27.4.08

Os meninos à volta da TV

Hoje vou abdicar do meu anonimato. Vou deixar de ser simplesmente uma gaja para passar a ser uma gaja com um nome. Foi uma decisão difícil, mas queria muito escrever esta posta e não o podia fazer sem esta revelação. Por isso, blogosfera amiga, olá, eu sou a Catarina.
Partilho este nome com muita gente da minha geração, e há uma boa razão para isso: muitas de nós, pelo lado feminino, tal como muitos dos Vascos, pelo lado masculino, são filhas de pais que quiseram assim homenagear o espírito revolucionário da altura. E, tal como o fizeram com esse gesto simbólico, os nossos pais também se esforçaram por não deixar que a Revolução, a sua história e o seu significado caíssem no esquecimento. Tal como muitas Catarinas e Vascos nascidos nos anos 70, eu cresci a ouvir falar do 25 de Abril.

Foi por isso que, andava eu na primeira classe, quando a professora fez a pergunta “Alguém sabe o que foi o 25 de Abril?”, dois meninos puseram prontamente o dedo no ar: eu, que apesar de tudo não consegui mais do que a resposta poética “Foi o dia da Liberdade!”; e o Vasco, que do alto dos seus seis anos gritou “Foi o dia em que os fascistas se foram embora!”. Apesar das desigualdades que pudesse haver à partida, no fim desse dia já todos os meninos da sala sabiam responder à pergunta. Nessa altura, apenas onze anos passados sobre o 25 de Abril, a sua razão de ser ainda estava bem presente no espírito das pessoas, e fazia-se questão que as crianças soubessem “o que custou a Liberdade”.

Hoje tudo é diferente. É certo que ainda vai havendo algumas Catarinas, se bem que agora inspiradas pela Furtado. Para elas, assim como para as Vanessas, Brunas e Cátias, o 25 de Abril é dia de festa simplesmente porque é feriado e não vão à escola. Os pais não ensinam, a escola não ensina, e os Morangos com Açúcar – a referência educativa dos jovens de hoje – também não.

A minha indignação pelo desconhecimento geral em relação à Revolução dos Cravos não tem a ver com sentimentalismos. E, sobretudo, vai para além da questão da (falta de) educação académica. Eu acho mesmo que os valores de Abril fazem falta. Correndo o risco de parecer “cassete”, acredito que ninguém pode dar valor à Democracia se não estiver consciente da sua fragilidade. Provavelmente, os jovens de hoje não vêem problema nenhum em que os seus professores sejam despedidos por dizer mal do governo. Que nos transformemos num país de ignorantes é uma ideia à qual me poderia acostumar; agora que vivamos num país de idiotas, isso não.

26.4.08

Caribou


vs


Gajas,

Ontem fui ver Caribou ao vivo. E o que em disco sempre me soou a Beach Boys meets Phil Spector ao vivo foi bem mais Velvet Underground meets Fela Kuti. Soberbo. O meu melhor 25 de Abri de sempre (la esta ela com a sua inacreditavel alienacao em relacao a Patria)!

A facadas

22.4.08

He's a god, he's a man, he's a ghost, he's a guru



Preferia tê-lo visto nos 90's, na altura em que a minha alma adolescente julgava que este senhor era Deus - hoje sei que é só o Seu secretário.

Mas mais vale tarde que nunca!

21.4.08

Mudar é bom...

... mas fazer as mudanças é uma merda! Encaixotei dois anos da minha vida. Não houve espaço suficiente na mala do Dr. Tótó, tive de espalhar caixas e sacos pelo banco traseiro. Depois foi só fechar à chave a porta do Iglu e fazer-me à estrada. Quando parei no caminho para me despedir do Paulo (eu admito tudo, era o meu guarda favorito) já levava um nó na garganta.

É que vou ter saudades da tasca do açougue - dos melhores petiscos do mundo e da lareira. Das alheiras e do folar e do presunto. De Pitões das Júnias, do carvalhal do Avelar, da neve no Larouco, do campo, da bicharada toda, dos guardas e dos estagiários. De fumar cigarros na janela com vista para o castelo, das sextas feiras 13, do padre Fontes a dizer o esconjuro e da queimada! E das alminhas e dos cruzeiros e dos pastores e de toda a gente com quem parei a falar pelas aldeias.

Ainda por cima sou teimosa e não dei ouvidos ao sábio amigo que me aconselhou a banir a banda sonora melancólica durante esta - a última - viagem...

18.4.08

A felicidade (outra vez)

Parece que há mais dias felizes!

E quem me disse foi o senhor da Louie Louie quando lá fui afogar as minhas mágoas em cd´s!

11.4.08

Uma gaja sabe que está velha...

... quando vai ao médico e ele é mais novo do que ela.

4.4.08

A transição (finalmente)

Vou finalmente sair deste sítio feio e voltar para casa. Não penso em Aveiro ou Porto, penso só em Portugal. Portugal-casa. Pastéis de nata-casa. Peixe frito com arroz de espigos-casa. Uma pizza na Pizzarte-casa. Vou partir vintona e chegar trintona, mas vou perder as rugas que acumulei aqui. Vou passar menos tempo a olhar para este monitor, e mais tempo a olhar para caras (e barrigas) conhecidas. Detesto ser emigra. Nunca mais.

19.3.08

Les concerts a emporter

É uma ideia gira. Pô-los a cantar por ruas, ruelas, praças, jardins, canais, túneis e telhados. Mas também há hóteis, capelas, elevadores e carrinhas. Quase todos em Paris - que vontade de lá ir e esbarrar com um concert a emporter ao virar de uma qualquer esquina.

19.2.08

A felicidade...



... está marcada para o dia 11 de Maio!

16.2.08

A gaja que ouve (demasiado) bem queixa-se dos seus vizinhos

Eu sou uma gaja cusca. Muito cusca. Saber da vida alheia e cortar na casaca do próximo são das coisas que mais prazer me dão na vida. E, como já devem ter reparado, este blog chama-se “gajas no corte” e não “gaja no corte”; é óbvio que não estou sozinha na minha grande paixão por este pequeno pecado.
No entanto, apesar de não ter pruridos em me definir como cusca, tenho a minha ética, os meus limites. Há coisas sobre a vida alheia que eu não faço questão de saber. Aliás, faço até questão de não saber.
E uma coisa é quando tentamos conhecer a vida alheia pela via tradicional, que é trocando informações com outras gajas. É desse carácter inquiridor, de procura activa, que eu gosto na actividade de cuscar. Outra coisa bem diferente é quando a vida alheia nos entra pela casa adentro sem perguntar se pode e sem ser desejada. Neste contexto, em minha opinião, a coisa mais tenebrosa que pode acontecer é ouvir-se um casal a ter sexo num quarto vizinho.
Eu achava que já tinha tido a minha dose de voyeurismo sonoro passivo na minha breve passagem por uma casa na rua da Torrinha, no Porto. Aí, a vizinha do lado gritava estridentemente “Estou-me a vir! Estou-me a vir!”, para quem quisesse e também para quem não quisesse ouvi-la (o marido, no primeiro caso; eu, todo o prédio e quiçá toda a rua, no segundo).
Agora, aqui nos states, tenho um novo mas semelhante pesadelo. Quer dizer, ao contrário do casal da rua da Torrinha, o jovem casal do quarto em cima do meu não tuge nem muge nem se ouvem gritos de espécie nenhuma. Mas fazem abanar a cama de uma forma inacreditavelmente ruidosa, e sobretudo a um ritmo aceleradíssimo que está nos antípodas do romântico. Como é lógico, além de aborrecido, o barulho não me deixa dormir nem trabalhar. E não há headphones ou música alta que resolvam o problema.
Para agravar a situação, é certo e sabido que os americanos levam o dia dos namorados a sério. Na noite de 13 para 14 fui à cozinha já tarde e a rapariga atarefava-se a fazer uns pindéricos biscoitos em forma de coração pintados de cor-de-rosa. Ontem, dia dos namorados, o namorado aparece na cozinha com um ar de urgência, perguntando se eu sabia onde estava o saca-rolhas. O pânico apoderou-se de mim. Se o ruído já é mau num dia normal, no dia dos namorados e com vinho e biscoitinhos românticos à mistura a coisa pode potencialmente impedir-me de dormir a noite toda… Então decidi ir deitar-me de imediato e tirar partido do meu afamado sono de pedra, antes que eles tivessem tempo de acabar a garrafa. E para aqueles que esperavam pormenores ainda mais escabrosos do que os que já fui fornecendo ao longo desta posta, lamento desiludir-vos: a verdade é que dormi lindamente!
Moral da história: Dia dos Namorados volta, estás aperdoado: oh, se eu pudesse antecipar sempre desta maneira a hora da ginástica!…

14.2.08

How soon is now?

I am the son
and the heir
of a shyness that is criminally vulgar
I am the son and heir
of nothing in particular

You shut your mouth
how can you say
I go about things the wrong way
I am human and I need to be loved
just like everybody else does

I am the son
and the heir
of a shyness that is criminally vulgar
I am the son and the heir
of nothing in particular

You shut your mouth
how can you say
I go about things the wrong way
I am human and I need to be loved
just like everybody else does

There's a club if you'd like to go
you could meet somebody who really loves you
so you go, and you stand on your own
and you leave on your own
and you go home, and you cry
and you want to die

When you say it's gonna happen "now"
well, when exactly do you mean?
see I've already waited too long
and all my hope is gone

You shut your mouth
how can you say
I go about things the wrong way
I am human and I need to be loved
just like everybody else does

15.1.08

O Fittipaldi que há em mim

Na semana em que fiz trinta anos aprendi uma valiosa lição acerca da cidadania responsável. A brigada de trânsito enviou-me, de presente de aniversário, uma carta contendo a minha primeira multa por excesso de velocidade.

O meu pai, do alto da sua sabedoria e experiência de vida, apressou-se a comentar:

- Bem feito, para não andares para aí armada em Fittipaldi!

Ora, quem não teria ficado muito agradado com a comparação teria sido o próprio Fittipaldi. Isto porque, no momento em que fui apanhada em flagrante delito eu conduzia à estonteante velocidade de 55 km/hora.

O perigoso atentado do qual fui responsável deu-se em plena nacional 103, na Póvoa do Lanhoso. Não fosse eu uma utente semanal da sinuosa via e não teria ficado admirada pelo facto da brigada de trânsito investir os seus esforços no castigo de perigosos criminosos, nos quais me incluo a partir de agora.

Numa estrada que possui 3 rectas com mais de 100 metros nos 100 km que me vejo obrigada a percorrer, assisto todas as semanas às mais espectaculares ultrapassagens, a distâncias de seguranças da ordem dos 30 cm entre veículos que patinam no gelo, entre outras arrojadas acrobacias. São centenas de destemidos condutores que desafiam o perigo que espreita a cada uma das 365 ribanceiras que surgem pelo caminho.

Acontece que a estupidez não é facilmente quantificável e portanto pouco passível de ser apanhada por radar. De maneira que quem paga são os Fittipaldis desta vida, esses, que como eu, circulam por aí a arrojados 55 km/hora.

10.1.08

PARABÉNS MOUCA (2)!

Setembro (ou seria já Outubro?) de 1996. Acabei de chegar ao Porto. Estou no Jardim Botânico, no meio de dezenas de colegas, que tal como eu têm orelhas de burro de cartolina azul-bebé. Não conheço ninguém, mas também não posso fazer nada para o remediar porque não me deixam falar. Obrigam-nos a andar aos pares, como se fôssemos crianças da primária. A rapariga a quem dou a mão é gigante. Chama-se “Bombista” (eu sou a “Ovos Moles”) e respira estranhamente alto. Tem (como o meu pai agora diz) cara de bebé chorão.

Foi assim que conheci a Gaja Mouca. Desde então partilhámos muita coisa, desde flores pela manhã a plenários pela noite, passando pelo gosto por fazer listas até ao vício incontrolável do jogo. E, claro, este blog. Há também muitas coisas que nos separam (por exemplo, músicas pastosas, o vinho verde, a genética, o fundamentalismo com a fruta e, mais recentemente, todo o Oceano Atlântico), mas são insignificantes.

A Gaja Mouca faz hoje 30 anos. Em breve será a vez da Facadas e logo depois a minha. Daqui a poucos meses seremos todas gajas trintonas. Quando nos conhecemos éramos teenagers, agora somos oficialmente adultas e crescidas. O que não significa nada: já devíamos todas ter filhos e estar casadas, mas nem sequer temos planos sérios de o fazer. Já devíamos todas ter muito juízo, mas isso é algo que não abunda em nenhuma de nós. Devíamos ser sérias e responsáveis mas aqui estamos nós – ou pelo menos algumas de nós – a planear mudar de emprego e começar do zero.

Continuaremos a envelhecer juntas. As nossas conversas irão transformar-se. Começaremos a falar das rugas, dos cabelos brancos, da menopausa, dos malucos que são os jovens de hoje em dia, de outros livros, outros filmes, outras histórias, outras músicas, dos filhos, se os houver, dos netos, se lá chegarmos. Hoje posso dizer que raramente me divirto mais do que quando estou com vocês, gajas. E isso – tenho a certeza absoluta – nunca vai mudar.

PARABÉNS MOUCA!

Nao e todos os dias , nem todos os anos... bem na verdade e so uma vez na vida... que uma gaja faz 30 anos!!!! Isso mesmo, a MOUCA, ASMATICA, MARILU, etc... faz hoje 30 anos. Para celebrar a ocasiao a facadas decidiu fazer um apanhado das perolas deixadas aqui no blog pela MOUCA. Ok a facadas esforcou-se mas acabou por desistir a meio (nem nos temos pachorra para reler este blog). Aqui ficam alguns excertos de postas escritas pela MOUCA que vos ajudarao a melhor apreciar e conhecer a MOUCA!

A MOUCA e a unica pessoa que conheco que e capaz de comer leite condensado a colherada enquanto ve televisao. E pelos vistos nao e coisa nova para ela...

"Devia ter uns 5 anos quando cheguei à conclusão que lá em casa devíamos ser mesmo pobrezinhos. A única explicação plausível para a minha mãe não me deixar beber leite condensado todas as manhãs era o facto de ele ser mais caro que o normal."

A MOUCA vive dividida entre diferentes ambicoes e projectos. A verdade e que nem sempre faz as melhores escolhas na vida... (nao ela nao tem um salao de beleza!)

"Desde pequena que gosto muito de animaizinhos e plantas e ciências e essas coisas todas. Cheguei mesmo a pensar (que ingénua era) que podia ser investigadora em Portugal. Mas depois lá em casa não me deram a oportunidade de continuar os meus estudos - que as proprinas, já nessa altura, estavam pela hora da morte - e acabei por desistir. A minha prima que é dona do cabeleireiro lá do bairro deixou-me ir para lá lavar cabeças. Depressa aprendi a fazer mises e madeixas. Daí ao corte, foi um pulinho. Abri o meu próprio negócio, com a minha amiga gaja que é esteticista e cumprimos o nosso sonho: ter um salão de beleza! Sabemos da vida de toda a gente e ainda por cima ganhamos imenso dinheiro. A que mais na vida poderiamos aspirar?"

A MOUCA e, claro esta, MOUCA de um ouvido (nao me lembro qual deles)...

"Por fora o meu ouvido parece igual a qualquer outro, mas lá por dentro está (pelos vistos) mais arruinado que os cofres do estado, mais destruído que Lisboa no final do terramoto de 1755."

A MOUCA, como todas as gajas, todos os dias se depara com importantes escolhas... no entanto a maioria de nos ignora-as, ela nao, ela leva-as mesmo a serio...

"Estou habituada a enfrentar grandes dilemas logo pela manhã, como sejam vestir saia ou calças, a côr da gigi, comer cereais ou antes umas torradinhas. Tudo dilemas da máxima importância, que resolvo sempre com elegância e eficácia."

A MOUCA fica sempre do lado do mais fraco, mesmo que nao haja mais fraco:

"Era o único lugar para deficientes naquele piso do parque de estacionamento. Dois carros competiam por ele. Os seus ocupantes, de vidro aberto, trocavam feíssimos insultos. Um deles esgrimia o dístico de condutor com deficiência, como prova suprema da sua razão. O outro também."

A MOUCA tem um apartamento fantastico na baixa do Porto. O titulo devia ser a minha varanda e um ecra de cinema:

"Apartamento de assoalhada e meia no centro do Porto, perto da Torre dos Clérigos, a cinco minutos da Ribeira para quem vai a descer ou a 15 para quem vai a subir. Próxima do maior centro de transacção comercial do Norte, a Feira da Vandoma. Vários serviços próximos: tascas, agências funerárias e uma sede do PS. E ainda um sapateiro tradicional, que mantêm na parede um calendário desde 1963, com a Brigitte Bardot meia desnudada.

Rua com animação diária garantida, incluindo porrada pelo menos uma vez por mês. Animação musical ao fim de semana, a partir das oito da manhã. Animação extra em dias de jogo do FCP, a cargo dos Ultras da Cordoaria. Periquitos, cães, peixeiras, bêbados, amoladores, carros do lixo e mães insultando seus filhos da janela, tudo incluído no preço do imóvel.

No caso de não haver interessados na compra efectiva, troco o apartamento por um local onde possa dormir descansada."

A MOUCA nao gosta de se sentir aldrabada...

"Mas na verdade gostaria de vos falar do anúcio publicitário do OK teleseguro gaja. Aquele em que aparece um mecânico giro, um homem do reboque giro, um polícia giro. Tudo gente disposta a ajudar uma gaja em apuros. Ora isto é publicidade enganosa. Poderão os senhores da OK teleseguro garantir-me que da próxima vez que o meu carro ficar sem embraiagem, em vez de me mandarem aquele senhor obeso de bigode (de palito no canto da boca e tudo), me mandam o moço do anúncio? Não me parece… E polícias giros? Os polícias giros são como os pilhões, toda a gente sabe que não existem. Se alguém conhecer um exemplar ponha o dedo no ar, ou melhor, escreva um comentário aqui no blog. Não se pode iludir assim as mulheres deste país…"

A MOUCA e muito bairrista...

"Nascida e criada em Viana do Castelo, habituei-me desde cedo a julgar que tudo que vem de Braga é potencialmente mau."

A MOUCA tambem tem idolos, ou artistas muito junto do coracao...

"Este é um blog de gaja, a nossa musa será uma gaja, a Gaja! Salvé a Rainha! Ela própria o diz, coberta de razão: "I’m one big queen, no one can stop me"."

A MOUCA nao percebe que o Justin Timberlake nao e so um gajo giro... embora seja muito giro... (esta diz mais sobre mim do que sobre ela, mas voces sabem como eu sou...)...

"Já disse aqui que odeio a Constança Cunha e Sá? Se disse não há problema nenhum porque dizer que não se gosta da Constança Cunha e Sá nunca é demais. E porque estou eu a falar desta megera? - perguntarão vocês. Porque ontem estava a almoçar num restaurante onde a televisão estava ligada na TVI e ouvi-a comentar o congresso do CDS/PP*. Só uma coisa pode ser pior que um congresso do CDS/PP, que é um congresso do CDS/PP comentado pela Constança Cunha e Sá.

Não devia ser permitido juntar assim duas coisas muito más. É como um filme do Steven Segal com banda sonora do Justin Timberlake. Ou um livro do Dan Brown com prefácio da Margarida Rebelo Pinto. Ou um tamagochi com design Fátima Lopes...

Eu proponho a legislação destes fenómenos. A criação de uma lei que proíba estas situações, de uma vez por todas. Podia chamar-se a Lei do Cúmulo Suportável. Para proteger a sanidade de uma gaja! "

A MOUCA tem que se debater com o Portugal Portugues que muitas de nos quase podemos evitar...

"É agreable saber que a vida corre bem aos nossos emigras, que podem viajar mais vezes, profitar a vida e tudo e tudo e tudo. O único senão é que eles continuam a ser os maiores ponhonheaux da estrada alguma vez vistos! Não sei como se conduz lá para os lados de Champigny, mas aqui comportam-se como se tivessem tirado a carta de conducao em Marrocos!"

Mais aventuras da MOUCA no Portugal Portugues...

"Foi a escrita da posta anterior que me fez recordar o episódio do senhor agente da PSP que demorou uma tarde para escrever um auto. Tudo porque tinha todos os dedos de ambas as mãos paralizados de medo do bicho informático, excepto o indicador da mão direita, que utilizava com a rapidez alucinante com que uma preguiça sobe a uma árvore."

A melhor amiga da MOUCA e a bomba, por algum motivo lhe chamam BOMBISTA...

"E depois, se fossem só os olhos inchados e os espirros, uma pessoa ainda tolerava tudo isso da Primavera, florzinhas e tal. O pior é a asma. Depois disto costuma chegar um ataque. Começo já a pressenti-lo, a chegar nos biquinhos dos pés. Mas ele que venha. Estou a escrever esta posta só com o dedo indicador da mão direita, qual agente da PSP, porque na esquerda seguro estoicamente a bomba, armada para o contra-ataque! Ele que venha!"

A MOUCA tem um irmao que e uma fonte inesgotavel de aventuras, e os carros da MOUCA tambem sao fontes inesgotaveis de aventuras:

"Em nome de toda a minha família venho aqui agradecer publicamente aos senhores que tão habilidosamente furtaram o veículo do meu irmão da porta de nossa residência. Não só tiveram a decência de abandonar a dita viatura depois de pouco mais de uma semana de utilização, como tiveram a amabilidade de a deixar a escassos 70 kms de casa. Assim sim! Dá gosto ver que ainda há gente profissional. E eu que achava que já não se fazia gatunagem como antigamente!!

Larápio amigo, se me está a ouvir, deixo-lhe apenas mais um repto: importar-se-ia de devolver também o capot, a porta traseira, o pára-choques, os faróis, os piscas, o auto-rádio, as colunas e o escape? O macaco, o pnéu suplente e o triângulo nós arranjaremos por cá, não se apoquente com esses pormenores! Se não for pedir muito, é claro! Sabe onde moramos, certo?"

A MOUCA adora pierrots, naperons e coisas de menina bem...

"Só a palavra naperon, só por si, é um galicismo do mais piroso. Mas o pior problema do naperon é que ele nunca vem só. Traz consigo paninhos de tabuleiro, lençóis, toalhas e panos, tudo com muita renda, bordados, folhos e flores de cetim. Sim, estou a falar do ENXOVAL!"

A MOUCA lembra-se na nossa amiga, a ceguinha do tunel de sao bento... E a MOUCA, com o seu coracao comunista nao tolera desigualdades sociais...

"Há ainda outra coisa que me intriga na ceguinha: se numa semana se passa por ela e se lhe vêem as brancas própria da idade, já na semana a seguir as não tem, no seu cabelo apanhado, sempre perfeitamente pintado e penteado. Uma gaja repara nestas coisas, está-nos no sangue . Eu suspeito que a ceguinha do túnel vai ao cabeleireiro mais vezes do que eu. É verdade que também não é difícil, que eu só vou cortar umas pontas lá à minha prima Teresa duas vezes por ano, alturas em que me ponho a par da vida da realeza europeia nos últimos meses, no meio de uma imensidão de Holas atrasadas. É certo que a ceguinha tem direito a andar penteadinha. Eu até acho bem. Eu também tenho o direito de não contribuir com as minhas moedinhas. Nem sequer a troco de um "deus lhe conserve os olhinhos". "

Mais intolerancias da MOUCA em relacao ao sistema e as instituicoes:

"Uma gaja concorre para um trabalho X na Entidade Y.

A Entidade Y manda um mail a dizer que a lista dos candidatos admitidos para o trabalho X está na sua página da internet.

A gaja vai lá ver.

A gaja procura o seu nome na ordem alfabética.

A gaja encontra o nome.

"Admitida" grita a gaja! E pula de contente!

A gaja repara que à frente do seu nome está escrito "Admitido B".

A gaja suspeita.

A gaja procura o singnificado de se ser "Admitido B".

A gaja encontra o significado, em itálico, as letras pequenas: As listas de Candidatos Admitidos encontram-se agrupadas em “Admitido A” e “Admitido B”. Os candidatos admitidos do Grupo A e apenas estes (uma vez que são mais do que o número de vagas) serão submetidos a avaliação curricular a que se seguirá uma entrevista..."

A MOUCA conhece os tipos mais convenientes nos sitios mais inconvenientes (nao me saiu nada melhor, mas a posta inteira era hilariante...)....

"Para distinguir o PicaDealer dos restantes Picas, olhem para o pescoço do funcionário. Se tiver um colarzinho de missangas padrão cobra-coral, a imitar o Jim Morrison, saibam com certeza: é ele!"

PARABENS MOUCA!!!!!

16.11.07

Probabilidades

Ultimamente ando a dedicar-me ao estudo (ou à recapitulação) de tudo o que tem a ver com probabilidades. Por um lado, dou por mim a pensar muito no papel do acaso. Por oposição às pessoas que dizem que tudo acontece por uma razão, eu acho que tudo acontece porque calhou. Sou uma acasista, por assim dizer.
Para além disso, tenho tomado ainda mais consciência de que as coincidências e acontecimentos estranhos têm sempre explicação científica. Até os resultados mais improváveis podem acontecer se repetirmos a experiência um número suficiente de vezes.
Eu passo a exemplificar: desde que estou nos states, basicamente só paro de ouvir música para 1) dormir; 2) ir à casa de banho; 3) falar com a família no skype; 4) reunir com o chefe. Estas actividades, juntas, ocupam uma porção insignificante do meu dia. Logo, tenho repetido a experiência "ouvir música" muitas, muitas vezes. E por isso não estranhei quando no outro dia liguei o iPod no momento em que me preparava para começar a minha corrida matinal e me sai a música "I Better Run" dos Rosebuds, ou quando passei uma viagem de autocarro inteira a tentar apertar um teimoso botão ao som da "The Hardest Button to Button" dos White Stripes...

24.10.07

Red List de Piropos

Pois ainda que não me queira armar em colunista sentimentalóide deste mui nobre blog ouvi dizer por aí que os piropos tinham entrado em extinção...
Como cidadã emocional e emocionada por esta questão resolvi cortar sobre este assunto que considero de extrema importância e tenho a pretensão de iniciar uma verdadeira cadeia dos amigos-do-piropo!

Então cá vai disto (cientificamente por categorias, que isto não é brincadeira nenhuma...):

botânico-que-se-impõe-por-deformação-profissional-e-que acho-piroso-até-na-primavera:
"Tu és a mais bela das flores, uma rosa. Queres florescer no meu jardim?"

herança católico-judaica-e-para-ler-com-sotaque-brasileiro:
"Se beleza fosse pecado, Deus não te perdoaria jamais!"

lógico-docinho-meloso:
"És a minha pipoquinha (porque és boa como o milho...)!"

biológico-que-se-dizia-quando-um-gajo-astronomia-passava-no-corredor:
"Que bela união gamética!"

gastronómico-saudosista-que-diziam-nos-filmes-a-preto-e-branco-que-a-minha-avó-via:
"O que é doce nunca amargou..."

desesperado-sexy-...:
"Ai se te apanho entre mim e o chão que piso..."

e o que nenhuma gaja devia ter de ouvir:
"Já foste boa!"


E fica assim cumprida a minha missão neste mundo...

P.S. - toda esta exploração mental começou porque hoje ouvi um daqueles assobios (que são um piropo per se)....mas afinal era só o toque de chegada de mensagem do telemóvel do gajo que ia sentado atrás de mim no autocarro.....uma imperatriz não havia de ser sujeita a tamanha humilhação..mas também quem anda de 207 sujeita-se....