31.3.06

maneiras imaginativas de controlar o défice


Abre já no próximo mês, no Parque das Nações (naquele que antigamente era o Pavilhão do Futuro), o novo casino de Lisboa. E o Senhor Mega Ferreira veio já avisar que está a pensar numa grande área comercial e um hotel ali para o Centro Cultural de Belém. Óptimas ideias, o que é preciso para vencer esta crise é espírito empreendedor.
Aliás, julgo que se deveria retomar a santanesca ideia de transformar também o Parque Mayer num casino. Sejamos sinceros: todos os portugueses de bom gosto preferirão com certeza uma centena de slot-machines, umas mesas de black jack e duas ou três roletas a uma revista do La Féria!
Eu iria mais longe. Proponho mesmo que se transforme Lisboa na Las Vegas da Europa. Mais uns casinos, uns hoteis temáticos aqui e ali, umas capelinhas de casamentos instanstâneos na zona das Docas. Depois era só espalhar uns néons Welcome to Lisbon nas entradas da cidade e à porta do aeroporto. Poderiam ser cor-de-rosa, ficaria bonito.
Para além da cedência de espaços públicos ao desbarato, estou ainda a imaginar uma outra enorme vantagem desta nova Lisboa. Ajudaria até a controlar o défice. O estado poderia fazer um protocolo com os proprietários e todos os supranumerários da função pública seriam convertidos em funcionários de casino. Punha-se essa gente toda a trabalhar, a trocar dinheiro por fichas, a vender tabaco ou chocolates em tabuleirinhos, todos com fatiotas de lantejoulas e pequenos chapéus ridículos. Toda a moça com uma boa perna poderia até chegar a corista, se assim o desejasse. Os homens bem apessoados e capazes de dizer Faites vous jeux e Rien ne va plus seriam automaticamente promovidos a croupier! Isto sim, seria a verdadeira reforma da administração pública!

30.3.06

Ou eu ou o benfica

Ele era um benfiquista ferrenho. Ela era uma gaja normal, cujo único crime era fazer anos no dia 5 de Abril. Quis o destino (ou a UEFA) que essa data coincidisse com a deslocação de um certo clube de equipamento encarnado ao campo de uma certa equipa catalã. Ela diz "Vamos jantar fora no meu aniversário?". Ele engole em seco, olha para ela com ar de pânico, e gagueja "Mas então e o Benfica?". Ela responde, com um olhar trágico "Então e eu?". O que irá acontecer? Não perca a continuação desta saga, aqui, neste blog.

28.3.06

(e recordar é viver)

27.3.06

Berlusconi, il grande pagliaccio

«Acusam-me muitas vezes de dizer que os comunistas comem os seus bebés. Mas leiam o livro negro do comunismo e lerão lá que na China de Mao eles não comiam bebés mas ferviam-nos para fertilizar os seus campos», disse Berlusconi numa acção de campanha em Nápoles.
Até me vieram as lágrimas aos olhos! Farto-me de rir com este gajo, tem mesmo piadinha! Até me faz lembrar o nosso AJJ! Tenho pena é que todo o seu talento, toda esta invulgar veia humorística estejam tão mal aproveitadas no mundo da política. Mas o circo já não é o que era - já não se reconhece um bom palhaço!

21.3.06

aos gatunos conscienciosos

Em nome de toda a minha família venho aqui agradecer publicamente aos senhores que tão habilidosamente furtaram o veículo do meu irmão da porta de nossa residência. Não só tiveram a decência de abandonar a dita viatura depois de pouco mais de uma semana de utilização, como tiveram a amabilidade de a deixar a escassos 70 kms de casa. Assim sim! Dá gosto ver que ainda há gente profissional. E eu que achava que já não se fazia gatunagem como antigamente!!
Larápio amigo, se me está a ouvir, deixo-lhe apenas mais um repto: importar-se-ia de devolver também o capot, a porta traseira, o pára-choques, os faróis, os piscas, o auto-rádio, as colunas e o escape? O macaco, o pnéu supelente e o triângulo nós arranjaros por cá, não se apoquente com esses pormenores! Se não for pedir muito, é claro! Sabe onde moramos, certo?

15.3.06

Ele é que era o presidente da junta

Esta semana uma notícia despertou a atenção das gajas. Mais um escândalo autárquico, a bem dizer, mas com contornos bastante particulares. Aqui está um excerto:

"Chamadas eróticas pagas com terrenos

A Portugal Telecom (PT) leva, hoje, à praça, no Tribunal da Guarda, três terrenos penhorados à Junta de Freguesia do Rochoso para cobrar parte de uma dívida superior a 50 mil euros, mais juros de mora contabilizados desde 1998. Uma conta de telefone avultada que resultou das chamadas eróticas efectuadas por um anterior presidente da Junta, que se demitiu pouco depois de rebentar o escândalo. (...) Nesse ano, José Pires Sanches, eleito nas autárquicas de 1997, numa lista independente, foi obrigado a demitir-se de funções ao ser confrontado com uma volumosa conta de telefone, telefonemas realizados em apenas dois meses e meio. O caso foi parar a tribunal, mas o Ministério Público arquivou a queixa-crime contra o autarca.(...)"

in JN, 14.03.2006

As gajas ficaram pasmadas com o volume da dívida e decidiram explorar o assunto. Quisemos tentar perceber afinal quanto tempo por dia é que o senhor José Sanches passaria ao telefone em vez de trabalhar. Sendo assim, assumimos que dois meses e meio correspondem a 55 dias úteis (e que o senhor não ia "trabalhar" ao fim de semana) e que o preço por minuto das chamadas para linhas eróticas é de dois euros. Para falar a verdade, não passámos muito tempo a investigar o preço; poderá ser mais, perguntamos nós? Parecer-nos-ia uma exorbitância, mas neste mundo tudo é possível (e a prova está à vista)!
Chegámos então à surpreendente conclusão de que o senhor José Sanches poderá ter passado em média 7 horas e meia por dia a ligar para linhas eróticas... Repetimos, 7 horas e meia!
Se o seu horário fosse de oito horas, como é normal (e não temos razões para acreditar que este autarca fosse um apaixonado pelo trabalho), isto deixava-lhe meia hora por dia para tratar dos problemas da freguesia que o elegeu.
Ficamos ainda intrigadas com o facto da queixa-crime ter sido arquivada. Os senhores do Ministério Público devem ter considerado que a falta do que fazer por terras do Rochoso, onde só há dois cafés e uma mercearia, são fortes atenuantes - um homem tem de se entreter com qualquer coisa...

14.3.06

circular interna

Caras associadas

É com muito pesar que a provedoria deste blog tem notado que andais a produzir muito pouco e que, quando o fazeis, é invariavelmente sem qualquer vislumbre da arte que antes dominaveis na perfeição – o corte. Apenas a título de exemplo, a Mana Tesoura, que actualmente se dedica quase única e exclusivamente à crítica cinematográfica, utiliza expressões como “Reese Witherspoon (…) revela-se uma actriz fenomenal” ou “menina loira da voz sedutora (Scarlet Johanson) está fabulosa”. Mas o que é isto? Não é este tipo de adjectivos que costumava, nos tempos áureos, ser lido por aqui, ora não? Se as coisas continuarem desta maneira, o melhor é mudardes de blog. Usai aquele template azul celeste para combinar com essas postinhas quase angelicais que escreveis. E já agora mudai também o nome para “raparigas de boas famílias na amena cavaqueira e sem maldade”. Achais bem?

Estais constantemente a perder boas oportunidades de escrever belas postas. Que tenhais deixado passar a visita do Senhor Bill Gates a Portugal absolutamente em branco perdoa-se, embora não se compreenda. Mas que não tenha havido um mísero comentário à sumptuosa presença da Dolly Parton na cerimónia dos Óscares isso é, de todo, inaceitável. E que tendes a dizer em relação à afirmação de Ribeiro e Castro, dizendo não ser nenhum chefe de banda? Não digais que não estava a mesmo a pedi-las! Piada tinha era cortar no Paulinho, com certeza. Mas não subestimeis o potencial dos restantes membros do PP! Aliás, não subestimeis todo um país onde todos os dias acontecem coisas que são para vós, amantes do corte, diamantes em bruto. Lapidai gajas. Lapidai!

Agora ide. Ide para vossas casas e voltai só quando tiverdes recuperado o brio e o veneno!

Ass.
A provedoria do gajas no corte

8.3.06

O enxoval

Só a palavra naperon, só por si, é um galicismo do mais piroso. Mas o pior problema do naperon é que ele nunca vem só. Traz consigo paninhos de tabuleiro, lençóis, toalhas e panos, tudo com muita renda, bordados, folhos e flores de cetim. Sim, estou a falar do ENXOVAL!

Eu diria que o enxoval é o terror de qualquer gaja. Durante anos ele representou a mais vil descriminação contra as mulheres – todos os Natais e aniversários, enquanto os meninos recebiam brinquedos, milhares e milhares de meninas do nosso Portugal foram presenteadas, por familiares de gosto duvidoso, com artigos para o enxoval. Não se faz!

Depois de cada Natal lá acabava tudo numa arca bafienta ou no fundo de uma armário da casa materna, junto com uma dúzia de bolas de naftalina. E depois por lá ficava abandonado e todas desejávamos fervorosamente não ter de desenterra-lo nunca. Um dia uma gaja decide mudar-se e finge esquecer-se de todos artigos têxteis-lar que acumulou durante uma vida. Umas vezes passa. Outras vezes não.

Acontece que o abandono do enxoval pode acarretar sérios problemas. Em primeiro lugar a família costuma ficar deveras sentida com a não utilização do material fornecido. Em segundo lugar há aquela altura da vida da gaja em que ela se apercebe da real utilidade da treta do enxoval e a necessidade é tal que qualquer uma pondera a utilização de umas toalhitas bordadas ou de uns panos de cozinha com o Galo de Barcelos.
No meu caso pessoal, o que me livrou de conflitos familiares de maior foi ter arranjado uma casa minimal. A escassez de mobiliário é tal que a torna muito pouco naperonável.

Deixo-vos, no entanto, algumas sugestões. Em primeiro lugar não custa nada tentar, desde cedo, sensibilizar a família para que, de facto, a existência de rendas e folhos é totalmente desnecessária. Pode também tentar a troca directa de artigos barrocos pelo modelo básico – algumas mães e tias estão disponíveis a negociações desse género. Em último caso, uma gaja com sentido prático pode sempre reciclar, descoser rendas e bordados, cortar lençóis, etc… Olhe, use a imaginação!

6.3.06

Crash

Como gajas que adoram o corte que somos deveriamos aproveitar esta altura do ano única para comentar os vestidos que desfilaram pela carpete vermelha. Mas não, a Mana Tesoura sente-se compelida a comentar antes as estatuetas. (Claro que o momento em que a mãe do filho do Ben Afleck quase caía foi lindo, mas esse dava uma posta só por si...)
Notas Positivas: Reese Witherspoon, Philip Seymour Hoffman e Ang Lee!
Notas Muito Negativas: A grande surpresa da noite para mim foi sem dúvida a vitória de "Crash" (Colisão). Como é que um filme destes é distinguido com o Oscar de melhor filme, quando havia na concorrência filmes como Brokeback Mountain e Capote? Primeiro, o filme é engraçado, OK admito isso. Mas por outro lado não é nada mais do que engraçado. Não é de todo original (O título é roubado do soberbo Crash do David Cronenberg e a ideia é em muito plagiada do fantástico Short Cuts do Robert Altman). O filme está rodeado de um suposto peso de comentário político, mas que raio de comentário? Quantos filmes já foram feitos sobre o assunto? Enfim, não me conformo com o facto de a mediocridade ser galardoada e apreciada. É triste dizer isto, mas lembra-me Portugal...
A mana tesoura

2.3.06

Relatório Trimestral do DEOCN

Este resumo não está disponível. Clique aqui para ver a mensagem.

1.3.06

O Carnaval à portuguesa

Ontem, pela primeira vez em muitos anos, decidi festejar o carnaval. Não, amigas gajas, não se assustem! Não desfilei num carro alegórico nem sambei de maminhas ao léu com a pele arrepiada com o frio do Fevereiro português! Não gosto de Carnavais importados! Quem chama aos carnavais que tentam imitar o do Rio "os mais portugueses de Portugal" está, em minha opinião, muito enganado!
Ontem fui a Podence, aldeia do concelho de Macedo de Cavaleiros, e delirei com os caretos. Para quem não sabe, os caretos são uma espécie de diabretes que têm as suas origens em rituais pagãos de fertilidade e que se festejam um pouco por todo o lado em Trás-os-Montes, embora estejam em perigo de extinção. É como um ritual de passagem dos rapazes à idade adulta. Fazem tropelias, entram em todas as casas da aldeia, dizem as verdades que lhes vêm à cabeça e perseguem as raparigas, a quem tentam acertar com os chocalhos que têm à cintura. Ainda tenho as nódoas negras nas costas dos quatro chocalheiros que me elegeram como alvo. Só me senti um pouco desconfortável com o careto franzino e com cerca de metro e meio que me abordou - poderia ser um rapazito de 13 anos? Não achei bem e neste caso em particular dei por mim a pensar que se calhar o carnaval com "tudo à mostra" às vezes tem as suas vantagens...

27.2.06

A ceguinha

Nota: Esta é uma posta politicamente incorrecta. Não aconselhamos a sua leitura a pessoas sensíveis. Não temos livro de reclamações e disso podem queixar-se à DECO.

Uma das personagens do Porto por quem nutro especial antipatia é a ceguinha do túnel de S. Bento. O problema não é tanto a sua mão sempre estendida, a cantilena "dê uma esmola à ceguinha". O que me irrita nela é que, quando passa alguém que não resiste ao lamento e lhe larga uma moeda, a senhora invisual diz "deus lhe conserve os olhinhos". Deus lhe conserve os olhinhos? Mas o que ela quererá dizer com aquilo? Que aos restantes transeuntes sem moedas ou sem pachorra nada lhes dá o direito de conservar os olhinhos? É alguma praga que lhes roga? Este é um assunto particularmente sensível para mim, uma vez que um ouvidinho já lá foi à sua vida, deixando-me mouca como um tamanco. Desde então prezo muito os meus olhinhos isentos de dioptrias.

Há ainda outra coisa que me intriga na ceguinha: se numa semana se passa por ela e se lhe vêem as brancas própria da idade, já na semana a seguir as não tem, no seu cabelo apanhado, sempre perfeitamente pintado e penteado. Uma gaja repara nestas coisas, está-nos no sangue .
Eu suspeito que a ceguinha do túnel vai ao cabeleireiro mais vezes do que eu. É verdade que também não é difícil, que eu só vou cortar umas pontas lá à minha prima Teresa duas vezes por ano, alturas em que me ponho a par da vida da realeza europeia nos últimos meses, no meio de uma imensidão de Hollas atrasadas. É certo que a ceguinha tem direito a andar penteadinha. Eu até acho bem. Eu também tenho o direito de não contribuir com as minhas moedinhas. Nem sequer a troco de um "deus lhe conserve os olhinhos".

Agora que já me sinto a mais vil das gajas por denegrir a imagem de uma pedinte, não bato mais na ceguinha.

26.2.06

Americanices de lágrima ao canto do olho...

Olá olá gajas,

A mana tesoura finalmente chegou aos EUA. Passaram já 18 horas desde que saí aí do burgo e a viagem ainda não terminou. Estou ainda em Denver, CO, à espera do meu avião final. Estou a beber a minha primeira “diet soda”, a escrever esta posta e a olhar para a neve nos picos das montanhas.
Durante a viagem Frankfurt/Denver, vi dois filmes. Duas verdadeiras americanadas. O primeiro foi “in her shoes” com a Shirley Maclane e a Cameron Diaz. O segundo foi o “Elizabethtown” com o giraço do Orlando Bloom e a hiper gira Kristin Dunst. Como disse são duas americanadas de primeira, dois melodramas a puxar ao cómico, ou duas comédias a puxar à lágrima. A mana tesoura no entanto como é uma desgraçada duma sentimental chorou o coração fora (do inglês “cry one’s heart out”). Não sei o que se passa comigo. Se calhar era só o cansaço, se calhar sou mesmo é uma piegas, mas não percebo como é que com um filme que amei como o “Brokeback mountain” não verti uma simples lágrima e com estas merdices foi o que foi. Não que a história dos cowboys não tenha mexido comigo. Mexeu, ainda estou a pensar nele, mas se calhar só mesmo com filmes maus é que isto em acontece.
Mas isto não interessa nada. Queria apenas dizer-vos que voltei, que estou praticamente em casa e que assim que tenha acesso à Internet irei ver o que se passa nas gajas no corte e nos blogs dos nossos amigos.
Uma beijoca grande, entre a neve do colorado e os magníficos saguaros do deserto que me espera!

A mana tesoura

P.s.: No meio da excitação e das lágrimas esqueci-me de fazer um comentário. É que realmente este país tem do melhor e do pior. Este aeroporto, que é enorme, tem apenas uma sala de fumo. Sala de fumo essa que mais não é que um bar. O problema é que só te deixam lá fumar se comprares uma bebida. Agora mesmo um homem veio tentar fumar um cigarrinho e por acaso nem queria beber. Pois a empregada disse que ele tinha de apagar o cigarro e sair. Ele ia tirar mais umas passas e a p*t* da gaja nem isso o deixou fazer. Realmente assim não é nada difícil ser uma super potência e ter uma economia que continua a crescer mesmo no meio de uma grande crise internacional. Enfim, americanices…
(Posta escrita no ido dia 23 Fevereiro de 2006)

24.2.06

Posta escrita num momento de fúria!

Uma gaja concorre para um trabalho X na Entidade Y.
A Entidade Y manda um mail a dizer que a lista dos candidatos admitidos para o trabalho X está na sua página da internet.
A gaja vai lá ver.
A gaja procura o seu nome na ordem alfabética.
A gaja encontra o nome.
"Admitida" grita a gaja! E pula de contente!
A gaja repara que à frente do seu nome está escrito "Admitido B".
A gaja suspeita.
A gaja procura o singnificado de se ser "Admitido B".
A gaja encontra o significado, em itálico, as letras pequenas: As listas de Candidatos Admitidos encontram-se agrupadas em “Admitido A” e “Admitido B”. Os candidatos admitidos do Grupo A e apenas estes (uma vez que são mais do que o número de vagas) serão submetidos a avaliação curricular a que se seguirá uma entrevista...

Porra, entidade Y, que merda de eufemismo é este? Porque não me puseram directamente na lista dos excluídos? Deixam primeiro uma pessoa pular toda contente e depois vem com um "ah e tal e o camandro, afinal não"? É que eu assim vou fazer a minha vida para outro lado!

21.2.06

Viver no limite

Há pessoas ousadas. Pessoas que gostam de um desafio e que nunca negam à partida ciências que desconhecem. Pessoas rebeldes. Pessoas que vivem no limite. Pessoas que vão de S. Bento a Campanhã de comboio sem pagar ou que saem do autocarro pela porta da frente. Hoje eu também fui assim. Sabendo que me iam cortar a água às 9 da manhã, fui tomar banho às 8:58. Radical, hein?

Looking for Alexander

Era uma vez um gato preto, chamado Miau. Na verdade, o seu nome completo era Dom Miau, o que fazia dele para amigos e conhecidos Dom apenas. Dom era uma gato muito manhoso e pouco vaidoso, assaz assenhorado do seu nariz. Era ainda um felino muito caseiro, mas não era rara a vez em que era avistado a arquear o dorso ao Sol no alto de um muro, ou aprimorado nos seus afazeres de gato dengoso rua acima, rua abaixo. Dom gostava de namorar as ondas do mar, mas como era muito desleixado nas suas idas à praia, tempos havia em que as ondas ficavam agitadas e encrespadas de ciúme quando o seu namoro se fazia de Lua Nova.

Ora, foi num desses dias incertos de Inverno que Dom achou por bem ir ao Fantasporto. Calçou as pantufas (que os gatos, ao contrário da gente, só calçam pantufas para sair à rua), vestiu o impermeável escuro e lá foi até ao Teatro Rivoli para ver o seu filme. Dom, a quem não faltavam caprichos de menino mimado, tomou lugar num dos parapeitos das aberturas laterais do teatro e estava languidamente a lamber a pata esquerda quando as luzes da sala se apagaram. As suas pupilas cresceram até ofuscar o azul celeste dos seus olhos: a sessão ia começar.

Dom ficou maravilhado com as lindas imagens em sucessão no ecrã e com as sonoridades que vibravam dos altifalantes, mas como gato que era, pouco entendia da linguagem de gente. Tudo lhe pareceu mais estranho ainda quando reparou no burburinho que tomou conta da sala e viu as pessoas lá em baixo a começarem a sair, muito zangadas. Intrigado, Dom acercou-se do seu amigo gato Dorminsky, que encontrou atrás da tela, bojudo como sempre e de charuto na boca.

− Por que estão as pessoas todas a sair tão zangadas? – inquiriu Dom ao seu felino compadre.

− Porque isto é um filme canadiano falado em francês e ninguém se lembrou de o legendar! – ronronou o gato Dorminsky, incontido de gozo.

Desarmado perante tamanha tolice, Dom virou costas ao Fantasporto e foi passar o resto do serão na companhia das ondas do mar.

− KL

A santa vida da Mana Tesoura


Imagino eu que quem tem seguido este site com alguma atenção (sim, não é preciso assim tanta) já se apercebeu que a mana tesoura é… como descrever?!?! uma maluca. Pois, nem mais nem menos, ou talvez não… penso que é chegada a altura de revelar um pouco mais de mim.
Sou rapariga para ter sido criada num meio bastante católico, sempre fui também rapariga para gostar muito de livros e de arte, assim desde pequenina… Dentro do género, o que mais havia lá por casa eram imagens de santos e uma pequena biografia da Joana d’Arc. 2+2 coisa e tal, a rapariga torna-se numa adolescente fascinada pela Joana d’Arc que via como exemplo daquilo que uma gaja a sério deveria ser. A esta juntaram-se a imagem de outros santos transviados como a Santa Teresa de Ávila e o São Sebastião (e bem mais recentemente como já perceberam a Santa Wilgefortis). Não esquecer ainda o menino Jesus da Cartolinha ao qual, dizem as beatas lá da terra dos meus pais, lhe mudam a roupa todos os dias (eu vaidosa como tudo queria também ter um séquito de beatas que me mudasse a roupa todos os dias). Resultado: Que é que recebo ontem de prenda de aniversário das gajas? Sim, A vida extraordinária dos santos! Estiveram muito bem… mesmo muito bem. Fui para casa devorar o livro… mas os meus piores receios concretizaram-se. É que a minha imagem dos santos tem bem mais a ver com a Joana d’Arc do Dreyer ou com o Sebastienne do Derek Jarman, que com pias ladainhas proto-católicas.
Isto tudo para revelar um sonho: quero fazer O livro da vida dos santos… sempre adorei biografias, sempre adorei cuscar a vida alheia… agora que se banalizaram as pop e movie stars haverá terreno mais fértil para uma gaja como eu? A mim parece-me que seria um projecto fabuloso… ou então, dêem lá um desconto… pode ser só a mana que está com saudades do seu Tom e precisa é de sexo… Quem sabe, quem sabe?

Beijocas,

A mana tesoura

Parabéns à Mana

A nossa estouvada, depravada, sofisticada Mana Tesoura completa hoje mais uma sumptuosa Primavera.
Mesmo quando se arma em nojentinha, mesmo quando resolve dar uma pitada hard-core aqui ao blog, mesmo quando nos arrasta até locais onde a música é horrível, nós gostamos muito de si e sentiremos a sua falta agora que vai voltar para o seu exílio no deserto! Parabéns e bon voyage Mana!
PS. Aqui fica uma prenda para si que demonstra todo o nosso amor!

19.2.06

Hit me baby one more time

Desculpem o título da posta caras amigas, mas estou a ouvir esta música em versão acústica interpretada pelos Travis (por falar nisso, que é feito deles?). E sabem que mais? É uma boa música. Pena a versão original ser cantada por aquela-cujo-nome-não-dizemos.

E agora que a minha coluna (não falo da vertebral mas sim da que escrevo em N.Y.) se encontra em fase de repouso, decidi por uns tempos regressar a Barcelona e escrever um pouco sobre as pessoas e a cidade (quem estiver interessado na primeira parte desta série pode clicar aqui). O tema do sexo virá mais tarde, para já ficam alguns aspectos quotidianos.

Pois bem, este fim de semana estive a estudar os trajes das várias pessoas que encontrei na noite. E cheguei à conclusão que aqui tudo pode estar na moda. Claro que o mais "in" será o look Poppy. Muito 80's, muito Pop, muito The Strokes, muitas calças justas com All Star e muitos vestidos pretos com pintinhas rosa. Os cabelos, esses são franja à frente dos olhos para os rapazes e bandelete fininha para as raparigas. Mais uma vez se prova que a moda é cíclica. Nem é preciso falar na música.

Resta saber qual a relação entre o traje e a facilidade em encontrar parceiros, mas sobre isso ainda tenho de estudar um pouco mais (como principal interveniente, claro).

Carrie Bradshaw
[em Barcelona]

As dúvidas do Gaspar


Como o Natal é quando uma gaja quiser, hoje recebi um cd do Sérgio Godinho a cantar com os Amigos de Gaspar, que tem lá dentro esta preciosidade:

Quem sou eu? - disse eu
só que ninguém respondeu, ninguém
mas que foi que me deu para estar hoje assim?

Estou aqui, se estou
mas para onde é que eu vou, quem sou?
Toda a gente sabe mais ou menos quem é


Passam carros, passa gente
vão para algum lugar é certo
vão para trás e vão para a frente
vão para longe e vão para perto
vão para algum lugar é certo, vão

Delicioso... Obrigada!