto como vemos no Continente por altura do Natal, nem sequer enchia o supermercado inteiro desse cheiro tao tipico, mas gajas, finalmente me convenci desse dizer de sabedoria tao duvidosa: o tamanho nao conta!

30.1.07

Florifenómeno

Vamos fazer uma suposição. Vamos todos supor que a Floribella se transformava num fenómeno de marketing à escala nacional. Imaginemos que passariam a existir roupas da Floribella, cd's da Floribella, jóias da Floribella, atoalhados da Floribella, bolos da Floribella e até pastilhas elásticas da Floribella...

E se, porventura, um público sequioso de novidades exigisse a publicação de pérolas literárias tais como - por hipótese - "O Amuleto de Tomás" ou "A Descoberta de Carlota"...



...quantas expressões faciais diferentes conseguiria interpretar tão trabalhadeira rapariga, de forma a abrilhantar tamanha quantidade de capas?

25.1.07

Que é feito dela?

Como é do conhecimento (quase) geral sou uma verdadeira perita em esquecer os objectos pessoais nos mais inusitados locais. Os objectos mais sacrificados são as chaves - as chaves de casa, as chaves da outra casa, as chaves do carro, as chaves do gabinete. É por isso muito frequente ouvir alguém gritar-me:
- AS CHAVES!!
E eu nunca resisto à tentação de gritar, em resposta:
- O DINHEIRO!!

Por isso vos pergunto: o que é feito da amiga Olga??

15.1.07

Nip Tuck

Caras gajas,

Eu sei que passo a vida a mandar postas ao lado, mas nao posso deixar de dizer a todas que nao percam a estreia da serie Nip Tuck, hoje na TVI. Nao posso imaginar um programa mais indicado para nos gajas... "ao final das contas" a serie e sobre dois cirurgioes plasticos (e o So dotor Sean Macnamara enche os olhos de qualquer gaja) e as suas gajas desesperadas por uma boa duma cirugia. A serie e mesmo boa... tentem e se nao gostarem tentem mais uma vez ou duas... se depois disso nao estiverem viciadas entao alguma coisa esta muito muito mal no vosso intimo de gaja.

A facadas

5.1.07

genius knows genius





Doug Walker: What musicians would you like to work with that you haven't yet had the opportunity too?”

Matt Johnson: Hmm. (...) There’s really not many names that spring to mind. I’ve worked with most of the people I wanted to work with and there’s probably some I haven’t heard yet that I’ll probably love. Off the top of my head a duet with either PJ Harvey or the singer from Cat Power would be nice.

28.12.06

O que uma gaja quer...

... é ver os dois gajos mai lindos do mundo no mesmo filme.

21.12.06

diz que isto é um blog de gaja...

Reparei agora que passei 2006 a ouvir Gajos Mesmo Muito Barbudos



A bela excepção que confirma a regra é...


Eu não digo?

Estamos velhas!

20.12.06

Flip-flops

Gajas,

Todas nos ja reparamos no peculiar sentido (ou falta dele) de fashion do americano comum. Se uma gaja vai por uma das belas ruas das nossas cidades e ve alguem de sandalias e meias sabe com 99% de seguranca que essa pessoa e americana.

Pois como todas sabem este e ja o meu terceiro ano a viver numa "bela" cidade num deserto americano... Aqui, mais de 350 dias por ano temos sol. O frio e raro. De facto apenas ha duas ou tres semanas ficou frio. Entre Dezembro e Janeiro, a maioria dos dias oscila entre os 15 e os 0 graus celcius. Agora tambem e verdade que quando faz frio faz frio a serio. Que falta faz esse lindo mar para tornar o clima ameno...

Neste momento sao as cinco da tarde e la fora estao 8 graus celcius. Eu como boa menina que sou estava la fora a tremer de frio a fumar o meu cigarrito. Nesses cinco minutos vi duas coisas que acho que so aqui se veem:1) um marmelo de t-shirt, calcoes e flip-flops (vulgo chinelas), 2) uma gaja de gorro, luvas e cachecol e nos pezinhos umas simples flip-flops....

Digam-me gajas qual e a paranoia das flip-flops? Bem sei que e uma maravilha sair de casa e continuar de chinelas, e tipo nao abdicar do conforto de ter o pezinho ao leu, mas com um frio destes? Onde ja se viu?


A facadas

16.12.06

Adivinha



Ontem fui a um concerto lindo!!! De quem?

7.12.06

Breve colecção de factos que pretende demonstrar (e creio eu que demonstra) que os portugueses são limpinhos

Nós, portugueses, temos a ideia generalizada de que somos piores do que os outros em tudo. Um desses preconceitos é que somos, vá lá, porcalhões. De facto, quando pensamos nas nossas ruas, se calhar esta ideia tem uma certa razão de ser: cospe-se para o chão, espalha-se lixo por todo o lado, não se apanham os cocós dos cães, os gajos fazem xixi pelos cantos quando bem lhes apetece, vomita-se de nojo mal se entra numa casa de banho pública, enfim, tudo coisas que fazem certamente arrepiar a pele a um escandinavo que cá chegue sem ter lido o capítulo "Quick facts about Portugal" do seu guia Lonely Planet. No entanto, basta visitar Madrid, por exemplo (ou Amsterdão - nunca lá estive mas sei isso de fonte segura) para se perceber que, se calhar, as nossas cidades até estão muito aquém do nível máximo de porcaria que uma metrópole pode suportar.

Mas quanto à higiene pessoal, minhas amigas, desdramatizemos: poucos povos se poderão orgulhar de ser tão lavadinhos como nós. Vamos aos factos:

- conheço, como é lógico, muito mais pessoas portuguesas do que estrangeiras; no entanto, as três pessoas mais malcheirosas com quem já convivi são um inglês, um irlandês e um argelino (a bem dizer, não conheço o argelino pessoalmente, mas o meu nariz já conviveu com ele o suficiente; e há que se lhe fazer justiça: o inglês anda muito melhor desde que casou com uma portuguesa).

- claro que também há portugueses malcheirosos, mas enquanto assim de momento só me lembro de um ou dois, poderia citar muitos outros exemplos estrangeiros de odor corporal desagradável, incluindo holandeses, alemães, belgas, franceses e americanos. Isto sugere que a taxa de pessoas malcheirosas (TPMC) é muito mais elevada fora de portas.

- curiosamente, até à data não tenho grande razão de queixa de espanhóis ou italianos, pelo que suspeito que a tendência para uma baixa TPMC é característica dos países mediterrânicos. Claro que quando se atravessa o estreito de Gibraltar a história é outra, como as gajas bem se recordarão!

- embora predominante, isto não é uma característica exclusiva dos gajos. Na realidade, em tempos conheci uma austríaca que disse com um certo tom de desdém que nós, portugueses, tomávamos banhos a mais.

Mas a história não se fica por aqui. Analisemos a situação da limpeza dentro das nossas casas. Os portugueses têm uma verdadeira obsessão por este assunto. Dona de casa (e dono também, não me digam que essas coisas são mariquices de gaja) que se preze tem a casa num brinquinho. Eu própria sofro por vezes por não poder manter o meu lar-doce-lar à altura - infelizmente, partilho o meu espaço vital com dois felinos que parecem sentir um especial prazer em sujar o que acabei de limpar. Há algum tempo, li algures que os portugueses dedicam mais não-sei-quantos-porcento do seu tempo às tarefas domésticas do que os habitantes do norte da Europa. Em concordância com este facto, o pouco que conheço do estado higiénico das habitações por esse mundo fora sugere-me que, mais uma vez, os portugueses se destacam pela positiva.

Estou orgulhosa comigo mesma: reparem que, não deixando de cortar na casaca de alguém, até consegui inaugurar uma nova tendência aqui no blog - a de dizer bem por comparação. Ah! E por favor não me acusem de xenofobia ou outra coisa do género: como poderão constatar, segui um raciocínio perfeitamente lógico e científico, à prova de qualquer preconceito. São os factos que falam, minhas amigas!

1.12.06

Poder de gata



(Descupem a falata de acentos mas o meu lindo MacBookPro nao tem acentos...)

Esta e uma posta de trauma para algumas de nos gajas.
Antes do mais, Chan Marshall, tem um poder unico de parar o tempo. A sua voz e tao grande que me faz imaginar que estou envolvida em algodao doce... Eu sei, eu sei, isto parece uma posta plagiada de uma novela cor de rosa da Danielle Steel. Mas e a mais pura verdade, para mim, que nem sou dada a musica "melada", nostalgica, urbano sentimentalista etc.., Cat Power tem um poder estranhissimo.
Posto isto, pouco tempo depois de ter partido para o exilio, a menina finalmente decidiu dar um concerto em Matosinhos. Obviamente tentei convencer as gajas que ainda residiam na Patria a irem ver o concerto. E elas foram, nao me lembro se apenas foi uma gaja ou se foram duas gajas mais o senhor V. Resultado: As gajas sentiram que aquilo nao foi um concerto mas um ultraje... A menina estava podre de bebada, mal disposta e dizem as gajas nao cantou uma unica musica do principio ao fim. Foi um happening de Drunken Power e nao um concerto de Cat Power.
Recentemente, ja depois da edicao do fabuloso The Greatest, Cat Power esteve aqui nesta cidade no meio do deserto onde estou desterrada. Depois de muito conflito interno decidi que nao iria a um concerto para me arriscar a ver um nao concerto. As minhas amigas deserticas que foram, amaram o concerto. A menina nao fez fita, tanto que tinha com ela uma Big Band que nao a deixava brincar... mais, deu um concerto memoravel e foi uma pessoa super comunicativa, doce e ate decidiu juntar-se ao publico para cantar. Foi um espectaculo de Ganda Power.
Nao se faz nao se faz...
E agora vai estar de novo em Portugal, este fim de semana.
Eu diria... Vao gajas vao... Bom ou mau sabem que vai ser unico...

E desculpem esta posta assim tao sem interesse. Depois deste hiato enorme, e depois de me ter demitido oficialmente do blog. ...Mas ainda sabia a password e senti que teria de vos tentra convencer a ir ver este Greatest concerto. Este nao e um regresso meu ao Blog... e apenas um Accident Power...

Jocas da facadas...

28.11.06

Correio Electrónico

De: Júlio Investigações
Para: Gaja Mouca

Oi como vai tudo jóia !
Oi como vai estou lhe enviando esse e-mail pois acho que você , não recebeu ele da outra vês que eu o enviei ,nem queria ter que fazer isto. estou até meio sem jeito de não poder te falar pessoalmente, mais me sinto na obrigação de te avisar, não sei se você já fico sabendo por outra pessoa ou não sabe ainda que a pessoa que você confia e ama esta lhe traindo... É difícil de acreditar numa historia dessa mais como as imagens valem maisque as palavras, estou te enviando fotos , para você ver com seus próprios olhos .



De: Gaja Mouca
Para: Júlio Investigações

Amigo Júlio:
Por aqui tudo jóia, obrigadinha. Espero que consigo também esteja tudo bem. Em primeiro lugar cá vai, completamente à borla, um conselho de amiga: faça um esforço para melhorar esse seu português. É que o facto de não ter posto uma única vírgula no seu devido lugar pode abalar a sua credibilidade, que na sua profissão é bastante importante.
Por outro lado, devo confessar que me foi difícil resistir à tentação de ver as fotografias que me endereçou. Não o fiz, obviamente, pois o meu computador anda imunologicamente muito fraquinho e qualquer virose pode ser-lhe fatal. Mas a estratégia é boa, amigo Júlio, e estou convencida que funcionará razoavelmente bem quando aplicada a namoradas/namorados/maridos/esposas/amantes que sofram de ciúme compulsivo.
No entanto, no caso de uma gaja descomprometida como moi même, as suas mensagens erram o alvo, acabando por cair em saco roto. Recomendo-lhe por isso que não volte a despender o seu precioso tempo com a minha caixa de correio electrónico. Já agora, se esbarrar por aí com os senhores seus colegas do “enlarge your penis", explique-lhes por favor que não possuo um (razão pela qual também não estou interessada em comprar Viagra).
Devo contudo confessar-lhe que achei a sua abordagem algo inovadora no mundo SPAM e merece, por isso, todo o meu respeito. Continue o bom trabalho!

24.11.06

Vais mais uma prova da inexorabilidade do tempo?

Ah pois é...
Chama-se Frances Bean e é a filha de Kurt Cobain!

A idade das coisas

Uma gaja chega aos 30 e leva as mãos à cabeça. Começa a comprar cremes anti-rugas, a tricotar e a dizer “no meu tempo”. Não que fale por experiência própria, que ainda não tenho 30 anos. No entanto já não tenho direito a ter um cartão jovem, o que constitui um sinal dramático. Vivo naquela espécie de limbo que causa confusão às senhoras dos balcões, que vão alternando as “meninas” com as “senhoras” numa grande indecisão. Para já ainda tenho alguma tranquilidade em relação à passagem do tempo. Depois logo se vê, como lidarei com os pés de galinha e os cabelos brancos.

A idade é coisa relativa. O meu gato, por exemplo, ainda não tem 6 anos e o seu grau de senilidade é já tão avançado que arranca o próprio pêlo à dentada. O meu carro, com o dobro da idade do meu gato, precisa de tanta intervenção cirúrgica, tanto transplante, que diria que o auge da sua vida activa já passou há muito. Estão velhos, tanto o gato como o carro.

E os blogs? Qual é o tempo de vida de um blog? A partir de que idade pode um blog ser considerado idoso? O “gajas no corte” fez dois anos este mês. Desta vez não se escreveu posta de aniversário nem se comemorou a efeméride. As gajas esqueceram-se da data, qual marido insensível que se esquece do aniversário do casamento.
Será que, tal como acontece com as gajas, a determinada altura a contagem pára? Ou estaremos no limite da nossa longevidade bloguística? Estaremos nós com os pezinhos para a cova, na iminência de fechar o tasco? Digam-me, amigas gajas, dois anos já chegam?

16.11.06

A propósito desta posta:

Era o único lugar para deficientes naquele piso do parque de estacionamento.
Dois carros competiam por ele.
Os seus ocupantes, de vidro aberto, trocavam feíssimos insultos.
Um deles esgrimia o dístico de condutor com deficiência, como prova suprema da sua razão.
O outro também.

13.11.06

VENDO

Apartamento de assoalhada e meia no centro do Porto, perto da Torre dos Clérigos, a cinco minutos da Ribeira para quem vai a descer ou a 15 para quem vai a subir.

Próxima do maior centro de transacção comercial do Norte, a Feira da Vandoma.
Vários serviços próximos: tascas, agências funerárias e uma sede do PS. E ainda um sapateiro tradicional, que mantêm na parede um calendário desde 1963, com a Brigitte Bardot meia desnudada.

Rua com animação diária garantida, incluindo porrada pelo menos uma vez por mês.
Animação musical ao fim de semana, a partir das oito da manhã. Animação extra em dias de jogo do FCP, a cargo dos Ultras da Cordoaria.
Periquitos, cães, peixeiras, bêbados, amoladores, carros do lixo e mães insultando seus filhos da janela, tudo incluído no preço do imóvel.

No caso de não haver interessados na compra efectiva, troco o apartamento por um local onde possa dormir descansada.

Respostas para este blog.

24.10.06

As coisas que uma gaja aprende...

Qual o país com mais mulheres eleitas “Miss Universo” per capita?

Esta foi uma das perguntas que me saiu no Buzz, aquele jogo da PlayStation, uma espécie de concurso apresentado por um bonequinho histérico, de cabelo amarelo, que seria igual ao Herman José se ele tivesse menos 80 Kg, mas que tem a voz do Jorge Gabriel. Podia ser pior. Podia ter a voz do próprio Herman e cantar canções do Frank Sinatra entre cada uma das perguntas. Venha de lá o Jorge Gabriel, do mau o menos.

Mas voltemos à problemática das “Miss Universo”. Umas das hipóteses de resposta era Venezuela, ou México, ou um outro país assim do género. Eles realmente são grandes produtores de misses. Gajas que as televisões locais aproveitam para protagonistas daquelas telenovelas horríveis e intermináveis, que depois, anos mais tarde, são adaptadas para Portugal, para dar emprego às nossas misses (que nunca chegam a Universo) e a essa gente toda da Operação Triunfo e dos Ídolos e assim. Mas na América Latina aquilo é muita gente. São mesmo muitos, eles. É terra onde nasce muita criança. Mesmo que ganhem o concurso de Miss Universo quase todos os anos, per capita é capaz de não dar grande coisa - exclui logo essa hipótese.

Acabei por responder Trindade e Tobago, a hipótese b. Convenhamos que se Trindade teve de se juntar a Tobago para aquilo ser um país que se veja, então é porque não é muito grande. Até aposto que, se não fossem os concursos de Miss Universo, a maioria das pessoas nem sabia que existia um país a chamar-se Trindade e Tobago. E também não me custa a crer que lá existam gajas giras. Afinal não é nas Caraíbas? É suposto nas Caraíbas haver gajas giras e praias e palmeiras. Se formos a ver, Trindade e Tobago até acaba por ser bem pertinho da Venezuela. A nado deve chegar-se lá num instante. Se calhar há muitas gajas giras de Trindade e Tobago a nadar até à Venezuela para participar nos castings da Floribella lá do sítio. Nem é preciso ser muita gira. Basta dizer, com uma mão na anca, “Soy de Trinidad e Tobago” - causa logo impacto!

Voltando ao Buzz, respondi Trindade e Tobago e apareceu logo o Jorge Gabriel a mandar vir. Resposta errada. A resposta certa, imaginem vocês, seria Islândia. Mas a Islândia tem gajas giras? Na verdade não conheço nenhuma islandesa para além da Björk. Tenho ideia que devem ser todas uma mistura de esquimó com escandinava. A Björk saiu mais para o esquimó. Que me perdoem os fãs, a miúda até pode ter muita pinta (que até tem!), mas a Björk não é gira. E também nunca podia ser Miss. Não deve medir mais de metro e meio e tem os dentes tortos. Nunca imaginei que a Islândia tivesse mais Misses Universo per capita que qualquer outro país. Mas até faz sentido. Por causo do per capita, lá está. Aquilo é país para ter mais gelo que outra coisa. E para o pessoal que tem frieiras e sofre de má circulação é capaz de ser tramado. Eu debandava logo. Por isso devem ser pouquinhos, lá na Islândia. Basta uma ou duas gajas giras e per capita é logo uma multidão, dispara logo no ranking.

Mas enquanto estava a jogar não se me ocorreu isto, e o Jorge Gabriel virtual também não nos deixa muito tempo entregues ao raciocínio... Uma chatice! Perdi 250 pontos com esta pergunta!

16.10.06

Qual é a coisa, qual é ela?

Quem escreveu isto?

"NASCI aos 2 de Fevereiro de 1939, na Figueira da Foz. Tive infância caprichosa e bem nutrida, no seio de uma família fortemente dominada pelo espirito, chamemos-lhe assim, da 1 ª República. Escusado será dizer que abundavam os dichotes anti-clericais, muito embora o meu pai desejasse que eu viesse a seguir a carreira eclesiástica. Em suma: não se percebia nada. Pelo menos à primeira vista. Por volta dos 16 anos, fixei-me com a família em Lisboa, para poder prosseguir a minha medíocre odisseia liceal. Instalado no colégio do dr. Mário Soares, acabei por ser expulso ao contrair perigosíssima doença venérea. Pensei, então, que entre a política e as fraquezas da carne devia existir qualquer obscena incompatibilidade e nunca mais fui visto na companhia de políticos. Tendo finalmente conseguido dissipar toda a fortuna na satisfação de brutais apetites, o meu garboso pai veio a falecer vitimado por cruel ataque cardíaco, deixando-me, perplexo e sem um chavo, a coçar a cabeça. Era chegada a hora de dar o corpinho ao manifesto, como a maior parte das pessoas. Filho que era de meu pai, atravessei senhorialmente muitos e variados empregos, mas em breve me apercebi que já não podia olhar o mundo da mesma maneira. Fui até Paris para ensaiar até onde me era possível ir. Não me era possível ir muito longe. Meses depois, «ayant connu pas mal de choses», era repatriado."

Não vale espreitar ao google...

13.10.06

OK teleseguro gaja

Há um pacote da OK teleseguro especial para Gaja. Por um lado achei meritório por parte destes senhores reconhecerem que as gajas são as suas melhores clientes. Porque somos constantemente acusadas de azelhice (embora não haja fundamento científico para esta assunção) mas ser azelha poderá, porventura, provocar alguns riscos e pequenas amolgadelas, mas não provoca acidentes graves. Já os gajos (vá, alguns gajos) parecem intrinsecamente incapazes de cumprir os limites de velocidade e não fazer ultrapassagens, característica que os torna o terror de qualquer companhia de seguros. No entanto, dei-me ao trabalho de fazer duas simulações aqui, alterando apenas a variável sexo e descobri que o OK teleseguro gaja é apenas e só 3 euros mais barato – o que é manifestamente pouco... As gajas mereciam mais!

Mas na verdade gostaria de vos falar do anúcio publicitário do OK teleseguro gaja. Aquele em que aparece um mecânico giro, um homem do reboque giro, um polícia giro. Tudo gente disposta a ajudar uma gaja em apuros. Ora isto é publicidade enganosa. Poderão os senhores da OK teleseguro garantir-me que da próxima vez que o meu carro ficar sem embraiagem, em vez de me mandarem aquele senhor obeso de bigode (de palito no canto da boca e tudo), me mandam o moço do anúncio? Não me parece… E polícias giros? Os polícias giros são como os pilhões, toda a gente sabe que não existem. Se alguém conhecer um exemplar ponha o dedo no ar, ou melhor, escreva um comentário aqui no blog. Não se pode iludir assim as mulheres deste país… E para terminar o anúncio, um toque final, a já famosa Marta com aquele sorrisinho cúmplice como que a dizer “quem é amiga, quem é?”. Ó Marta, filha, tem juízo!

10.10.06

RUM

Nascida e criada em Viana do Castelo, habituei-me desde cedo a julgar que tudo que vem de Braga é potencialmente mau (que me perdoem os meus amigos bracarenses - Cris, Nuno, gosto de vocês na mesma).
Não espero compreensão dos leitores oriundos de outras partes do país quanto a esta quezília regional, mas as questões da rivalidade minhota estão-me no sangue...
Esta gente veio deitar por terra todas as minhas teorias. Tornaram-se companheiros de viagem indispensáveis, agora que passo horas ao volante entre Viana e Montalegre. Pronto! Eu admito tudo - afinal Braga tem coisas (muito) boas!

9.10.06

50 foot Queenie

Existe uma expressão que define perfeitamente a regularidade com que actualizamos este blog nos últimos tempos: é quando o rei faz anos! Neste caso, e para não descurarmos da nossa atitude feminista perante o mundo, quem faz anos hoje, senhoras e senhores, é a Rainha!
Polly Jean Harvey nasceu a 9 de Outubro de 1969 e em boa hora deixou a quinta onde cresceu para se tornar nesta radiosa estrela do rock!
Se pretendêssemos exaltar um modelo masculino, poderíamos tê-lo feito na semana passada, altura em que Sua Majestade Thom Yorke completou os seus 38 anos (quem diria, o nosso pequeno zarolho já vai quase nos 40). Mas não. Este é um blog de gaja, a nossa musa será uma gaja, a Gaja! Salvé a Rainha! Ela própria o diz, coberta de razão: "I’m one big queen, no one can stop me".

10.9.06

To Kalé, with love

Queiram os caros leitores desculpar-nos estes nossos períodos de ausência. Eu pessoalmente, tenho andado raladíssima com o meu bichano que arranjou uma doença metal – a dermatite psicogénica – e todos os dias me debato com o dilema “será ou não legítimo administrar anti-depressivos a um gato”, o que me deixa mentalmente esgotada! As restantes gajas têm também seus afazeres e preocupações das mais diversas naturezas, não tendo sido possível actualizar o blog com a assiduidade que todas desejaríamos.

Mas a quem devemos mesmo um pedido de desculpas é ao nosso muito querido colaborador e fidelíssimo amigo Monsieur Karl Lagerfeld, que completou este fim de semana mais uma magnífica Primavera, sem que a efeméride tenha sido devidamente assinalada neste blog. E Kalé bem o merece. Quem mais nos poderia surpreender com postas como esta ou esta? Relembro aqui um dos meus excertos favoritos, como breve exemplo da sua genialidade:

Diz-me o charming Rufus Wainwright ao ouvido um destes dias: «Kalé, dear, I’m so fucking tired of being an American gay messiah in this Bush’s Jesusland; I swear one of these days I’ll move to Portugal to rock what’s still left of my brains out». Retorqui-lhe que sim, que ma chambre serais toujours sa chambre, que rien jamais nous manquerais s’il choisissais venir – com o que a primadonna rematou: «and I always wanted to know what it’s like to live in a monarchy».

Deixamos pois a nossa sentida homenagem a esse mito da haute-couture. Bem haja, caríssimo! O nosso singelo presente segue aqui!

4.9.06

interesse público

Perante as ameaças da FIFA, a Federeção Portuguesa de Futebol vai invocar o interesse público "de forma a repor as deliberações da Comissão Disciplinar da Liga Portuguesa de Futebol Profissional e do Conselho de Justiça".
Foi isto que li aqui. Não sei muito bem o que quer dizer. Até já tentaram explicar-me isto do caso Mateus, mas sem sucesso. São demasiadas variáveis para o meu cérebro de gaja. Mas retive uma expressão: INTERESSE PÚBLICO. É claro que os campeonatos de futebol têm interesse público. Assim como, passo a enunciar:
  1. a tertúlia cor de rosa do programa da Fátima Lopes
  2. a banda da Praça da Alegria
  3. as saias da Floribella
  4. o Manuel Luís Goucha
  5. o frango da Guia
  6. os discos do Tony Carreira
  7. o consultório sentimental da revista "Maria"
  8. o Noddy

Moral da posta: nem tudo o que luz é ouro, nem tudo o que é adorado por milhares de portugueses é de interesse público...

15.8.06

Um ano depois...

Sim, foi exactamente há um ano que aconteceu a desgraça que me forneceu o pseudónimo. A foto da esquerda foi tirada cerca de uma hora depois da queda e não revela nem por sombras aquilo em que o pé de uma gaja se consegue transformar depois de sofrer uma ruptura de ligamentos. A foto da direita foi tirada hoje e serve para demonstrar que o pé está bom e recomenda-se.
Lembrei-me que esta seria uma boa ocasião para vos pedir um favor. Amigas, parem de me chamar manca! Se, por uma questão de coerência com o nome dado à gaja mouca, ainda quiserem adjectivar-me com base nas minhas deformidades físicas, lembro-lhes de que têm muito por onde escolher: gaja míope, gaja estrábica, gaja com escoliose... isso ficará ao vosso critério. Mas manca, nunca mais!

7.8.06

Ai meu lindo Agosto

Agosto é aquele mês horrível em que toda a gente está de férias. Milhares, senão milhões de portugueses encaminham-se para as mais variadas estâncias balneares aquém e além fronteiras e até para o Algarve. Neste remar contra a maré que é nosso apanágio, as gajas continuarão, no entanto, a trabalhar. E a contorcer-se de dores naquela região do corpo que liga o braço ao antebraço. A algumas das gajas resta a mísera consolação dos seus gabinetes com ar condicionado. Eu tive de me mudar para o Interior Esquecido e Ostracizado (IEO). De uma forma geral, sobrevive-se razoavelmente bem no IEO, embora às vezes me pergunte se alguma força suprema não terá mudado esta parte do país lá para os lados do equador, tal é o calor que se faz sentir. Também há muito calor humano, graças a deus! Se o Interior fica Esquecido durante todo o ano, é em Agosto que todos se lembram dele. É a altura em que todas as aldeias e vilas Ostracizadas recebem seus pródigos filhos de braços abertos e ao som da Ana Malhoa, do Tony Carreira e de muitíssimos outros obscuros agrupamentos musicais que a maioria da população portuguesa tem a felicidade de desconhecer.

Mas, perguntam vocês (e cheios de razão), onde queria eu chegar com isto tudo? É que esta minha nova condição irá ditar o meu afastamento temporário da blogosfera. Nas minhas anteriores expedições, costumava recorrer a um destes estabelecimentos denominados “espaço Internet”, criados com o muy nobre desígnio de levar as novas tecnologias à desfavorecida população do IEO. No entanto, no belíssimo mês de Agosto este sítio encontra-se completamente atulhado de turistas, desses que acham piada a viajar para sítios exóticos como Trás-os-Montes para praticar Parapente ou Canyonning e outras coisas verdadeiramente radicais. Eu acho que o facto de cá terem chegado é, por si só, já bastante radical, mas isso agora não interessa nada. O que interessa é que nunca há lugares disponíveis para biólogas desterradas em trabalho de campo.
Mas prometo que se tiver oportunidade passo por aqui para contar as novidades das terras do Padre Fontes. Fica então combinado!

25.7.06

Ana Mamalhoa (ou a fonte inesgotavel do corte)

O título diz tudo. Esta pérola veio parar-me às mãos (ou ao ecrã do meu portátel) e desde então sou uma gaja diferente. Porquê? Porque nunca mais precisei de me esforçar para fazer o que mais gosto: cortar. Quando não há outro assunto, corta-se na Ana. Então vamos por partes:

1. Site. Por si só, é genial. O rosa, as estrelas, a foto, a publicidade à FHM. Desculpem lá gajos... mas vocês compram mesmo uma revista que está "buéréré"?

2. Biografia. Tirando os erros gramaticais, até gostei de ler. Ao longo do texto vamo-nos apercebendo de que Ana é uma pessoa fantástica, talentosa, simpática, famosíssima e latina. Que mais pode um gajo querer?

3. Discografia. É de louvar o esforço que Ana sempre dedicou à sua imagem. A quantidade de roupa que mostra vai variando na razão inversa da quantidade de silicone nas suas mamocas. O meu favorito: Hot Reggaeton by Lil' Queen. Sim, estávamos a precisar de mais uma branca com a mania que é preta. E não esqueçam: foi Ana quem introduziu o Reggaeton em Portugal!

4. Fotos. Hmmm.... é mesmo preciso dizer alguma coisa? É. É preciso dizer que esta GAIJA BOUA era o ídolo de milhares de crianças do nosso Portugal. Que agora são adolescentes: enquanto os rapazes esgalham o pessegueiro com as fotos, as raparigas querem ser iguais a ela.

5. VIP. Não percebi que parte disto é VIP. Será o senhor Hussein que toca baixo e usa bigode e permanente, aposto. Ah não, é porque Ana grava num "record studio" (fica sempre bem dizer em inglês, mesmo quando não é preciso).

6. Links e Contacto. Acho que estão ali só pra encher. Gostava era que a secção Vídeo estivesse disponível. É desta que Ana começa a fazer filmes porno?

Por TODAS estas razões (e muitas mais haveria mas não quero fazer este post ainda mais longo) acho que Ana devia ter direito a uma estátua no centro de uma praça de Portugal, o seu nome numa rua, um feriado nacional em sua homenagem e ser sepultada ao lado da Amália. Já fiz a minha parte. A partir de amanhã posso sair à rua com uma t-shirt a dizer "I f***ed Ana Malhoa"


"Eu quero ouvir essas palmas!!" (by Ana)

Sempre vossa
FriFri

14.7.06

Let's do it for the kids

Não é fácil ser-se Presidente da República em Portugal. É preciso ter uma boa dose de imaginação para manter-se sob as luzes da ribalta e parecer ocupado durante 5 longos anos. Existem alguns governos que resolvem colaborar metendo água, dando assim a oportunidade ao PR de fazer alguma coisa com real importância. Mas em condições ditas normais é preciso inventar qualquer coisa que os faça sair de Belém, calcorrear o país, beijar criancinhas e aparecer nas televisões, não dando aos portugueses oportunidade para se esquecerem da sua existência. Se Sampaio teve as suas presidências abertas, Cavaco Silva apresenta o seu "Roteiro para a Inclusão". Foi esta a maneira que o actual PR arranjou para manifestar a sua preocupação com os excluídos, os toxicodependentes, os pobrezinhos, as mulheres e as criancinhas mal tratadas. Só lhe fica bem a caridadezinha, a ele e à Santa Casa da Misericórdia. O que já não lhe fica tão bem é apelar ao "espírito cristão de dávida e serviço" ou sugerir que os pais que se divorciam pensam primeiro na sua felicidade e só depois na dos filhos. E para que não seja acusado de conservadorismo ou tradicionalismo bacoco, lá refere um estudo que diz que o risco de pobreza sobe para o dobro em famílias monoparentais. Pois claro, com uma segurança social em falência, com os custos da educação e da saúde, mesmo no sistema público, acredito que seja realmente complicado criar um filho sozinha(o). Mas Cavaco Silva tem a solução: não se divorciem (ou se forem solteiros, casem-se) e acabem com essa modernice das famílias monoparentais. Vá lá, façam-no pelos miúdos!

11.7.06

O aveirense mais famoso

No passado domingo, vi na televisão uma reportagem sobre o concelho de Cinfães, em que, a certa altura, mencionaram o cinfanense mais conhecido de todos os tempos, Serpa Pinto.
Tomada pelo ímpeto regionalista de que sofro ocasionalmente, decidi dedicar-me ao exercício de escolher o aveirense mais famoso. Foi difícil chegar a uma conclusão. Muitos dos nomes que me ocorreram apenas são famosos na própria cidade. Por exemplo, qualquer filho da terra reconhecerá o nome do republicano José Estêvão, do anti-fascista e escritor Mário Sacramento ou mesmo do Atita, a popular figura que ensinou metade da população de Aveiro a nadar, ali mesmo num braço da ria. Mas a verdade é que, por mais famosas que sejam entre os habitantes da cidade dos moliceiros, estas personalidades são ilustres desconhecidos para o resto do país.
Lembrei-me também de aveirenses emprestados, pessoas que, já em idade adulta, desenvolveram uma ligação especial à terra. Para além da princesa Santa Joana, a padroeira da cidade, o mais famoso desta categoria é, sem dúvida, Paulo Portas, que decidiu inventar uma ligação a Aveiro (chegou ao cúmulo de se tornar sócio do Beira-Mar, vejam lá) para conservar o distrito como o último reduto do CDS/PP. Obviamente, estes também não contam.
Já me estava a ver a desafiar-vos, amigas gajas, a apresentarem um conterrâneo de que se pudessem orgulhar tanto como eu do Zeca Afonso ou do Fernando Pessa. No entanto, a minha consciência obrigou-me a excluí-los. A verdade é que ambos saíram de lá em tenra idade, basicamente para não mais voltar, sem criarem grandes laços à terra. Certamente nem se lembravam de lá ter vivido. E enfim, se o critério fosse apenas a naturalidade, então eu própria, que tive a maldita sorte de ir nascer a Coimbra, não era aveirense, o que é um insulto! Em minha opinião, para se ser de Aveiro é preciso ter crescido na cidade, ter sido educado por ela.
Reduzidas as possibilidades, detive-me um pouco a pensar em Paulo Pedroso, mas achei que este político já gozou de toda a dose de fama que algum dia conhecerá e que dificilmente voltará à ribalta…
Já estava em desespero de causa (onde é que já se viu, Cinfães ter gerado uma pessoa famosa e Aveiro não?), quando se fez luz… e que terrível luz! Senhoras e senhores, apresento-vos o aveirense mais famoso, pelo menos o mais famoso de que me consegui lembrar…


Por favor, cibernautas aveirenses (e não só!) que venham cá parar, alguém se lembra de outra personalidade que destrone este senhor, que nem uma tinta para o cabelo em condições sabe escolher?

7.7.06

Última posta sobre futebol

"Se o Portugal perder os jogos que lhe faltam a culpa será desta posta!!!" - Isto exclamava o Senhor Tudo no Seu Devido Lugar, qual vidente, a propósito da nossa última publicação. Isso de facto aconteceu, mas não queremos essa responsabilidade para nós. Não somos culpadas. A culpa vai inteirinha para a personalidade esquizofrénica da Nossa Senhora. Isto de desmultiplicar-se em milhares de variações regionais, ele é a Nossa Senhora de Fátima, a Nossa Senhora do Caravaggio - só para citar aquelas que ultimamente estão mais em voga - tinha de trazer problemas, mais tarde ou mais cedo. Esquizofrenia pura, é o que vos digo.
Se pensarmos nos possíveis traumas de Nossa Senhora, vemos que não é para menos - se eu fosse assim excluída da Santíssima Trindade também arranjava uma doença mental séria. Isso não se faz a uma gaja, agora que a aturem o Pai mais o Filho e o Espírito Santo. Mas ao menos que não a deixassem imiscuir-se em assuntos da bola.
A influência da Mãe de Cristo é tal que qualquer país com tradição futeboleira adora a Virgem em alguma das suas múltiplas vertentes. Quanto maior é fervor futebolístico, maior o número de Nossas Senhoras, salvo raras excepções. O Uruguai, por exemplo, primeiro campeão do Mundo, deve tudo à Nossa Senhora do Trinta e Três; aos brasileiros nem a Nossa Senhora da Aparecida mais as 356 versões nacionais da Virgem lhes valeu este ano!
Para hoje está marcado o duelo entre as versões Nossa Senhora do Loreto e Nossa Senhora de Lourdes. Enquanto os italianos se congratulam por deter em seu território a casa onde Nossa Senhora viveu, que voou misteriosamente de Nazaré até Loreto, os franceses trazem consigo a vantagem de ter a sua aparição da Virgem certificada pelo Vaticano! Mas este selo de garantia papal não significa uma vitória fácil dos gauleses. Veja-se como ontem Nossa Senhora de Fátima, também ela devidamente certificada e muitíssimo respeitada nas mais altas instâncias da igreja católica, perdeu com a sua quase desconhecida congénere alemã, a "Mãe, Rainha e Vitoriosa Três Vezes Admirável de Schoenstatt". Reparem bem: três vezes admirável. Repito: três. Não há coincidências, meus amigos, não há coincidências!

2.7.06

“Obrigada Nossa Senhora de Fátima” ou “O Anjo” ou “A Quarta Posta Seguida Sobre Futebol”

A Nossa Senhora de Fátima é uma gaja influente. Só alguém em muito boa conta lá em cima poderia ter sido responsável pelo desvio da trajectória do sol algures na Cova da Iria, ou por fazer três pastorinhos até então desconhecedores da existência da Rússia anunciar a sua conversão.
Na actualidade, a mais portuguesa das divindades continua a dar cartas, senão vejamos: após o feito heróico de impedir que a mancha do Prestige chegasse à nossa costa, Nossa Senhora atingiu ontem um novo ponto alto na sua carreira, ao conduzir Portugal à vitória sobre Inglaterra. Segundo declarações de Gilberto Madaíl, é ela a grande responsável pelas defesas de Ricardo. Há inclusivamente quem defenda que quando Ricardo fala é Nossa Senhora quem se ouve, o que certamente explica a sua voz angelical.
Rezemos pois todas juntas a Nossa Senhora de Fátima para que, por intermédio do seu anjo, continue a manter as bolas longe da nossa baliza!

16.6.06

Terceira posta seguida sobre futebol

É verdade, meninas, a reincidência na temática futebolística está a dar cabo da nossa credibilidade. Mas - co' a breca! - temos a desculpa do Mundial, e não pude resistir a fazer este post e a copiar a notícia que se segue.
Reparem como a comunicação social é tendenciosa! Apesar de tentar dar uma no cravo e outra na ferradura, parece-me inequívoco que o autor deste artigo toma instintivamente o partido do gajo... Nunca é fácil ser-se gaja, mas em altura de Mundial a coisa ainda se complica mais!

"Chinês tranca a mulher no quarto para poder ver o Mundial em paz

Em Inglaterra, na Holanda ou na China, as mulheres são um pouco iguais. Ditadoras com rasgos autoritários. Esta estória, chega do Oriente, por acaso. Um chinês estava na sala a ver o Argentina-Costa do Marfim, quando a mulher se levantou da cama, foi à sala e lhe desligou a televisão. Queixava-se que eram três horas da manhã - a diferença horária tem destas coisas - e que não conseguia dormir perante os gritos do marido a cada jogada de maior perigo.
E então desligou o aparelho. Sem sequer procurar perceber as razões do homem a quem prometera no altar respeitar nos bons e nos maus momentos. O adepto, de apelido Li, que vive na cidade de Putian, no sudeste chinês, respondeu na mesma moeda. Sem questionar as razões da mulher, pegou nela e trancou-a no quarto para poder ver o jogo em paz. No final fica a certeza de que no mínimo falta algum espaço para o diálogo nesta relação conjugal. " in Mais Futebol

15.6.06

Os deuses devem estar loucos

Pegando na deixa da gaja que tem sonhos eróticos com o Scolari (polamordedeus, com tanto gajo bom por aí podia ter arranjado uma coisita melhor, não?) queria aqui deixar a minha opinião sobre esta colecção do Público.
Pronto, não vou falar do lettering escolhido, que é o mesmo que eu usava nos meus trabalhos de História do 9º ano. Nem vou dizer mal do título que me faz lembrar uma comédia chinesa que passa na TVI aos domingos à tarde.
Eu sei que sou gaja. E não percebo nada de futebol. Mas não tinham outro futebolista português que não o Rui Costa para incluir nesta série? Sei lá, se era pra escolher só um, eu ia mais pro Futre ou pro Fernando Gomes, que até foi bota de ouro e tudo.
Ok. Se querem o Ruizinho tudo bem, mas pelo menos escolhiam uma foto mais catita (parece saído do Planet of the Apes). E não podiam escrever algo menos ambíguo que "As provas duraram 10 minutos e Rui acabou com duas bolas..."?

FriFri

14.6.06

Maldito Mundial!

Hoje tive outro sonho estúpido. Foi assim: estava eu a tentar descortinar um erro num ficheiro de computador para usar num programa (só isto já é um tradicional pesadelo de quem trabalha na área das gajas), quando aparece o meu orientador. Só que o meu orientador não era ele próprio, era nada mais nada menos do que o Scolari, que, atrás de mim, só dizia: "não pode falhar", "não pode falhar", "não pode falhar", "não pode falhar". A bem dizer, nos tempos que correm quer o Scolari quer o meu orientador fazem o mesmo pela minha tese (nada), pelo que a confusão poderá ser natural.
Mas o que eu queria salientar aqui é como se já não bastasse ter de aturar diariamente conversas sobre futebol, postas sobre futebol, reportagens sobre futebol, análises sobre futebol e, de vez em quando, jogos de futebol, hoje tive um sonho relacionado com futebol. Como o sonho foi mais do género pesadelo, dormi pouquíssimo e como resultado hoje estou ensonada, pouco produtiva e mal humorada. A culpa é do mundial. Estou mesmo farta!

9.6.06

Teenagers, paizinhos, camisas às bolinhas e muita música ró!

Na quarta-feira, as gajas baldaram-se ao trabalho, apanharam um comboio e foram até à capital. Às cinco e meia da tarde já estavam sentadinhas no chão à sombra do palco principal do Super Bock Super Rock, ansiosas por ver a estreia dos meninos Editors em terras portuguesas.
Assim que olhámos em volta, quase morremos de susto: "Ai qu'isto é só miudage!" Havia na primeira fila gente mais nova do que a minha mochila! Mas o que era um esgar de horror cedo se transformou num sorriso maravilhado. É que as meninas da primeira fila, como teenagers que eram, ainda estavam em fase de crescimento e eram em geral bastante baixotas. Estar num concerto e ser mais alta do que a média é uma agradável novidade para a gaja manca (sim, que a gaja mouca não tem problemas desses!), que ainda recorda com tristeza aquela noite de Julho em que ficou atrás de uns gigantescos ingleses que não a deixaram ver Thom Yorke e companheiros em todo o seu esplendor.
Por isso, obrigada Keane por serem quem são e encherem as plateias de gente de baixa estatura!
Sem cabeças pela frente, o concerto de Editors excedeu as expectativas. Foi sentido, intenso, íntimo apesar do local a isso não ser propício, musicalmente perfeito. Voltem, meninos, por favor! E venham conhecer o Porto, para a próxima! Acabado o concerto de Editors, ouviram-se uns sons familiares vindos do palco nacional... Sim, eram eles, os nossos já conhecidos Weatherman! E lá estava o nosso também conhecido paizinho a tirar fotos da plateia, a trautear as músicas e a aplaudir entusiasticamente! A seguir, os fabulosos dEUS! Eu, que já não via um concerto deles há oito anos oito e estava à espera que estivessem mais calmos, espantei-me perante o concerto electrizante que nos proporcionaram! É bom saber que há coisas que não mudam!
Após o concerto de dEUS, iniciou-se a longa espera por Franz Ferdinand. Houve demasiado tempo para cerveja e bifanas, por isso as gajas, em jeito de passatempo e sempre atentas às coisas da moda, começaram a contar as camisas sem costas às bolinhas que iam aparecendo. Acreditem, minhas amigas, a Zara deve andar a fazer promoções daquelas coisas. Vimos dezenas de exemplares do mesmo modelito, em variadas cores! Estavam por todo o lado. Se por acaso eu tivesse dormido alguma coisa nessa noite, teria certamente sonhado com blusas às bolinhas! Já que pegámos neste assunto, segundo os mandamentos da nossa rainha da moda FriFri, é foleiro levar para os concertos t-shirts da banda que vamos ver; mais foleiro ainda, digo eu, é pertencer a uma banda e levar uma peça de roupa com o nome da dita cuja. E tenho dito tudo o que tinha a dizer sobre os Cult, porque o resto fica imperceptível no meio de um grande bocejo.
Para os Keane nem sequer olhei; bastou-me a dor de cabeça que se ia instalando à medida que desfiavam o seu rol de sucessos.
E eis que começa o concerto de Legendary Tiger Man, um one-man-show que fiquei com vontade de rever! Pena foi que tivesse durado tão pouco!
E finalmente, os Franz Ferdinand. Não foram o melhor da noite porque os Editors açambarcaram desde logo essa posição, mas foi um grande concerto! Uma enorme presença e uma empatia reservada aos que realmente se divertem em palco... Os verdadeiros artistas!

30.5.06

Fly Pam Ann

Como gaja viajada que sou, passo muito tempo em aeroportos e dentro de aviões (às vezes até nas casas de banho, mas isso é outra história). E não entendo algumas regras que se impõem quando uma gaja está apressadíssima para conseguir embarcar a tempo. Ter que tirar TUDO que é de metal, para poder passar naquela maquinazinha... Ó senhores, isso não é nada prático. Uma gaja leva relógio, brincos, colar, fivela no sapato, cinto, anel, óculo de sol com aplique metálico e tal e tal. Claro que quem está atrás só se pode queixar com o tempo que demoramos a tirar tudo para depois descobrir que a máquina é hiper-sensível e apita mesmo sem razão.
Outra coisa que me irrita é o facto de não poder levar certos objectos comigo no avião. Tá mal, tá mal. Imaginem que uma gaja quer ir aos saldos a Paris, um fim-de-semana. Leva um saquinho pequeno, com tudo lá dentro. Incluindo tesourinha, lima, corta-unhas e pinça. Depois aparece-nos o senhor segurança a dizer que temos de depositar tudo no recipiente de acrílico (das primeiras vezes até pensei que depois fizessem um sorteio com aquela tralha toda). Pronto, ok, uma tesoura eu até compreendo... poderá ser utilizada para fins menos diplomáticos. Mas uma pinça??? Que pode alguém fazer com uma pinça? Depilar uma pessoa até à morte? Já imagino o senhor taliban a dizer "Ou mudam a rota do vôo ou faço a sobrancelha ao piloto!!"
Enfim, nada como ser rico e ter o seu jacto particular.

FriFri
*in barcelona

22.5.06

AS GAJAS VÃO!!

eurofestival


O Sócrates é que é um gajo com visão. Com tanto país desenvolvido para copiar, foi logo escolher a Finlândia. Ele deve ter um dedinho que adivinha. Porque este fim de semana ficou definitivamente provado que os finlandeses são os maiores! Já não restam dúvidas em relação a isso. Afinal a Finlândia levou ao Festival da Eurovisão uma "banda de hard-rock" e - que espanto - GANHOU! Para os felizardos que tinham coisas mais giras para fazer no sábado à noite e não viram, eu desenvolvo: a banda em questão chama-se Lordi, grunhiram uma "canção" chamada Hard Rock Hallelujah, usavam máscaras e lentes de contacto e roupa esquisita, um misto entre Rammstein e Slipknot. Tinham, tal como os clássicos Kiss, uma verdadeira obsessão por mostrar e abanar freneticamente a língua fora da boca.
Quem quase tinha uma série de ataques cardíacos em directo era o Eládio Clímaco. O senhor explodia de indignação de cada vez que uma apresentadora sorridente gritava excitadíssima "Finland, 12 points!". No final, soltando um suspiro, disse "A nova Europa já não gosta de baladas românticas". Foi o amargo desabafo de um comunicador da velha guarda que tem medo de ser substituído para um gajo vinte anos mais novo e fã dos Moonspell, que cá para mim, ainda vão ser indigitados directamente por José Sócrates para representar Portugal no Eurivison 2007.
Pessoalmente, não desgostei deste resultado. É que estavam em Atenas dezenas de palhaços vindos de toda a Europa, mas apenas os finlandeses tiveram a coragem de admitir frontalmente que o eram. E foram recompensados por isso!

19.5.06

Campo Pequeno em Grande

O Campo Pequeno reabriu. Reabriu com toda a pompa e circustância e em directo para a RTP. A apresentar a gala estava o Júlio Isidro (que surpreendentemente ainda não se reformou), o Jorge Gabriel, a Merche Romero e todas as outras talentosas meninas que costumam acompanha-la. Lá estavam todos os grandes profissionais da RTP, repetindo entusiasticamente, sempre que o vocabulário lhes faltava, esse slogan absolutamente inspirado e completamente imprevisível "Campo Pequeno em Grande!". O entretenimento das massas ficou a cargo do Filipe La Féria e seus muchachos, do Pedrito de Portugal e outros marialvas, fadistas, toureiros, cavaleiros e forcados, para gáudio dos aficionados. Entre os ilustres convidados estavam a falecida Lili Caneças e o abominável Alberto João (que veio à terra dos cubanos informar que o Campo Pequeno se ergue do chão graças a empresários madeirenses, essa é que é essa).

Lembrei-me de alguns dos nossos colegas blogueiros (já não sei se este, este ou este) e de uma expressão que costumavam utilizar: "Era metê-los a todos no Campo Pequeno".

Pronto amigos, afinal para o Campo Pequeno foram todos por seu próprio pé. E depois? Qual era o plano seguinte? Era metê-los no Campo Pequeno e...? Explodir com o edifício? Gasea-los a todos? Fazê-los comer canapés recessos ou cocktail de camarão estragado? Satisfaçam lá a minha mórbida curiosidade!

16.5.06

Pero que los hay, los hay!

A sociedade portuguesa está a precisar de um abanão.
Apesar da fama de sermos um país de brandos costumes, o que é certo é que os portugueses são, em geral, muito pouco tolerantes. Basicamente isso acontece porque gostam de passar despercebidos, e reprovam ou (na versão mais politicamente correcta) fazem piadas sobre quem se "armar" em diferente. E assim é em relação à comunidade gay.
Conheço muito boa gente que se diz de esquerda, tolerante e respeitosa em relação às opções dos outros, que quase que se benze à simples ideia de ver dois homens ou duas mulheres de mãos dadas ou, pior ainda, abrenúncio, a beijarem-se num espaço público! As gajas já falaram várias vezes sobre a excessiva necessidade que os homens portugueses têm de constantemente se afirmarem muito machos, e a recusa da homossexualidade (masculina, entenda-se, que a feminina até é muito bem vista pelos homens do nosso país) faz sem dúvida parte desse pacote.
E não adianta os exemplos das (poucas) figuras públicas que tiveram a coragem de se assumir para que os portugueses comecem a encarar a homossexualidade como algo perfeitamente normal e imerecível de uma conversa em tom cusco entre vizinhas ou em tom de de gozo entre amigos muito machos. Normalmente quem se assume são os artistas e toda a gente sabe que os artistas são gente, enfim, extravagante, em quem os portugueses não se revêem.
Por isso lembrei-me: Portugal precisa de ver um futebolista a sair do armário. Que melhor exemplo para o macho latino do que ver o protótipo do machão, um ídolo, a afirmar-se gay?
E não me tentem convencer de que não há futebolistas homossexuais, que eu não acredito. Mesmo que as gajas não o soubessem de fonte segura, a mera aplicação da lei das probabilidades torna este facto indiscutível. Segundo a Opus Gay, um em cada dez portugueses, ou seja, perto de um milhão, são homo ou bissexuais. Sendo assim, poderão existir pelo menos 2 homossexuais na equipa que Scolari convocou para o Mundial.
Meus amigos (e agora dirijo-me aos jogadores; eu sei que eles não devem ler o nosso blog, mas alguém por favor que lhes dê o recado), as gajas apelam: saiam do armário! Fariam ao país um favor bem maior do que a marcar golos na Alemanha!

8.5.06

A Lei do Cúmulo Suportável

Já disse aqui que odeio a Constança Cunha e Sá? Se disse não há problema nenhum porque dizer que não se gosta da Constança Cunha e Sá nunca é demais. E porque estou eu a falar desta megera? - perguntarão vocês. Porque ontem estava a almoçar num restaurante onde a televisão estava ligada na TVI e ouvi-a comentar o congresso do CDS/PP*. Só uma coisa pode ser pior que um congresso do CDS/PP, que é um congresso do CDS/PP comentado pela Constança Cunha e Sá.
Não devia ser permitido juntar assim duas coisas muito más. É como um filme do Steven Segal com banda sonora do Justin Timberlake. Ou um livro do Dan Brown com prefácio da Margarida Rebelo Pinto. Ou um tamagochi com design Fátima Lopes...
Eu proponho a legislação destes fenómenos. A criação de uma lei que proíba estas situações, de uma vez por todas. Podia chamar-se a Lei do Cúmulo Suportável. Para proteger a sanidade de uma gaja!

*Joãozinho, filho, eu sei que o papá lhe disse que não há limites para a ambição, mas controle-se jovem, controle-se!

3.5.06

as viúvas do mundial

"Queridas senhoras. Porque não escapar-se do Mundial deste Verão e viajar para um país onde os homens ocupam menos tempo com o futebol e mais tempo convosco?" Este é o lema principal de uma campanha publicitária que a Suíça irá lançar na televisão para seduzir as mulheres dos muitos homens que, durante o mês de Junho, vão estar colados ao televisor ou nos estádios a assistir ao Mundial da Alemanha. Intitulada "Viúvas do Mundial de Futebol", a campanha irá encorajar as visitas femininas àquele país europeu – que faz fronteira com a Alemanha – durante o "eterno" mês da principal prova desportiva de 2006. No "spot" televisivo, vários homens surgem em tronco nu, exercendo as suas profissões. E aqui incluem-se um lenhador, um alpinista, um "sexy" motorista de comboio ou um agricultor a mungir uma vaca. Aliás, o spot termina com o Mister Suíça a retirar o leite da vaca.

in "O Jogo Online"

Estes Suiços têm umas ideias muitas giras. Têm têm! Promover gajos! Essa ainda não nos tinha passado pela cabeça.

É claro que, quando vimos esta campanha, logo nos pusemos a imaginar a sua transposição para a realidade portuguesa. Ao contrário de suiços limpinhos e sem sal, apareceria o "sexy" taxista, o trolha exclamando "anda cá que num t'aleijo", ou ainda talhantes, merceeiros, padeiros, um desfile de palitos no canto da boca, bigodes farfalhudos, barrigas, garras higiénicas, tatuagens "amor de mãe" e fios de ouro com medalhinhas da Nossa Senhora de Fátima. Não se ofendam gajos, que sabemos que os homens portugueses não são todos assim. Mas imaginamos a publicidade como uma espécie de convite ao engate folclórico, uma homenagem sentida a um produto que, pelo menos lá para os lados do Algarve, vende mais que o tremoço - o macho latino!

Mas depois lembramo-nos de um pequeno problema, uma fundamental diferença entre portugueses e helvéticos. Seria impossível fazer uma versão portuguesa da campanha "Viúvas do Mundial". Os suiços, pelos vistos, não ligam à bola (ou estão a contar com uma curta participação da sua selecção nacional), o que os deixa disponíveis para consolar as pobres esposas ofendidas. Em Portugal, pelo contrário, vai ser complicado encontrar um gajo, um único que seja, disposto a trocar a televisão e as mines por uma alemã carente.

Aqui, coitadinhas, duvido que se safassem!

2.5.06

Por uma juventude sem mácula!

Para estas gajas será talvez um pouco tarde, mas aqui fica este apelo. Talvez sensibilize alguma alma virgem que passe por aqui...
Obrigada amiga vpfcd por partilhar esta jóia!
(as coisas que se encontram na internet, co'a breca!)

24.4.06

Pequeno pensamento sobre a (im)previsibilidade

Aqui há uns tempos, ao meditar sobre a vida de casais que conheço, cheguei a uma conclusão interessante e apeteceu-me hoje partilhá-la com vocês.
Qual é a característica feminina que é que irrita mais o elemento masculino de um casal? Enfim, pode haver inúmeras respostas, mas julgo que a mais consensual será a imprevisibilidade da gaja. O meu pai, por exemplo, queixa-se frequentemente "Não sei o que deu hoje à tua mãe!".
E o que é que irrita mais uma gaja? Precisamente a previsibilidade do parceiro... Coisas do género "Irra! O teu pai deixa sempre as meias sujas no meio do quarto!".
E de repente apercebi-me. Conheço muito poucos gajos imprevisíveis. Será de mim ou será deles?

17.4.06

Les ponhonheaux

Antigamente o regresso do emigrante era um fenómeno sazonal, que acontecia num período de tempo muito definido - o mês de Agosto. Logo no início do mês enchiam as praias, as romarias e as estradas, mas em Setembro já estavam de volta ao trabalho.
Nos dias que correm tudo mudou! Aparentemente indiferentes à crise e ao aumento do preço dos combustíveis, este ano fizeram-se à autorute bastante mais cedo e rumaram até ao seu querido Portugal, os mais velhos porque já estão na retrete, outros para uns dias de vacances da Páscoa.
É agreable saber que a vida corre bem aos nossos emigras, que podem viajar mais vezes, profitar a vida e tudo e tudo e tudo. O único senão é que eles continuam a ser os maiores ponhonheaux da estrada alguma vez vistos! Não sei como se conduz lá para os lados de Champigny, mas aqui comportam-se como se tivessem tirado a carta de condução em Marrocos (país onde circular nas rotundas no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio é facultativo).
Por isso deixo aqui um apelo, tal como já fez o Graciano Saga! Emigrante, faz cuidado! Não deites a tua vida (nem a minha, que ia tão sossegadinha na minha faixa) na pubela! E se em Agosto viesses de avião? A Ryanair já voa para Paris!
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Pequeno dicionário françoguês-português
autorute - autoestrada
retrete - reforma
vacances - férias
agreable - agradável
profitar - aproveitar
ponhonheaux - adaptação livre da autora da palavra ponhónhó (everything in its right place™)
Champigny - o m.q. arredores, arrebaldes de Paris
faz cuidado - tem cuidado
pubela - caixote do lixo

14.4.06

de como escrever um auto pode demorar uma tarde

Foi a escrita da posta anterior que me fez recordar o episódio do senhor agente da PSP que demorou uma tarde para escrever um auto. Tudo porque tinha todos os dedos de ambas as mãos paralizados de medo do bicho informático, excepto o indicador da mão direita, que utilizava com a rapidez alucinante com que uma preguiça sobe a uma árvore.
Fui à esquadra acompanhar uma amiga, por causa de uma mala extraviada. Foi preciso dizer o nome da visada, o local do extravio e ainda fazer uma descrição exaustiva do conteúdo da mala. Se para qualquer mortal elaborar um rol das coisas que uma gaja guarda na mala pode ser demorado, imagine-se para um agente da PSP que escreve só com um dedo. Mordisquei as unhas, contei as moscas na sala, andei dezenas de vezes de um lado para o outro do balcão, num derradeiro teste à minha humana paciência!
Quando o senhor agente da PSP se preparava para imprimir o auto, algo acontece! O computador, caprichoso, bloqueia. O agente, aflito, pergunta:
- Alguma das senhoras percebe de computadores?
- Porquê, Senhor Agente? Algum problema?
- Bloqueou...
- Experimente fazer crtl + alt + del...
- Mas assim não perco tudo?
- Perde tudo? Não salvou o auto?
- Salvar...??
Foi aí que da minha mente em fúria começou a nascer um filme. Imaginei a cena em câmara lenta... Eu, com um salto acrobático tipo Matrix, a voar para o outro lado do balcão, a retirar de um golpe o revólver do coldre do polícia, a apontar-lhe a arma com as duas mãos estendidas. Eu a berrar-lhe, malvada "Vá, quero as duas mãos no teclado! Já!! Está a usar os dedos todos! E livra-te de escrever menos de cinco palavras por minuto, senão rebento-te os miolos!!".
...Quando acordei para a triste realidade, estava a minha amiga, resignada, a repetir o seu nome, a morada, o número do bilhete de identidade, tudo outra vez. Acabado o meu filme, fui obrigada a ir para o pátio apanhar ar, não fosse incorrer no crime de desrespeito à autoridade!

13.4.06

Diário de uma gaja asmática II

Odeio a Primavera. Porcaria de estação. Uma gaja quer trabalhar e está a Serra cheia de tojos e urzes floridos. Eu sei que é de gaja ser romântica, gostar de flores e destes cenários música-no-coração. Eu até acharia piada - que o meu coração não é de pedra - não fosse o maldito do pólen. Já espirrei mais hoje do que nos restantes dias do ano todos juntos. É que eu sou uma gaja ocupada. Tenho coisas para fazer. Não me dá jeito nenhum ter agora as histaminas feitas histéricas, todas aos pulos!

E depois, se fossem só os olhos inchados e os espirros, uma pessoa ainda tolerava tudo isso da Primavera, florzinhas e tal. O pior é a asma. Depois disto costuma chegar um ataque. Começo já a pressenti-lo, a chegar nos biquinhos dos pés. Mas ele que venha. Estou a escrever esta posta só com o dedo indicador da mão direita, qual agente da PSP, porque na esquerda seguro estoicamente a bomba, armada para o contra-ataque! Ele que venha!

E já que da outra vez achei piada ao conceito do ataque de asma com banda sonora integrada, também já tenho preparada a música para o próximo episódio de dispneia - vai ser o "Birds Make Good Neighbours". Até vos digo mais, Mr. e Mrs. Rosebuds - os passarinhos até tá muito bem; agora flores...

10.4.06

Ministro da Economia estagia na Finlândia

A obsessão de José Sócrates pelo modelo finlandês levou-o a sugerir um estágio de seis meses em Helsínquia a Manuel Pinho, Ministro da Economia.
Segundo a agência Lusa, a decisão terá sido tomada durante um conselho de ministros onde alguns membros do executivo (acometidos por súbitas crises de lucidez) tentaram explicar a Sócrates as diferenças entre aquele país nórdico e Portugal. Admitindo que os diversos planos do governo não estariam a produzir os efeitos desejados e que seria necessário tomar algumas medidas adicionais, o Primeiro Ministro decidiu enviar um dos seus ministros estagiar na Finlândia. O critério que levou à selecção de Manuel Pinho foi o simples facto de ser o ministro com mais tempo livre, uma vez que Portugal já praticamente não dispõe de Economia.
A ida do Ministro pode, no entanto, estar comprometida por motivos orçamentais. O responsável pela pasta da Economia argumentou que o seu salário não dá para pagar nem umas águas furtadas sem aquecimento em Helsínquia. José Sócrates deu-lhe razão e ambos estão já a tratar de uma candidatura a uma bolsa do PRODEP, que juntamente com algum dinheiro que as tias de Manuel Pinho lhe costumam oferecer pela Páscoa, deverão custear a viagem.

5.4.06

Querida Manca

Parabéns a você! Esperamos que conte muitos anos mas que pareça para sempre contar poucos, como convém a uma verdadeira gaja!

E não se esqueça! Todos aguardamos ansiosamente o desfecho da novela "a gaja e o benfiquista". Conte-nos tudo!

beijos

4.4.06

ai se ele cai

Partiu hoje rumo a Angola um avião da TAP transportando José Sócrates e uma comitiva de cerca de 70 empresários que representam um terço do PIB português. Não sendo eu uma fã dos Xutos e Pontapés creio que, subconscientemente, foi esta a razão que me fez passar o dia inteiro a trautear alegremente "Ai se ele cai, vai-se partir..."!

Parvoíce em torno de sinónimos

"Por toda a cidade (de Barcelona) já se vê a côr vermelha - encarnada, neste caso - do Benfica..."

Proferido por um inteligentíssimo jornalista da SIC no noticiário de hoje

3.4.06

Por falar em Adriana Calcanhot(t)o


Que acontecimentos na vida de uma artista...

(1994)

...levarão a que se lhe cresca um T no meio do nome?

(2002)

1.4.06

A última ceia

Ao fim de quase ano e meio de blog, mais de 130 postas e quase 8000 visitas, é com o coração desfeito em lágrimas (ou não) que anunciamos o fecho das portas e que vos deixamos, amigos, conhecidos, visitantes, comentadores anónimos, um último adeus.
Foi uma decisão difícil mas necessária. As gajas M&M (Manca e Mouca) sentem-se demasiado solitárias nesta cruzada, com o desaparecimento súbito do Mana Tesoura e com as fugazes aparições da FriFri (quase sempre para dizer disparates). Do menino Kalé não temos notícias há semanas... Perdeu-se assim o entusiasmo inicial e este blog tornou-se um fardo demasiado pesado para as nossas costas (principalmente para as da manca, que tem escoliose).
Agora que tudo acabou, não faz sentido carregarmos mais os terríveis segredos que esta casa esconde. Por exemplo, para além do menino Kalé ser gajo, facto que nunca escondemos, a Mana Tesoura e a FriFri também o são. Sim, esta é TODA A VERDADE. Nós somos as únicas representantes da classe gaja neste blog. Também por isso este espaço está em perigo. Sem o invisível mas sempre presente toque de masculinidade que traziam nossos desaparecidos companheiros, estão abertas as portas para os poemas, para as canções da Adriana Calcanhotto, para as fotografias dos gatos (que são muitos). Antes o fim que isso. Somos só duas gajas, não aguentamos esta pressão.
Pedimos perdão. A vós nossos amigos e camaradas, por termos revelado a vossa identidade, qual batman a quem se tira a máscara (ou os collants) e a vós leitores, por vos termos mentido e desapontado.

A gaja mouca e a gaja manca abraçam-se em lágrimas e afastam-se lentamente. Foi bom enquanto durou.